Entrevista | 09-10-2019 07:00

Os notários merecem um alargamento de competências

Os notários merecem um alargamento de competências
TRÊS DIMENSÕES

Vítor Câmara, proprietário e notário do Cartório Notarial Vítor Câmara em Alverca

Nasceu em Porto Moniz, na Madeira, e quando veio estudar para o continente queria regressar mas acabou por ficar. Abriu em Agosto o seu cartório notarial em Alverca e está encantado com a cidade embora continue a residir em Lisboa. Aos 33 anos, Vítor Câmara tem alguns objectivos a atingir. Concluir o doutouramento em Direito e ser pai antes dos 40 são alguns deles. Valoriza a sinceridade e a pontualidade.

Alverca do Ribatejo é uma cidade jovem com grande potencial para crescer. Quando soube que, em concurso público, me tinha sido atribuído o município de Vila Franca de Xira para exercer a minha profissão não hesitei. Em poucos meses posso dizer que a cidade já me cativou. Agrada-me trabalhar um sítio onde há movimentação nas ruas e a agitação do comércio local.

Outra das vantagens da cidade é que não há parquímetros e espero que assim continue. Continuo a morar em Lisboa mas estou a vinte minutos de Alverca. Tenho a vantagem de viajar contra o trânsito porque saio de Lisboa quando outros estão a entrar. E não pago portagem.

Saí da Madeira para estudar Direito e nos primeiros anos sempre pensei regressar. Assim que comecei a trabalhar percebi que era aqui que estavam as oportunidades. Fiquei e sinto-me muito bem.

Como cresci numa ilha, ao fim de alguns anos já não havia muito para explorar. Nas férias vinha com a família para o continente e aprendi desde cedo a gostar de viajar. Sempre tive curiosidade em relação a outras culturas. Nem que seja num fim-de-semana gosto de desligar a ficha do trabalho, entrar num avião e aventurar-me numa cidade de um outro país. Adorei conhecer Buenos Aires (Argentina), Paris, Roma, Veneza e Atenas.

Quero ser pai antes dos quarenta anos. Procurei primeiro singrar no mundo do trabalho e criar estabilidade para poder dar esse passo. Não é totalmente vantajosa esta ordem de prioridades mas foi uma escolha que fiz. Concluir o doutoramento em Direito é outra das minhas metas.

O último filme que fui ver ao cinema foi o Angry Birds. Fui na companhia do meu irmão mais novo que tem 10 anos e há quem pense que é meu filho. Sempre que estou com ele suscita-me curiosidade ver como ele brinca. Confesso que me espanta a infância dos dias de hoje que vive presa à tecnologia. O que é feito da bicicleta e das brincadeiras de rua?

Comprei o primeiro carro com o dinheiro que juntei a trabalhar num bar aos fins-de-semana. Comecei a trabalhar aos 16 anos, enquanto estudava para poder pagar as minhas coisas. Foi assim que aprendi a dar valor às minhas conquistas.

Preferia chegar a horas a um compromisso com a primeira peça de roupa que saísse do armário do que ir de fato e gravata e chegar atrasado. O povo português não é conhecido pela sua pontualidade, é certo, mas como não gosto de esperar acho que não tenho o direito de fazer os outros esperarem por mim.

Nunca cheguei ao trabalho com a camisa mal engomada, mas detesto passar a ferro. Lá em casa as tarefas domésticas são divididas, mas prefiro lavar loiça em vez de passar a ferro. Consigo cozinhar mas não sou grande cozinheiro.

Tomo sempre o pequeno-almoço antes de sair de casa. Não sou daquelas pessoas que tem de deixar tudo arrumado e por isso a cama pode ficar por fazer. Acordo às 07h30 com o rádio a fazer de despertador e continuo a ouvir a emissão no carro. Às vezes canto, mas mal.

Um bom programa de domingo é ter tudo organizado e não ter nada para fazer. Se a isso se puder aliar um passeio em família tanto melhor. Gostava de lhes poder dar o tempo que reclamam. O que mais me custa é ter de dizer-lhes que não.

Num primeiro contacto gosto que a pessoa me transmita sinceridade. Valorizo pessoas que abrem o jogo desde o início e contam sem rodeios o motivo que as levou a procurar os meus serviços. Assim ficamos todos a ganhar e a pessoa vê a sua situação resolvida em menos tempo.

O casamento é uma forma de contrato como o de uma compra e venda. Não se percebe como em Portugal um notário não pode fazer casamentos ou divórcios, algo que acontece, por exemplo, em Espanha. Esta profissão merecia um alargamento de competências.

Quem quer ser notário tem de ser persistente e apaixonado pela profissão. No meu caso, como em tantos outros, trabalhei mais de uma década como colaborador notarial até tomar posse na bolsa dos notários. Conseguir o título de notário é um processo moroso que está dependente da abertura de concurso público em Diário da República.

O maior lucro do meu trabalho é conseguir dar aos clientes a solução que procuram. Conseguir evitar que mais tarde tenham de enfrentar litígios e acabar num tribunal. Como se costuma dizer: Porta de cartório aberta, porta de tribunal encerrada.

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