Politécnicos de Santarém e Tomar passam a oficialmente a Universidades Politécnicas em Agosto
Passagem a Universidade Politécnica pode contribuir para uma maior igualdade entre subsistemas de ensino e para aumentar a visibilidade das regiões de menor densidade populacional.
O Instituto Politécnico (IP) de Santarém e o IP de Tomar integram o grupo de 13 instituições públicas de ensino superior que, a partir de Agosto, passam a usar a designação de Universidade Politécnica. A alteração reconhece a qualidade científica e pedagógica das instituições, mas mantém a aposta num ensino prático, aplicado e ligado às necessidades dos territórios e das empresas.
A mudança resulta da revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior e abrange, além de Santarém, os institutos politécnicos de Beja, Bragança, Castelo Branco, Cávado e Ave, Coimbra, Guarda, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Tomar, Viana do Castelo e Viseu.
As instituições foram submetidas a uma avaliação independente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, que confirmou o cumprimento dos padrões de qualidade e excelência exigidos para a adopção da nova designação.
Apesar da transformação do nome, as novas universidades vão manter a matriz politécnica, privilegiando a formação prática, a investigação aplicada e a ligação ao tecido económico, empresarial e social das regiões onde estão implantadas. A alteração permite, no entanto, que passem a integrar cursos e unidades orgânicas que anteriormente estavam reservados às universidades tradicionais.
A liderança das instituições também vai mudar. Os actuais presidentes dos institutos politécnicos passam a ter a designação de reitores e serão eleitos directamente pela comunidade académica. O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos saudou a alteração, considerando que representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas instituições ao nível da formação, investigação e coesão territorial.
O presidente do organismo, Luís Loures, defende que a mudança “apenas peca por tardia” e considera que vai reforçar a competitividade internacional do ensino politécnico, sem colocar em causa a existência de um sistema de ensino superior dividido entre universidades e politécnicos.
Luís Loures alerta, contudo, que a alteração da designação terá de ser acompanhada por uma revisão do financiamento do ensino superior. Segundo o responsável, o financiamento em Portugal encontra-se 48% abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
O presidente do conselho coordenador acredita que a passagem a Universidade Politécnica pode contribuir para uma maior igualdade entre os dois subsistemas de ensino e para aumentar a visibilidade das regiões de menor densidade populacional, onde as instituições de ensino superior têm um papel relevante na fixação de jovens, na qualificação da população e na dinamização da economia.
Os politécnicos de Leiria e do Porto seguiram um caminho diferente. As duas instituições deixaram o subsistema politécnico e passaram a integrar o sistema universitário público geral, adoptando as designações de Universidade de Leiria e do Oeste e Universidade Técnica do Porto.


