Entrevista | 16-04-2019 20:00

“Nós somos os bombeiros cá do sítio”

“Nós somos os bombeiros cá do sítio”
IDENTIDADE PROFISSIONAL

Miguel Tomás está há ano e meio à frente da Junta de Freguesia de Casével e Vaqueiros.

Autarca trabalha como comercial em Lisboa e margem sul e ao final do dia e aos fins-de-semana dedica-se à autarquia para que foi eleito em 2017. Uma vida em alta rotação mas que considera gratificante.

Miguel Tomás sempre teve uma grande ligação com Casével, concelho de Santarém, onde ainda hoje vive, mas nunca pensou que, passados alguns anos a trabalhar para uma empresa de Lisboa sedeada em Amiais de Baixo como comercial, iria ter a gestão da sua freguesia nas mãos. Um cargo que considera ser de grande responsabilidade e muito cansativo, mas também muito desafiante e gratificante. Miguel Tomás tem 41 anos de idade e está há ano e meio como presidente da Junta de Freguesia de Casével e Vaqueiros.

Nascido e criado em Casével, Miguel Tomás mostrou sempre ser uma criança com grande apetência para os números, tanto que, na hora de escolher a área de ensino superior a seguir, não teve dificuldade em optar pelo curso de Contabilidade e Finanças na Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém. Apoio foi o que não faltou por parte da irmã mais velha e da mãe, uma vez que perdeu o pai aos 17 anos.

Miguel Tomás ainda esteve alguns anos dedicado unicamente às suas funções como comercial, numa empresa de máquinas e ferramentas de Lisboa, mas um convite inesperado do anterior presidente da União de Freguesias de Casével e Vaqueiros, Carlos Trigo, levou-o a passar a trabalhar também como tesoureiro da junta. Ao todo, o autarca esteve no cargo quatro anos até ser eleito como presidente da União de Freguesias.

Casado e com duas filhas, Miguel Tomás passa os seus dias em reuniões com clientes, a atender fregueses da União de Freguesias e entre papéis na sede da autarquia. “Durante a semana, os meus dias são sempre muito atarefados. De manhã estou em Lisboa a trabalhar e quando regresso, pelas cinco da tarde, costumo ir resolver problemas a casa de fregueses que, entretanto, contactaram comigo. Já aos fins-de-semana, estou sempre em eventos organizados pela União de Freguesias”, conta o autarca.

A trabalhar há cinco anos e meio na União de Freguesias de Casével e Vaqueiros, são muitas as histórias que Miguel Tomás guarda carinhosamente na memória. “Há cinco anos, decidi acompanhar 36 crianças de famílias desfavorecidas das freguesias, que foram acampar para a Lagoa de Sesimbra. Ver o grande sorriso dos mais novos a verem pela primeira vez o mar marcou-me bastante. De tal forma que ainda hoje tiro uma semana das minhas férias para ir sempre ao acampamento juvenil. Costumo ajudar a cozinhar e a monitorizar as crianças e é muito gratificante”, revela o residente em Casével.

Miguel Tomás diz que ser presidente da junta não é fácil, especialmente porque é o poder mais próximo das populações. “Nós somos os bombeiros cá do sítio. Todas as pessoas têm o meu número de telefone e, quando precisam, lá me contactam”, conta o autarca, admitindo que prefere ir a casa dos fregueses do que recebê-los na sede da União de Freguesias às sextas-feiras à tarde.

Já houve situações, adianta, “que me ligaram de madrugada a dizer que tinha havido uma descarga ilegal e tive de me levantar da cama para ir verificar. Outras que me ligam a pedir para resolver problemas nas habitações e tive de lá ir. Mas, faço tudo com gosto porque considero que assim é que deve ser”, confessa.

Actualmente, refere, a autarquia tem muitas actividades em marcha para apoiar os mais velhos, como passeios anuais e uma carrinha que vai buscá-los gratuitamente para os levar ao posto de saúde de Casével e à Extensão de Saúde de Pernes, mediante o local de residência. O pior é mesmo o Plano Director Municipal que, com as suas restrições à construção, leva muitos jovens a desistir da ideia de construir casa em Casével e Vaqueiros.

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