Joaquim Veríssimo Serrão: Santarém agradece

Joaquim Veríssimo Serrão: Santarém agradece
Joaquim Veríssimo Serrão - “1925-2025” Centenário do seu nascimento
João Teixeira Leite, autarca de Santarém

Joaquim Veríssimo Serrão é uma figura que se pode seguir. Um homem do associativismo, da amizade, da fé e da família. Um homem que se divertia, que partilhava, que escutava. Um homem de carne e osso, que fez da sua vida uma homenagem permanente à sua cidade, ao seu país e à universidade. Um homem que não procurou glória, mas que, inevitavelmente, a mereceu e vai continuar a merecer a cada ano que passa.

Quanto mais leio e ouço sobre o Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, mais me impressiona a sua normalidade. Não uma normalidade desinteressante ou apagada, mas a normalidade que contém em si a força tranquila dos grandes homens. Essa foi, aliás, a ideia que procurei vincar na Sessão Solene que tivemos a honra de participar no passado dia 8 de Julho, no Convento de São Francisco, precisamente no centenário do nascimento do nosso Mestre.
Veríssimo Serrão não foi um sobredotado precoce, nem um génio recluído no mistério. Foi, sim, disciplinado, determinado, incansável. Mostrou-nos, com o seu exemplo, que dentro da nossa mais comum condição humana reside a possibilidade de sermos verdadeiramente extraordinários. Com trabalho. Com humildade. Com entrega.
É por isso que Veríssimo Serrão é uma figura que se pode seguir. Um homem do associativismo, da amizade, da fé e da família. Um homem que se divertia, que partilhava, que escutava. Um homem de carne e osso, que fez da sua vida uma homenagem permanente à sua cidade, ao seu país e à universidade. Um homem que não procurou glória, mas que, inevitavelmente, a mereceu e vai continuar a merecer a cada ano que passa.
Honrou Portugal. Mas, acima de tudo, honrou Santarém. Foi scalabitano com orgulho e com propósito. Cuidou do nosso património como quem cuida da alma de um povo. Ainda hoje, quando a luz do sol se detém sobre a Torre da Trindade, junto à antiga Escola Prática de Cavalaria, vemos ali não apenas pedra, mas memória. E essa memória — deixem-me dizê-lo — devemos a Veríssimo Serrão.
Foi um homem prudente, leal, amigo dos seus amigos. Nunca traiu a consciência, mesmo quando os ventos da História mudavam de direcção. Não foi um homem do Estado Novo, foi um homem do seu tempo — e do nosso também — que acreditava no valor da amizade, da palavra dada, da fidelidade à verdade.
Apreciou figuras políticas de vários quadrantes: Marcello Caetano, Diogo Freitas do Amaral, Sá Carneiro. Tinha preferências, naturalmente. Mas nunca colocou os interesses do país abaixo das suas convicções. Foi político no sentido mais nobre do termo: serviu a coisa pública sem se deixar aprisionar por bandeiras.
Era Scalabitano, e essa é uma virtude. Construiu a identidade da nossa cidade com artigos, ensaios, conferências e livros. Com ele, Santarém não é apenas uma cidade antiga: é uma cidade pensada, sentida, escrita. Com Veríssimo Serrão, podemos passear pelas ruas da cidade com os seus livros na mão — e ver com os seus olhos.
Foi também um visionário. Imaginou a Universidade do Ribatejo, lutou por ela, sonhou com uma academia que desse nova vida à nossa terra e aos nossos jovens. Não o deixaram concretizar esse sonho, por razões políticas. Mas o futuro, esse, talvez ainda o venha a honrar.
Hoje, cem anos após o seu nascimento, e cinquenta após o 25 de Abril, reconhecemos em Veríssimo Serrão um homem verdadeiramente livre: político, mas não politizado; comprometido, mas independente. Não podemos catalogá-lo como de direita ou de esquerda, como salazarista ou opositor, seria injusto. Podemos apenas defini-lo por três palavras: foi amigo, foi Scalabitano, foi Serrão.
Santarém prestou-lhe homenagem. E permitam-me que o escreva com frontalidade: homenageámo-lo bem. Com justiça. Com verdade. Com afecto. Sabemos que, no seu espírito modesto, ele diria que não merecia tanto. Mas nós sabemos o que valeu — e o que nos deixou. Relembro quando Santarém deu o seu nome a uma avenida e disse numa entrevista que não merecia, que nada fez para merecer.
É por isso que lhe entregamos a Chave de Ouro da sua Cidade. Porque esta cidade lhe pertence, tanto quanto ele pertence a esta cidade.
Santarém não o esquecerá.

João Teixeira Leite - Presidente da Câmara Municipal de Santarém

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