Entrevista | 22-03-2019 07:00

Um jovem fotógrafo que enfrenta os tubarões de caras

Um jovem fotógrafo que enfrenta os tubarões de caras

João Rodrigues trabalha para publicações como a National Geographic

João Rodrigues, natural de Torres Novas, ficou recentemente em segundo lugar num concurso que elege o melhor fotógrafo subaquático do ano. Na altura em que se assinala o Dia Mundial da Água, a 22 de Março, O MIRANTE esteve à conversa com o jovem de 29 anos.

João Rodrigues tinha seis anos e já dizia à avó que sonhava ser um Indiana Jones em terras africanas, mas os amigos logo conseguiram que mudasse de ideias. A paixão pelo mar foi à primeira vista. Desde aí, nunca mais parou, trabalhando actualmente como biólogo, mergulhador, fotojornalista, empresário e defensor das causas dos oceanos. A poucos dias de se celebrar o Dia Mundial da Água, a 22 de Março, O MIRANTE esteve à conversa com o jovem de 29 anos, que recentemente conquistou o segundo lugar no concurso “Underwater Photographer Of The Year 2019” que escolhe, desde 2015, o melhor fotógrafo subaquático do ano.

Nascido e criado em Torres Novas, João Rodrigues sempre gostou de animais, tendo aos 17 anos partido da sua terra para estudar Biologia na Universidade do Algarve. O pai preferia que seguisse uma área que levasse a um emprego com futuro, como medicina ou advocacia, mas a mãe encorajou-o a fazer o que gostava. Nos primeiros anos de licenciatura ainda sonhava ir para a savana, mas os colegas que já faziam mergulho influenciaram-no a experimentar.
João Rodrigues ainda tirou mestrado em Biodiversidade e Conservação Marinha na Universidade de Faro e como, para mergulhar, é necessário despender bastante dinheiro em equipamentos, começou a trabalhar em bares de praia. Nos tempos livres aproveitava para fazer corridas com o objectivo de treinar os consumos de ar.

Mergulhar na fotografia

O curso de instrutor de mergulho foi tirado logo depois quando terminou os estudos. O mergulho mantinha-o ligado ao mar e pagava as contas, mas não deixou a ciência para trás. Quando não estava a trabalhar fazia investigação e voluntariado no Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve. Acabou por sentir que estava a estagnar e mudou-se para os Açores.

“Queria perceber como se trabalhava com empresas marítimo-turísticas que abraçavam a ciência no seu negócio”, explicou o biólogo que quando chegou ao arquipélago arranjou emprego como gerente do centro de mergulho de uma empresa que faz observação de cetáceos e mergulhos com tubarões. Foi a partir deste emprego que João Rodrigues começou a contactar com cadeias televisivas que faziam documentários de natureza, incluindo a BBC, e conheceu fotógrafos profissionais nacionais.

O biólogo confessa que preencher artigos e histórias com as suas fotografias é o que mais gosta de fazer. Foi em 2016 que começou a fotografar debaixo de água. A aprendizagem, conta, foi feita através da leitura de livros e vídeos no YouTube sobre o tema. Um ano depois teve o primeiro trabalho para a revista National Geographic publicado. Criou ainda a Chimera Visuals, uma empresa de produção audiovisual focada na conservação marinha.

João conta que um dos contactos mais marcantes com animais aconteceu nos Açores quando nove tubarões se alimentavam de uma carcaça de baleia-comum de 15 metros. Outro momento foi na Noruega quando 30 orcas passaram pelo seu grupo. Ficou fascinado e ao mesmo tempo sentiu-se pequenino e com um grande respeito perante uma mãe orca que se aproximou com investidas para mostrar aos humanos quem mandava ali.

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