Entrevista | 03-09-2019 15:00

José Lopes Ribeiro foi para a faculdade depois dos 40 juntamente com os filhos

José Lopes Ribeiro foi para a faculdade depois dos 40 juntamente com os filhos
IDENTIDADE PROFISSIONAL

Empresário e gerente da Lopes Ribeiro, oficina de pintura e reparação de automóveis.

Nunca é tarde para acumular conhecimento e o empresário de Vialonga é prova disso. Aos 14 anos começou como aprendiz numa oficina e anos mais tarde estabelecia-se por conta própria no ramo da reparação automóvel. Só muito depois foi tirar um curso superior. Hoje dedica-se mais à gestão e finanças mas ainda suja as mãos quando é necessário.

Com 14 anos quis satisfazer a curiosidade de aprender uma profissão e foi para uma oficina nas férias escolares. Passados quatro anos decidiu colocar à prova as suas competências e montou uma oficina na garagem do pai. Não vingou. Depois de evoluir profissionalmente abriu em 1997 a Lopes Ribeiro, oficina de reparações e pintura. O empresário, natural de Vialonga, trata da gestão de clientes e finanças, mas continua a sujar as mãos quando é preciso. Privilegia a formação num mercado que considera complexo e aos 44 anos decidiu ingressar no ensino superior, juntamente com os dois filhos.

“Aos 44 anos, a minha vida deu uma reviravolta a nível pessoal e achei que era a altura certa para investir na minha profissionalização e tirar um curso superior”, justifica. José Lopes Ribeiro tinha acabado de perder a esposa quando tomou a decisão de estudar Gestão de Empresas e Economia, no Instituto Superior de Gestão de Lisboa. O apoio dos dois filhos foi fundamental. Chegaram a estar os três a estudar em faculdades diferentes, ao mesmo tempo. Em três anos o curso ficou concluído.

Lopes Ribeiro, natural de Vialonga, é o gerente da empresa de pinturas e reparações de automóveis, situada na Zona Industrial da Granja. Tem seis trabalhadores, desde mecânicos, bate-chapas, especialistas em pneus, pintores de automóveis e considera fundamental auxiliá-los a evoluir profissionalmente. Providencia-lhes formações regulares, já que é preciso adaptar os conhecimentos à complexidade e à evolução do mercado.

O empresário começou por mudar óleo e pneus na oficina de um amigo do pai e não consegue contabilizar o número de motos e automóveis que lhe passaram pelas mãos, mas assegura que sabe a que cara pertence cada um dos dois mil contactos de clientes que tem gravados no telemóvel. Privilegia a proximidade e diz que chega a dar “consultas por telefone” quando algum tem uma avaria na estrada. “Estou ligado 24 horas por dia e mesmo estando de porta fechada, se precisarem, prontifico-me a resolver”, afirma.

Nasceu no antigo bairro Álvaro Lucas, em casa dos pais. Durante uma infância levada a brincar na rua sonhou ser piloto aviador. Desistiu da ideia, mas há 10 anos concretizou o desejo de assumir o controlo de um avião, numa iniciativa da RedBull. Praticou atletismo no Clube Desportivo do Cabo de Vialonga, “mesmo sem correr grande coisa”, e foi karateca. Destacou-se na modalidade de luta livre ao sagrar-se campeão distrital pela Casa do Povo de Vialonga.

É o mais novo de três irmãos e foi com o mais velho que aguçou a paixão pelas motos, nos anos 80, quando era um luxo andar sobre duas rodas. “Era mais caro comprar uma mota do que um carro”, recorda. Foi sócio honorário do Moto Clube dos fuzileiros e fundador dos Asas da Estrada, o moto clube da Força Aérea Portuguesa.

Em 1993 organizou uma concentração de motos no Cadaval para angariar fundos para ajudar o centro social daquela vila. O associativismo é, na verdade, outro dos seus predicados. Actualmente integra a direcção da Associação Projecto Jovem, que acolhe meia centena de jovens com deficiência.

Assim que atingiu a maioridade entendeu que era tempo de abrir uma oficina por conta própria. Montou-a na garagem do pai, mas em seis meses percebeu que não dava para pagar as despesas porque a maior parte dos clientes ficava a dever. Voltou a trabalhar por conta de outrem numa oficina, onde se especializou em pintura. Foi ainda carteiro em Sacavém e cumpriu serviço militar no Regimento de Comandos na Amadora. Depois fechou o ciclo de empregos com a abertura da Lopes Ribeiro, em 1997. Trabalha com a Euro Repar Car Service, a única cadeia em Portugal que trabalha em simultâneo com a Citroen, Peugeot e DS.

Nesta oficina garante que se cumprem os prazos e que o cliente já sai de lá com uma ideia de quanto vai gastar. Neste processo, a mulher é o cliente mais exigente, diz e explica: “Têm receio de ser enganadas por haver a imagem de que a mulher não percebe de mecânica”.

Depois de serem colegas de faculdade, o mais novo dos filhos interrompeu os estudos para ir trabalhar na oficina. Lopes Ribeiro não esconde que gostava que um dia, pelo menos um dos dois pegasse no negócio, mas não o exige. “Os nossos sonhos não são os dos nossos filhos e quando criamos um modelo de negócio a pensar que um dia os filhos vão pegar nele estamos a pensar mal”, conclui.

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