Entrevista | 08-01-2020 15:00

Cantar é a vida de Maria Teresa dos Santos

Cantar é a vida de Maria Teresa dos Santos

Maria Teresa dos Santos é uma cantora de ópera, natural do Cartaxo, que trabalha todos os dias para cumprir o sonho de actuar nas maiores casas de espectáculo do mundo.

Maria Teresa, 20 anos, é uma cantora lírica natural do Cartaxo com uma passagem por Almeirim nos primeiros anos de vida. Em entrevista a O MIRANTE diz que a música e o canto são grande parte do que a realiza como pessoa. “É da minha actividade que retiro a confiança e a motivação para poder encarar o dia-a-dia. Sou a minha voz e o que canto; quando subo a um palco para cantar ópera sei que tenho que saber representar, dançar e cantar e a minha alma tem que alcançar tudo o que em mim é humano”, explica.

A conversa com Maria Teresa decorreu na redacção de O MIRANTE onde aceitou cantar ao vivo para os leitores de O MIRANTE. Durante o tempo de ensaio assumiu que não gosta de facilitar e só à terceira vez ficou satisfeita com o resultado: “a voz é a minha ferramenta de trabalho e tenho que ser muito exigente”, desabafou, enquanto tentava encontrar o melhor momento do ensaio que pode ver em O MIRANTE TV.

Teresa está no segundo ano de licenciatura em Canto Lírico na Escola de Música e Artes do Espetáculo do Porto. Considera-se melodramática, exigente e, principalmente, apaixonada pelo que faz. A sua determinação e convicção são os factores que a vão fazer conquistar o mundo. Conta que quer fazer carreira na Alemanha ou Inglaterra. “Preciso de alimentar esse sonho para me sentir preenchida”, explica, afirmando, no entanto que se sente uma pessoa ligada às suas raízes embora não seja isso que a vai impedir de ir à procura dos sonhos.

Activista pelos direitos dos animais (é vegetariana em transição para vegan) e pelos direitos das mulheres, já se sentiu assediada. “Se as pessoas aprendessem a seduzir não se falava tanto de assédio”, afirma. E refere que muitas mentalidades precisam de ser mudadas para que a igualdade de género se torne uma realidade.

Maria Teresa vive no Porto há cerca de um ano e é lá que tem o seu núcleo de amigos que partilham os seus gostos e interesses. Cantores líricos, violinistas, bailarinos, actores. “Entrego-me tanto à música que não tenho tempo para me relacionar com pessoas fora deste meio”, afirma. Mas o Ribatejo continua a ser o seu lugar de eleição porque permite-lhe fugir da azáfama da cidade e ser tratada como em mais nenhum lugar. A mudar alguma coisa na região seria na rede de transportes públicos que diz ser deficiente. “O Ribatejo não pode ser só para as pessoas que vêm do meio urbano para desligarem do mundo. Tem que se pensar nas outras que vivem cá”, sublinha.

A música surgiu na vida de Teresa quando tinha cinco anos e cantava nas festas de Natal do local de trabalho da mãe. Aos nove anos participou num programa televisivo de talentos chamado “Uma canção para ti”. Entretanto passou pelo coro da Sociedade Cultural e Recreativa de Vale da Pinta, onde ainda ajuda, e pelo coro da igreja. “Tudo isto foram estímulos para descobrir a minha voz e perceber que tinha potencial”, refere.

A voz de Teresa é treinada como um atleta treina o físico. É um trabalho diário que exige muita paciência e cuidados redobrados com a saúde. “O que faço não me permite ter uma constipação ou dores de barriga senão perco trabalho”, afirma, com um sorriso, e explica que não bebe álcool e que tem muito cuidado com o que come. Teresa fala inglês e italiano como fala a língua de materna, e agora está a aprender alemão. “Para cantar com alma e sentimento tenho que saber o que estou a dizer”, explica a O MIRANTE.

Recentemente participou num concurso de ópera em Bruxelas tendo conquistado o terceiro lugar. Conta que as suas referências no canto lírico são Maria Callas, Mirella Frenni, Pavarotti e Franco Corelli. As referências servem-lhe acima de tudo para se inspirar. “Não posso adivinhar o futuro mas posso fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ser como os melhores. Essa é a minha determinação”, afirma.

Sobre a exigência do seu trabalho diz que diverte-se a trabalhar. “Se fazer sacrifícios é deixar de ir a festas, embebedar-me ou ter amizades falsas, então sou muito feliz a fazer sacrifícios”, diz com convicção”.

No conservatório de Lisboa aos 14 anos

Maria Teresa foi estudar para o Conservatório de Música em Lisboa quando tinha 14 anos. Ia e vinha todos os dias para o Cartaxo. Afirma que foi muito importante para a sua formação porque passou a fazer amizades com pessoas com os mesmos gostos e interesses: “numa idade em que é normal andar nas festas fui obrigada a perceber que a minha vida dependia do equilíbrio e isso fez-me crescer mais rápido”, explica.

Se não conseguir alcançar o sonho de viver das suas performances em palco, Teresa gostava de ser professora para poder partilhar os seus conhecimentos e ajudar as pessoas a atingirem o seu potencial.

Teresa, que é a favor do casamento e da adopção entre pessoas do mesmo sexo, não tem namorado e não tem para já o desejo de ser mãe porque a vida de um cantor é muito instável e precisa de muito tempo para se dedicar à arte do ofício: “há muitas maneiras de ser feliz. Cantar é a minha vida”, conclui.

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