Entrevista | 04-03-2017 14:03

"Funcionários respiraram de alívio quando Luís Ferreira deixou Câmara de Tomar"

"Funcionários respiraram de alívio quando Luís Ferreira deixou Câmara de Tomar"
ENTREVISTA

José Manuel Pereira está a cumprir o primeiro mandato como presidente da Assembleia Municipal de Tomar.

José Manuel Pereira é eleito há quatro mandatos na Assembleia Municipal de Tomar mas este é o primeiro como presidente desse órgão. Este professor aposentado não gosta de estar parado e dedica grande parte do seu tempo às colectividades do concelho.

É um dos militantes mais antigos do PS de Tomar e diz que o melhor que o partido fez foi afastar Luís Ferreira, antigo chefe de gabinete da presidente da câmara. Uma entrevista a O MIRANTE na semana em que Tomar celebra a sua fundação.

A gestão PS/CDU na Câmara de Tomar foi a melhor opção?

Não havia outra alternativa. Não quer dizer que tenha sido a melhor opção mas foi a necessária e possível na altura.

A câmara seria ingovernável sem esta coligação?

A câmara não teria possibilidade de passar muitos projectos sem esta coligação. Fez-se uma 'geringonça' a nível local mas julgo que funciona e tem aparecido obra e acordos em conjunto, tanto dos vereadores do PS como da CDU.

Esta coligação pode prejudicar o PS nas autárquicas que se realizam este ano?

Não acredito porque a população de Tomar sabe como o trabalho tem sido desenvolvido ao longo destes quatro anos. É melhor haver quatro vereadores em maioria do que apenas três em minoria. O vereador da CDU tem colaborado com os vereadores do PS e vice-versa. O trabalho é conjunto e tem aparecido trabalho bom e bem feito e vai aparecer ainda mais.

Vê com bons olhos a continuação da coligação se o PS não conseguir maioria absoluta?

Se funcionou durante este mandato não vejo qualquer problema em que volte a haver uma coligação depois das eleições. É sinal que os políticos, apesar de serem de partidos diferentes, conseguem trabalhar em conjunto e em prol do desenvolvimento do concelho.

A desvinculação do PS do deputado Luís Ferreira na assembleia municipal foi um fardo ou um alívio para o partido?

Foi um alívio para o PS e para o concelho.

Porquê?

Conheço e lido com o Luís há muitos anos e sei que é um trabalhador nato, aplica-se nas coisas mas, de há uns anos a esta parte, tem uma visão muito diferente daquela que devia ter actualmente. Só o que ele vê e como pensa é que está bem. Só com a sua maneira de ver é que as coisas funcionam e tem que ser tudo como ele quer, o que deu origem a casos complicados e a esta ruptura. Para o PS em Tomar foi um alívio.

Luís Ferreira está como deputado não adstrito na assembleia municipal. Deveria ter renunciado ao mandato?

Acho que sim. Continuo a trabalhar e lidar bem com ele, tenho conversado com ele, tentado responder às suas solicitações mas não é fácil. Ele disse que tudo faria para não causar problemas à minha imagem e à minha pessoa e tem cumprido. No entanto, não o faz perante todos os colegas da assembleia. A sua maneira de trabalhar é um bocado diferente de todos os outros.

A presidente da câmara municipal saiu fragilizada com esta situação de ruptura pessoal e política com Luís Ferreira, seu ex-chefe de gabinete e ex-companheiro afectivo?

Acho que a presidente Anabela Freitas, que acredito que vai manter-se no cargo por mais quatro anos, ficou algo fragilizada com o que inventaram sobre esta situação. Mas todos nós, que estamos à sua volta, apoiámo-la e sinto que agora está cheia de vontade de trabalhar e com muita energia para dar o melhor de si ao concelho e à sua população.

As divergências do PS com Luís Ferreira podem prejudicar o partido nas próximas autárquicas?

As pessoas aperceberam-se que o Luís Ferreira não sabia trabalhar com os outros. Os funcionários da câmara tinham medo de falar com Luís Ferreira e respiraram de alívio quando ele deixou a câmara. Para Tomar, e para ele próprio, é melhor que enverede por outros caminhos e que não fique por Tomar. As pessoas apercebiam-se que Luís Ferreira causava muito mau-estar em todo o lado. Para o concelho foi a melhor coisa terem afastado Luís Ferreira.

* Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.

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