Entrevista | 27-08-2014 00:01

Farto-me de rir com os pseudo-artistas que andam para aí com bailarinas de mini-saia

Farto-me de rir com os pseudo-artistas que andam para aí com bailarinas de mini-saia

Tem uma forte ligação a Riachos e ao Ribatejo e é talvez desse lado familiar que lhe vem a voz que denuncia a forma como a mediocridade está a empurrar tudo o que tem qualidade pela borda fora, tanto a nível da música como de todas as actividades em geral. Perante isso promete não baixar os braços nem fazes concessões ao mau gosto. No primeiro verso do seu novo disco de canções, "Coração Rebelde - Nuno Barroso", declara através da sua voz de poeta que quer ser "livre e selvagem e diferente".

Lançou em 2012 um álbum de piano. Agora regressa às canções. Ao fim de quase vinte anos de carreira ainda anda à procura do seu caminho?O disco de piano, "Musica Mundi", foi um exercício que fiz de escrever e compor noutro registo e de conhecer outras culturas através da música. Foi o meu caminho naquela altura. Aquilo também sou eu. É um álbum de realização pessoal em que a minha ligação ao piano se torna extremamente íntima. Foi composto solitariamente. Não há voz nem há poemas. Foi extremamente interessante.É conhecido como um cantor e compositor da área da música pop e rock. Assenta-lhe bem essa descrição do que é?Já fiz música pop, rock, heavy, blues, funky....a música pop é talvez aquela através da qual as pessoas mais me identificam mas eu sou um escritor de canções que gosta de variar de estilos. Não tem tiques de artista pop nem os excessos típicos do músico de rock...Não tenho nada a ver com isso. A minha ligação ao mundo pop não tem a ver com postura, comportamentos. Tem a ver com as canções, particularmente com a música, a melodia. Gosto de um bom poema interligado com uma boa harmonia.Gosta de ouvir as suas canções cantadas por outros ou acha que ficam melhor cantadas por si?Gosto de algumas versões de canções. Há cantores que conseguem levar as canções para outro patamar de criatividade. A canção ganha uma espécie de autonomia e consegue voar....A pergunta era sobre as suas canções e não sobre as canções em geral. A Adelaide Ferreira, por exemplo, gravou um tema seu chamado "Cantar para Ti", que você gravou agora para este CD. De que versão gosta mais?Gosto da dela mas, para ser honesto, gosto mais da minha (riso). Acho que a versão dela caiu nas mãos de um produtor com pouca sensibilidade para aquela canção. Eu, como compositor da canção, gosto mais da minha versão.O Rui Veloso deu há pouco tempo uma entrevista em que disse que a música é para todos mas nem todos são para a música. Concordo com ele. Neste momento o mercado da música em Portugal está muito estranho. Não se percebe. Há uma área, ligeira, popular que está carregada de pseudo-artistas. Basta terem duas bailarinas de mini-saia a mostrar as pernas e são logo artistas, independentemente do que cantam. O conteúdo não interessa. Neste momento a mediocridade substituiu a qualidade e isto está a ter um efeito bola de neve. Leva tudo à frente. Se isto não for controlado e não houver algum bom senso nunca mais saímos desta espiral de mau gosto. * Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.

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