Entrevista | 04-09-2019 15:00

“Era tão marrão que até sabia o número das páginas onde estava a matéria”

“Era tão marrão que até sabia o número das páginas onde estava a matéria”
TRÊS DIMENSÕES

José Rei é proprietário de uma farmácia mas deu aulas durante muitos anos.

Há trinta e três anos que José Rei é proprietário da Farmácia Baptista Rei, no Carvalhal, concelho de Abrantes. Antes foi professor de físico-química em Abrantes. Tem 74 anos e sempre gostou de estar em contacto com as pessoas. Começou em criança a ajudar os pais no atendimento de clientes na mercearia, taberna e padaria que tinham no Sardoal. Não pratica desporto mas Pertence ao clube “Os Amigos do Golo” que, euro a euro por cada golo marcado no campeonato, junta dinheiro para um almoço anual.

Quando andei na escola era o que se chamava um marrão. Estudava imenso e sempre tive boas notas. A minha técnica era acordar pelas seis da madrugada e começar a ler a matéria em voz alta, várias vezes, até me ficar na cabeça. Chegava ao ponto de, se me perguntassem alguma coisa, até sabia dizer o número da página dos livros onde estava a resposta.

Tenho vinte carros que posso considerar clássicos. Comecei a adquiri-los na sucata e recuperá-los totalmente. Nunca tive os carros guardados religiosamente. Sempre os utilizei no meu dia-a-dia. Quando dava aulas costumava ir num dos meus carros clássicos. Se acontecia ter um furo os alunos ajudavam-me a mudar o pneu. Sempre tive uma boa relação com eles.

Ajudava os meus pais ao balcão e ia numa carroça fazer a distribuição do pão. Os meus pais eram comerciantes mas tínhamos uma vida difícil. Lembro-me bem que não tinha muito tempo para andar na brincadeira.

Há muitos clientes da farmácia que me pedem conselhos para a sua vida íntima. Alguns homens de uma certa idade querem usar o comprimidinho azul como se fosse a pílula. Chegam aqui já depois de terem feito as suas pesquisas. Normalmente costumo mandá-los ao médico e alerto que aqueles produtos podem fazer mal ao coração.

Nos vários anos que leccionei a disciplina de físico-química em Abrantes dei aulas a muitos dos actuais autarcas. É o caso dos presidentes da Câmara do Sardoal, Miguel Borges, e de Abrantes, Manuel Valamatos. Tenho muito boas recordações desses alunos e da grande maioria.

Adoro arroz de lampreia feito aqui no Sardoal. Sou apreciador da gastronomia típica, sobretudo dos pratos que contêm peixes daqui da Barragem de Castelo do Bode. Como sou de boa boca também não resisto a um cozido à portuguesa. E sempre adorei as papas de serrabulho que a minha mãe fazia.

Pertenço a um grupo de convívio chamado “Os Amigos do Golo”. É um grupo de Carreira do Mato, concelho de Abrantes, que tem uma prática desportivo/gastronómica. Cada um de nós paga um euro por cada golo que o nosso clube marca. No final do campeonato, juntamo-nos todos, alugamos um autocarro e vamos almoçar a uma marisqueira. No meu caso, que sou do Sporting, até me tenho safado, mas o ano passado quem era do Benfica teve de pagar bastante.

Não pratico qualquer actividade física mas não é por opção. Fiquei limitado por ter tido tuberculose na minha juventude. O meu trabalho, a família e o convívio com os amigos acabam por me compensar por essa limitação.

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