Entrevista | 18-09-2019 07:00

A cidade do Entroncamento não desenvolveu e parou no tempo

A cidade do Entroncamento não desenvolveu e parou no tempo
TRÊS DIMENSÕES

Luís Correia, osteopata, proprietário da clínica ABC Saúde, Entroncamento.

Luís Correia nasceu há 59 anos em Lisboa mas a sua família é de Moura e Amareleja, no Baixo Alentejo. Seguiu a carreira militar e escolheu o Campo de Santa Margarida para trabalhar. Vive há 30 anos no Entroncamento onde abriu a clínica ABC Saúde, que dispõe de diversas especialidades. Quando se reformou, há nove anos, decidiu tirar o curso de osteopatia porque não tem feitio para estar em casa sem fazer nada. Nos tempos livres gosta de pintar a óleo e de cozinhar.

Não queria ser militar de secretária por isso escolhi o Campo Militar de Santa Margarida. Queria andar no terreno. Optei pela carreira militar e reformei-me há nove anos como sargento-mor da arma de artilharia. Estive em Santa Margarida excepto durante três anos em que vivi em Nápoles. Adorei os anos que vivi em Itália. Nápoles é uma cidade fantástica e os seus habitantes são incríveis. Guardo muito boas memórias desses tempos.

Comecei a pensar que teria que arranjar uma ocupação quando me reformasse. Não consigo estar em casa parado sem fazer nada. A minha intenção sempre foi tirar um curso para me especializar em algo que pudesse ser útil. Há 17 anos, em conversa com um amigo, ele falou-me na osteopatia e achei interessante. Informei-me e tirei o curso de cinco anos, no Instituto Kiros.

O Entroncamento parou no tempo. Não houve desenvolvimento da cidade, como aconteceu, por exemplo, com Torres Novas, que cresceu muito nas últimas décadas. O facto do Entroncamento ser uma cidade dormitório prejudica o concelho, porque as pessoas estão desenraízadas. Saem de casa de manhã e regressam à noite. Ao fim-de-semana vão passear para outros locais. Também não existem espaços de restauração suficientes e outros serviços que atraiam pessoas para visitar a cidade.

O acaso só existe na Matemática. Sou espiritual e acredito na vida depois da morte. Acredito que a vida não é só isto e tudo o que fazemos de mau pagamos nesta vida. Não concebo esta vida sem uma vida depois da morte. A espiritualidade também é ver alguém que está mal e dar-lhe um abraço.

Gosto de pintar a óleo. Agora não tenho muito tempo porque estou na clínica (ABC Saúde) a tempo inteiro. Antigamente pintava até às três, quatro da manhã enquanto ouvia música. Era um momento só meu em que conseguia relaxar bastante. Nos tempos livres também gosto de não fazer nada. Há dias em que trabalho mais de 12 horas e aproveito os momentos livres para estar com a minha família e ficar a descansar. Na minha idade já só faço o que me dá prazer.

Gosto de cozinhar para os amigos e família. Quando fazemos algo com paixão fazemos bem feito. A minha especialidade é ensopado de borrego à moda do meu avô Santana, que inventou uma maneira de fazer este prato de forma simples e, modéstia à parte, acho que o faço muito bem. Normalmente não consigo fazer arroz de tomate, não sei porquê mas fica sempre pegado ao tacho. Não resisto a um choco frito que acompanho com cerveja. Só bebo vinho tinto ou cerveja. Durante o dia bebo cerca de dois litros de água e chá.

Gosto de passar férias num local onde não tenha que fazer nada. A praia às vezes é uma grande confusão e temos que levar muita tralha atrás. De vez em quando fujo com a família para um espaço de turismo rural, perto de Estremoz, que é um sossego. Existe uma enorme tranquilidade e temos uma grande paz de espírito. É no meio do campo, não há barulhos e consigo descansar do stress do dia-a-dia.

Já não vamos a tempo de inverter as alterações climáticas provocadas pelo aquecimento global. O Homem está a destruir de tal forma o planeta onde vive que vai acabar por se extinguir. A Terra vai continuar a girar todos os dias, nós é que não vamos estar cá a viver.

A abstenção é elevada nas eleições em Portugal porque não temos políticos mas sim ‘pulhiticos’. As pessoas estão completamente desacreditadas dos políticos por isso é que desistiram de votar. Acham que não vale a pena. E aquelas pessoas que têm competência não vão para a política porque sabem que vão manchar o seu nome ao verem-se associados à classe política. Um político não tem credibilidade nenhuma em Portugal. A nível local é diferente porque os eleitores conhecem os candidatos mas a nível nacional é a bandalheira.

Se existisse justiça em Portugal haveria muita gente, que está em liberdade, que estaria na cadeia. Trabalho 12 horas por dia para pagar impostos e depois há pessoas que roubam milhões e ficam impunes. A justiça só funciona para aquele que rouba um bocado de pão. Para aqueles com quem se deveria fazer justiça ela não existe.

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