Entrevista | 18-05-2016 23:50

“Vou para o café ver os jogos de futebol e discuto as jogadas com quem lá está”

“Vou para o café ver os jogos de futebol e discuto as jogadas com quem lá está”
TRÊS DIMENSÕES

Fernanda Alves, 47 anos, proprietária e gestora da empresa Xabigás em Almeirim. Era ama de crianças mas a morte do marido em 2012 obrigou-a a deixar aquilo que mais gostava de fazer para arregaçar as mangas e agarrar na empresa da família, a distribuidora de gás Xabigás.

Fiz de tudo um pouco na vida antes de cair aqui na empresa de pára-quedas. A Xabigás foi fundada em 2006 e em 2012 tive que assumir a gestão devido à morte do meu marido, Carlos Alberto. Posso dizer que não percebia nada de negócios. Nem sequer sabia o que era uma guia de transporte ou um programa de facturação. Felizmente tive a ajuda dos funcionários, do contabilista e dos representantes da marca que me fizeram acreditar que era capaz e aqui estou.
Era ama de bebés e adorava o que fazia. Ainda hoje os meus meninos me vêm visitar e ainda se sentam ao meu colo e dão me muitos carinhos. Antes trabalhei numa vacaria e tirei um curso de inseminação artificial. Fiz inseminações e ajudei também a fazer partos, alguns deles muito complicados. Era engraçado quando os animais nasciam eu dizer que tinha sido eu a fazê-los.
Gostava de ter sido professora mas os meus pais não me deixaram e quando cheguei ao 6º ano fui trabalhar. Naquele tempo ainda estudei na telescola e na sala havia alunos de Marianos, Paço dos Negros, Parreira, Fazendas de Almeirim. Nos meus tempos livres gosto muito ir ver o mar. Gosto de fazer caminhadas e ouvir música. Pratico Zumba que agora está muito na moda e posso dizer que durante aquela hora consigo desligar-me de todos os problemas e ao mesmo tempo estou a praticar desporto. Ainda não perdi a esperança de um dia poder fazer um cruzeiro até à Austrália.
Adoro viver na aldeia de Marianos, concelho de Almeirim, pelo sossego e pela calma do campo. Gosto de poder abrir a janela quando acordo e ouvir os passarinhos. Não me falta nada na aldeia e conheço toda a gente. Só tenho pena de não haver crianças e as escolas acabarem por fechar. Acho que Almeirim evoluiu muito nestes últimos vinte anos. O município soube aproveitar a nossa gastronomia, principalmente a sopa da pedra, para trazer muita gente à cidade. Já comi sopa de pedra fora de Almeirim e não é a mesma coisa. Costuma-se dizer que o cozinheiro coloca sempre o seu toque pessoal mas, por favor, não inventem ingredientes que não pertencem à receita da sopa.
Sou uma adepta fervorosa de futebol. Conheço todos os jogadores do Benfica, o meu clube do coração. Vou para o café ver a bola e discuto os lances e se for preciso também ralho. Já fui muitas vezes ao estádio mas gostava mais do antigo Estádio da Luz. Ainda me lembro do último derby entre Benfica e Sporting que vi no antigo estádio. Quando marcámos o primeiro golo todo o estádio tremeu, foi uma sensação de uma enorme alegria e emoção. Sei que não é muito habitual uma mulher gostar de futebol mas foi o meu marido, que também era jogador, que me ensinou a vibrar com o futebol. Também sei o nome dos árbitros e certos homens ficam a olhar para mim.
Defendo o ensino público e considero que esta polémica não tem razão de existir. Não defendo o fecho do ensino privado mas quem lá quer andar tem de pagar. Odeio a política e os políticos, tanto à esquerda como à direita. O único político de que gosto é do nosso Presidente da República e votei nele. É uma pessoa como nós e tem uma maneira diferente de ver e viver as coisas. Acredito nele e penso que vai dar a volta ao país.
Todos os anos vou a Fátima a pé. Já vou há 10 anos seguidos e não faço promessas. Vou só para me sentir bem comigo. Gosto do convívio da caminhada, vamos falando sobre a vida, vamos rindo e vamos chorando e quando se chega é uma sensação de missão cumprida e de uma enorme tranquilidade e paz de espírito, mesmo com muitas bolhas nos pés. Sou uma pessoa com muita fé apesar das coisas más que me foram acontecendo ao longo da vida.

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