Entrevista | 08-05-2019 18:00

As armas não são perigosas se as pessoas as souberem usar

As armas não são perigosas se as pessoas as souberem usar
IDENTIDADE PROFISSIONAL

Manuel Marques abriu a sua espingardaria em 1985, depois de ter vivido 15 anos em França.

Manuel Piedade Marques nasceu no antigo hospital velho de Santarém mas viveu em Casével, nesse concelho, até que foi obrigado a fugir para França. “Nunca tive ligações políticas mas no tempo da ditadura era muito complicado e não podíamos dizer nada. Devo ter dito alguma coisa que os agentes da PIDE [polícia política do regime de Salazar] não gostaram e puseram o meu nome na lista negra. O padre avisou-me e fugi nessa madrugada às quatro da manhã”, recorda a O MIRANTE.

Chegou a Paris com 24 anos e deixou em Portugal a namorada, que mais tarde foi ao seu encontro. Dois anos depois aproveitaram as férias para casarem no seu país. Regressaram a Paris onde viveram 15 anos.

Manuel Marques tem formação na área da mecânica industrial e foi encarregado geral numa fábrica de mecânica em Paris durante 11 anos. Apesar de terem uma vida boa em França decidiram voltar em 1984 e foram viver para a terra da esposa, em Parceiros de São João, concelho de Torres Novas. “Tive uma vida boa em França mas andava com muitas dores de cabeça e quando fui ao médico este disse-me que eu precisava de apanhar sol, por isso decidi regressar a Portugal”, explica. Fez a viagem de regresso sozinho no seu carro. As estradas não eram tão boas como actualmente e conta que fui um percurso difícil. A esposa veio um mês depois.

Em 1985 abriu a Espingardaria Manuel Marques, em Parceiros de São João, por ser um apaixonado por caça. Filho e neto de caçadores, Manuel Marques aprendeu a caçar aos 16 anos com os seus familiares. Ia aos coelhos, às perdizes e às rolas. Ainda hoje, aos 73 anos, se levanta às quatro e meia da manhã para ir para os campos do Alentejo caçar pombos. “Gosto muito de andar no campo. Enquanto lá ando não penso nos problemas, consigo desligar de tudo”, afirma, acrescentando que quando vivia em Paris aproveitava as férias em Portugal para alimentar a sua paixão pela caça.

O empresário afirma que já vendeu milhares de espingardas e produtos ligados à caça. Actualmente, vende muito menos. “As pessoas começaram a abandonar a caça porque as licenças são muito caras e isso desmotiva-as”, sublinha. Mantém o negócio para estar entretido. “Por vontade da minha mulher já tinha fechado a loja há muito tempo porque, felizmente, não precisamos disto para viver, mas eu gosto de estar aqui e tenho clientes que continuam a fazer-me encomendas e a vir aqui à loja”, conta.

Já teve 11 espingardas mas agora só tem duas e uma arma de defesa. “As armas não são perigosas e não fazem mal a ninguém se as pessoas não forem malucas. Temos que ser responsáveis”, realça. Durante uma caçada, há cerca de 15 anos, levou com um chumbo numa perna mas nem sequer foi ao hospital. Ainda hoje tem o chumbo na perna e diz que não tem qualquer problema com isso.

Nem sempre está na loja e aproveita os tempos livres para passear pelo país. Adepto de carros clássicos aproveita as concentrações destes veículos para tirar os carros da garagem. Possui dois clássicos, um Mini e um Volvo. O Volvo é o carro do domingo sempre que vai passear com a esposa. Gosta de se manter activo e todos os dias dá a sua caminhada com a esposa. Aos domingos gosta de ir dançar com a mulher. “Vou manter a espingardaria e a caça até aos 100 anos. O segredo da juventude é não pararmos e manter-nos activos e é isso que faço”, confessa.

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