Entrevista | 24-09-2019 12:30

“Um empresário que não tenha uma boa equipa não vai longe”

“Um empresário que não tenha uma boa equipa não vai longe”
TRÊS DIMENSÕES

Luísa Fatela nasceu na Póvoa de Santa Iria e confessa ser bairrista.

Tem 56 anos, nasceu na Póvoa de Santa Iria e é lá que trabalha, na empresa de contabilidade e serviços ConteConnosco, onde é sócia-gerente, técnica de contas certificada e mediadora de seguros. É uma apaixonada pela sua terra e vê com tristeza a degradação do mouchão no Tejo e o vandalismo que tem danificado a zona ribeirinha. Profissionalmente defende que um empresário deve pôr a sua equipa sempre à frente e tratá-la com respeito, porque ninguém vai longe sozinho.

O contabilista não pode ser um mero somador de números. Ele tem que ser a peça fundamental da engrenagem de uma empresa. As empresas também precisam de ser abertas com o seu contabilista. Por vezes os empresários tomam decisões sem consultar o contabilista que depois se revelam não ser as mais acertadas. O pior é que quando dão pelo erro já não há nada a fazer.

A equipa tem de estar sempre em primeiro lugar. Sem uma boa equipa não temos bons clientes e um empresário sozinho não conseguirá levar a empresa a bom porto. Ter uma boa equipa e uma boa carteira de clientes demora muito tempo a construir. E na base de tudo isso tem de estar a honestidade, o respeito pelo próximo e a perseverança.

Detesto a falta de honestidade de certas pessoas e a ingratidão. Para ser empresário uma das condições fundamentais é olhar para os clientes com a maior dignidade possível. Temos de ser muito responsáveis. Quando se tem um negócio tem-se uma equipa de trabalho. Por isso temos de olhar para a equipa como um todo. Não são números, são pessoas que têm famílias e isso é uma grande responsabilidade.

Sou uma bairrista apaixonada pela minha terra. Se não tivermos cuidado com as nossas origens acabamos por nos perder. O passeio ribeirinho é das melhores coisas que temos na Póvoa, foi uma obra deixada pela ex-presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, que felizmente tem tido continuidade. É uma mais-valia para as gerações futuras. Mas é pena que o vandalismo chegue a todo o lado e já tenha chegado também ao parque ribeirinho. Normalmente quem destrói nunca contribuiu para fazer nada.

O crescimento rápido da Póvoa acabou com algum sentimento de proximidade. Transitámos muito rapidamente de aldeia a vila e daí a cidade, sobretudo pelo aumento de moradores que chegaram com a construção das novas torres de apartamentos. Na Póvoa antiga, por exemplo, toda a gente se conhecia. Apesar de tudo somos uma cidade muito boa na qualidade de vida. Mas podíamos ser ainda melhores.

Estou muito desgostosa porque não se têm preservado os espaços verdes. Falo das zonas envolventes aos prédios, os pequenos relvados. Essas zonas não estão a ser cuidadas e é uma pena. Quando a Quinta da Piedade foi planeada um dos atractivos era a manutenção dos espaços verdes que cada torre iria ter. Mas isso deixou de acontecer. Uma ideia podia passar pela construção de cisternas junto dos jardins para recolher a água da chuva para que ela fosse utilizada num sistema de rega gota a gota desses jardins. Assim não gastávamos água da rede e ficávamos com a cidade mais bonita.

Vejo com muita preocupação o desaparecimento do Mouchão da Póvoa. É um pedaço da freguesia e da nossa história que está a desaparecer. A vegetação que lá havia já está toda morta e as árvores também. Continuo a achar que ali dava uma excelente cidade olímpica. Os canais podiam ser adaptados a provas de remo e outras provas desportivas, é uma zona plana e por isso dava uma excelente área de desporto muito perto de Lisboa num espaço natural.

Na ConteConnosco tentamos devolver à sociedade uma parte do que ela nos dá. Em 2017, aquando dos grandes incêndios, fomos ajudar a Pampilhosa da Serra. Comprámos tonelada e meia de alimentos que fomos lá entregar para ajudar aquelas pessoas. A ConteConnosco inaugurou novas instalações há três anos na rua José Isidro dos Santos. A rua tem o nome de um médico que trabalhou há meio século na Solvay e dava assistência à população local. Nós prestamos serviços de contabilidade, documentação e seguros, a particulares e empresas. Somos hoje uma equipa de sete pessoas.

As empresas estão outra vez a recorrer imenso ao crédito e devia haver contenção nessa área. Ainda se gasta mais do que aquilo que se pode e a crise não passou totalmente. Começámos a senti-la a partir de 2008 mas entre 2010 e 2014 foi muito mau. Foi o pior período. A partir de 2015 começámos a sentir uma nova evolução pela positiva. Há empresas e projectos novos a nascer, empresários que olham de uma maneira completamente diferente para os negócios.

Gosto de viajar e das artes. Sou fã incondicional de pintura, escultura e artesanato. Estou à espera que chegue a reforma para dar largas à minha imaginação. Não me vejo parada no futuro, quero continuar a trabalhar mas num ritmo menos acelerado e em que possa conciliar as duas coisas, trabalho e lazer.

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