Especiais | 18-10-2026 16:00

Conhecer milhares de referências é a arma da Construmat contra as grandes superfícies

Conhecer milhares de referências é a arma da Construmat contra as grandes superfícies
ESPECIAL GALARDÃO EMPRESA DO ANO
Equipa da Construmat, de Torres Novas, assegura diariamente o funcionamento da empresa dedicada ao comércio de materiais de construção - foto O MIRANTE

Fundada há 77 anos, a Construmat é uma das empresas com maior tradição no comércio de materiais de construção em Torres Novas. Começou no centro da cidade, atravessou mudanças profundas no sector, mudou de instalações e diversificou a oferta. A proximidade aos clientes, o conhecimento técnico e uma cultura assente na confiança ajudam a explicar a longevidade da empresa, distinguida por O MIRANTE com o Galardão Microempresa do Ano.

A história da Construmat - Materiais de Construção confunde-se com várias gerações de clientes, fornecedores e trabalhadores. Quando Pedro Mota entrou para a casa, em 1981, com 16 anos, ainda se faziam contas à mão e as máquinas registadoras eram uma novidade. Muitos profissionais chegavam sem listas preparadas e era na loja que se escolhiam materiais e se encontravam soluções para os trabalhos. Essa componente de aconselhamento nunca desapareceu e tornou-se, com o passar dos anos, uma das marcas da Construmat. Hoje compete num mercado dominado por grandes superfícies e pela facilidade das compras online, mas continua a apostar num balcão onde quem vende tem de conhecer os produtos e saber explicar como funcionam e onde e como devem ser aplicados. E é precisamente isso que a distingue e chama muitos particulares e profissionais.
A história da Construmat também é feita de continuidade, sendo disso exemplo o percurso de Pedro Mota, que passou por todas as funções da casa, do balcão às vendas no exterior e à gestão, antes de assumir a empresa em 2001. O percurso foi feito ao lado dos antigos proprietários, sobretudo de Manuel Grave, de quem diz ter aprendido muito sobre o negócio e sobre a importância da confiança.
Com a nova gestão chegou uma fase de investimento. Os espaços no centro de Torres Novas foram remodelados, foi criada uma exposição de sanitários e a área das tintas ganhou uma loja própria. Cristina Mota, mulher de Pedro Mota, entrou então para a empresa depois de três meses de formação específica. O crescimento tornou os vários espaços dispersos pouco funcionais e, em 2007, a Construmat mudou-se para a Rua da Várzea, onde concentrou todo o negócio.
Ao longo de 77 anos, a capacidade de adaptação tem sido decisiva, com o surgimento de novas técnicas, o aumento das exigências ambientais e o comércio a tornar-se mais rápido e digital. A empresa compra em plataformas europeias, trabalha directamente com fabricantes de Espanha, Itália e França e acompanha feiras internacionais. Mas há princípios que permanecem como conhecer o que se vende, resolver depressa os problemas e preservar relações comerciais construídas durante décadas. São ferramentas fundamentais para o sucesso da empresa, que tem alguns fornecedores há 30 anos.
A ligação de Pedro Mota à empresa ficou ainda mais evidente nos períodos em que a doença o obrigou a afastar-se fisicamente do trabalho. Mesmo nos dias mais difíceis continuou ligado, ainda que à distância, acompanhando o que se passava. “Depois do que passei, não tenho medo de nada”, afirma, reconhecendo que a experiência o levou a relativizar mais os problemas e a olhar de uma forma mais leve para a vida e para o negócio, para o qual ainda tem ambições e perspectiva um futuro promissor.
A nova geração começa a ganhar espaço com o filho Miguel Mota a assumir responsabilidades. A filha, engenheira, também chegou a estagiar na Construmat, mas o pai garante que nunca empurrou os filhos para o negócio. Miguel acabou por ficar por vontade própria, num processo natural que pode assegurar a continuidade de uma empresa onde o conhecimento tem passado de geração em geração.

Mil clientes e relações de confiança

A Construmat é uma microempresa na dimensão, mas trabalha com uma carteira superior a mil clientes e uma oferta que se estende por cerca de cinco mil referências. Conta actualmente com cinco pessoas, incluindo Pedro Mota, e vende a particulares, profissionais da construção, empresas industriais e entidades públicas, entre as quais câmaras municipais, hospitais, Exército e tribunais. Torres Novas, Entroncamento e concelhos vizinhos concentram a maior parte da actividade.
A facturação anual situa-se entre os 700 e os 800 mil euros, com mais de metade das vendas a empresas e instituições a ser feita a crédito, o que obriga a uma gestão apertada. Pedro Mota admite que a Construmat pode ter, em determinados momentos, 150 mil euros por receber, num ciclo que se rege por relações de confiança.
O stock é outra das áreas críticas e que tem como regra não ter grandes quantidades de cada artigo, mas assegurar variedade suficiente para responder rapidamente a quem procura uma solução. Parafusos, canalização, tintas, ferramentas, fechaduras, ferragens e produtos técnicos obrigam a dominar milhares de referências e a complexidade faz com que a formação de um novo trabalhador seja demorada. Pedro Mota estima que sejam necessários cerca de três anos até alguém conseguir trabalhar ao balcão com autonomia.
Para Pedro Mota, a falta de mão-de-obra, sobretudo qualificada, é hoje uma das maiores dificuldades do sector. Já os preços dos materiais, que registaram fortes subidas após a pandemia e com a guerra na Ucrânia, estão hoje mais estabilizados. Para o gerente, os principais entraves estão agora na escassez de profissionais, no custo dos terrenos, nos licenciamentos e nos atrasos burocráticos que condicionam novas obras.
A reabilitação continua, por outro lado, a ter peso importante no negócio. Há pouca construção nova em Torres Novas e são muitas vezes as obras de recuperação que levam particulares e profissionais à Construmat. Nesse mercado, o aconselhamento técnico, vinca, continua a ser uma das armas da empresa frente a concorrentes de maior dimensão.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias