Entrevista | 23-04-2012 07:22

António dos Santos é o decano dos matadores de toiros

António dos Santos é o decano dos matadores de toiros
O ambiente da Golegã, onde nasceu, influenciou-o a seguir a carreira de toureiro?Sou de uma família toureira. O meu pai, Carlos dos Santos, era toureiro. O meu avô e o meu primo, Manuel dos Santos, também. Os meus tios eram praticantes e os meus dois irmãos também seguiram a carreira. A Golegã foi uma terra de toureiros. Na altura vivia-se uma aficion profunda porque havia muitas ganadarias na zona. No café central faziam-se tertúlias. Vivia-se um ambiente taurino fantástico. Depois saiu da Golegã para estudar.Fui para casa de uma tia avó em Lisboa. Queria estudar para ser arquitecto mas tive que regressar à Golegã porque infelizmente o meu pai morreu quando eu tinha 16 anos. Um toiro colheu-o e acabou por morrer com problemas nos rins. Nessa altura não havia hemodiálise e não resistiu. Morreu aos 42 anos. A morte do seu pai não o fez afastar-se da carreira?Não, antes pelo contrário. Ligou-me mais ao toureio. Como era o mais velho dos cinco irmãos tive que ir trabalhar para garantir o sustento da família. O meu pai além de ser toureiro era funcionário da Câmara da Golegã. Deram-me um lugar na secretaria da câmara. Comecei a trabalhar como administrativo. A minha mãe era doméstica e viu-se também na obrigação de trabalhar. Quando é que o toureio começou a fervilhar dentro de si?Ao regressar à Golegã fui novamente influenciado pela família e pelo ambiente taurino. Estava habituado desde pequeno a acompanhar o meu pai às praças. Assistia às corridas. Gostava do ambiente e vibrava com o espectáculo. Dois anos depois de ter regressado à Golegã, tinha eu 18 anos, uma rapaziada aficionada organizou uma festa, amealhou um dinheiro e convenceu-me a ir para Espanha. Até determinado ponto já estava mentalizado de que teria que ser assim se quisesse ir mais além. Meteram-me dentro de um comboio, já de madrugada, e fui para Salamanca. A ideia era passar lá oito ou 15 dias. Levava umas pesetas e ficaria até que o dinheiro chegasse. Fiquei lá quatro anos. Espanha foi a melhor escola?A melhor escola foi Portugal. Foi em pequeno que aprendi toda a técnica. Lá apenas a aperfeiçoei. * Entrevista completa na próxima edição.

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