Especiais | 18-10-2026 10:00

A carreira de Domingos Martinho começou de bicicleta, passou pelos aviões e elevou o ISLA Santarém

A carreira de Domingos Martinho começou de bicicleta, passou pelos aviões e elevou o ISLA Santarém
ESPECIAL GALARDÃO EMPRESA DO ANO
Domingos Martinho revolucionou o ISLA Santarém e ajudou a transformar a instituição numa referência do ensino superior na região - foto O MIRANTE

Aos 13 anos, a perda do pai obrigou-o a ser o “homem da casa” e a trabalhar na agricultura. Contra as dificuldades económicas e as cheias que isolavam a aldeia de Reguengo do Alviela, Domingos Martinho lutou para estudar. Deslocava-se de bicicleta e comboio para a escola em Santarém, como não tinha posses para estudar no ensino superior, seguiu uma carreira militar na Força Aérea, foi estudar para cumprir o sonho do pai, apresentando-se no ISLA Santarém como o primeiro candidato através dos exames Ad-Hoc, sem imaginar que se tornaria no presidente do instituto que transformou num dos mais respeitados do país.

Numa época em que a vida na aldeia era marcada pelo isolamento e pela dureza do trabalho agrícola sazonal, a infância do actual presidente do ISLA Santarém foi moldada pela simplicidade e, muito cedo, pela adversidade. Aos 13 anos, a perda precoce do pai, vítima de tuberculose, obrigou-o a assumir o papel de “homem da casa” para apoiar a mãe e os dois irmãos mais novos. Apesar das dificuldades económicas, a determinação de uma mãe extraordinária garantiu que Domingos continuasse a estudar. Nascido em 1954 em Reguengo do Alviela, localidade do concelho de Santarém, dividia-se entre as tarefas do campo e os livros. Para fazer o secundário na Escola Comercial e Industrial de Santarém, fazia um percurso diário que hoje parece impensável: deslocava-se de bicicleta até Vale de Figueira para apanhar o comboio rumo à cidade.
Nas épocas de cheias, quando o Alviela e o Tejo isolavam a aldeia, a alegria juvenil de ver as aulas suspensas era por vezes travada pela dedicação da professora primária, que atravessava o rio de barco para garantir que os alunos não perdiam matéria. Concluído o ensino secundário, a falta de recursos familiares para prosseguir estudos superiores levou-o a alistar-se como voluntário na Força Aérea, em 1973. Era a oportunidade de aprender uma profissão na área da aeronáutica. Especializou-se como técnico de material aéreo, servindo em Moçambique e em Angola durante o complexo período de transição e retirada das forças portuguesas após o 25 de Abril de 1974 que acabou com a Guerra Colonial. Ingressou nos quadros permanentes e construiu uma sólida carreira militar, retirando-se em 1997 como gestor de frota com o posto de capitão.
Pelo meio, em 1990, o seu caminho cruzou-se definitivamente com o ISLA Santarém. Candidatou-se através dos exames Ad-Hoc, sendo o primeiro aluno a apresentar-se por esta via ao curso de informática de gestão. Concluída a licenciatura em 1995 como aluno brilhante, foi convidado pelo então presidente, António Madeira, falecido em 2008, para ser professor assistente. O ISLA adoptou-o e Domingos Martinho adoptou o ISLA. Conciliou as aulas com a Força Aérea até optar pela reserva militar para se dedicar inteiramente ao ensino e à informática, área na qual fundou também uma empresa, a Template, com um colega de curso, António Pratas, que agora é propriedade dos antigos funcionários. Mais tarde, consolidou o seu percurso académico com o mestrado em informática e o doutoramento em tecnologias de informação e comunicação na educação, na Universidade de Lisboa.
Em 2012 assumiu a direcção do ISLA Santarém num momento crítico. A instituição não comunicava, as notícias eram negativas e contava com apenas 115 alunos e dois cursos activos, enfrentando o espectro do encerramento. Com resiliência liderou a transição, articulando a integração no Grupo Lusófona e devolvendo a credibilidade à instituição. Hoje, aos 72 anos, continua a liderar com os olhos postos no futuro, provando que os sonhos de infância se cumprem com trabalho e audácia.

O renascimento e a expansão do ISLA Santarém

A história recente do ISLA Santarém é um caso notável de sobrevivência e sucesso no panorama do ensino superior português. À beira de fechar portas, a viragem histórica deu-se com a reestruturação do capital e a integração no Grupo Lusófona, sob a liderança de Domingos Martinho e com o forte investimento dos novos accionistas, bem como com a entrega e dedicação dos funcionários, destaca o presidente do instituto. O primeiro grande marco físico da nova era ocorreu em 2018, com o aluguer do piso superior do emblemático edifício dos CTT, no centro histórico de Santarém, imóvel que o grupo viria a adquirir e a requalificar integralmente em plena pandemia. O edifício transformou-se num pólo tecnológico moderno e dinâmico, contrariando a tendência de deslocalização para as periferias e trazendo vida e juventude ao coração da cidade.
A nível pedagógico, o ISLA Santarém apostou numa oferta formativa flexível e adaptada às necessidades da região. Pioneiro na implementação dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (TESP) em 2014, o instituto expandiu a sua oferta para nove licenciaturas, mestrados, pós-graduações e MBAs, adoptando também regimes de ensino à distância que atraem estudantes de todo o país e do espaço lusófono. A consolidação deste processo de afirmação deu-se no final de 2024, com o reconhecimento oficial da transição de escola superior para instituto politécnico. Mas o trabalho de evolução continua.
Actualmente, com cerca de 2000 alunos e um corpo docente de mais de uma centena de professores, o ISLA Santarém prepara-se para novos voos. Com a aquisição das antigas instalações dos bombeiros voluntários, a instituição projecta a criação de um novo pólo académico e de um auditório com 250 lugares aberto à comunidade, estimando atingir os 3.000 alunos até 2035. A escolha por um espaço na zona histórica, não se deve apenas à proximidade do pólo principal do instituto, mas à visão de contribuir para dar vida ao centro da cidade e criar uma marcar arquitectónica.

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