Não há figuras do Estado no centenário do nascimento de Joaquim Veríssimo Serrão
Não há figuras do Estado na comemoração do centenário do nascimento de Joaquim Veríssimo Serrão. Santarém é a capital da liberdade, terra de nascimento e de casa de família de Joaquim Veríssimo Serrão, porventura o intelectual mais importante da História do concelho dos séculos mais recentes.
A comemoração do centenário de Joaquim Veríssimo Serrão sabe a pouco para a grande figura que foi o autor de uma das mais importantes Histórias de Portugal em 19 volumes. A sua participação na vida portuguesa do último século vai ficar na História pela sua acção, pelo empenho, pela cidadania que exerceu e, acima de tudo, pelas posições políticas que defendeu e de que foi abrindo mão sem nunca perder a razão e a qualidade de Homem de princípios.
Não há figuras do Estado na comemoração do centenário do nascimento de Joaquim Veríssimo Serrão. Não sei de quem é a culpa, mas só pode ser de quem organizou a efeméride. Santarém é a capital da liberdade, terra de nascimento e de casa de família de Joaquim Veríssimo Serrão, porventura o intelectual mais importante da sua História. Era normal que houvesse mais empenho em ter figuras de Estado na comemoração do seu centenário, e que outras figuras da região ligadas à cultura também fossem convidadas para se juntarem à efeméride.
Infelizmente, a direcção do Centro de Investigação não soube ou não conseguiu os seus objectivos, ou então achou que ter ou não ter figuras do Estado na homenagem era de somenos importância. Não é. Joaquim Veríssimo Serrão foi o escalabitano mais ferrenho de todas as figuras que aqui nasceram e ficaram para a História. E a sua Obra é, de longe, em termos intelectuais e de valor histórico e literário, a maior de sempre escrita por um filho da terra, que quis sempre viver e morrer aqui, e escreveu sobre a cidade como ninguém o fez até hoje.
Santarém é uma cidade velha no edificado e ao nível dos seus intelectuais. Há uma vaidade sem sentido entre gente da cultura que disputa número de mestrados, teses, doutoramentos e coisas do género de que o meio intelectual é farto e falido. Todos sabemos que os grandes génios da Humanidade não passaram pelas universidades nem precisaram de títulos para viver, a começar por Joaquim Veríssimo Serrão, a quem ouvi, várias vezes, alto e bom som, “gozar” com aqueles que só eram gente quando alguém os tratava por doutores. Pois em Santarém é o que mais vemos, e sentimos, e percebemos que domina a classe que tem o poder de decidir ignorar o convite às figuras do Estado portuguesas para se associarem em Santarém à festa do centenário de Joaquim Veríssimo Serrão.
Joaquim Veríssimo Serrão deixou uma Obra que, um dia, depois de editada e reeditada e estudada, vai ser o orgulho da cidade e do concelho. Todos os antigos e actuais escritores e Historiadores do concelho devem-lhe essa reverência, embora cada um tenho o direito à sua própria Obra e a fazer o seu próprio caminho. Mas que não se façam comparações pelos volumes dos livros, o tamanho das letras ou a grossura do papel. E muito menos ainda pelos elogios que ele espalhou por aí em badanas e outras publicações por ser um Homem humilde, que gostava de ser útil, e que não tinha problemas em encher o ego a muita gente que precisava do seu afecto como de pão para a boca. JAE


