Entrevista | 22-01-2020 18:00

“É preciso criar uma cultura de protecção civil na sociedade”

“É preciso criar uma cultura de protecção civil na sociedade”
IDENTIDADE PROFISSIONAL

Nuno Fonseca é coordenador municipal de protecção civil de Azambuja desde Novembro de 2019. Para o desempenho deste cargo conta já com uma longa experiência de 25 anos enquanto bombeiro nos Voluntários de Alcoentre.

Ainda existe a ideia de que a protecção civil é algo abstracto, sem um papel activo e permanente na sociedade, que é preciso ser desmistificada através da aproximação à população e sensibilização que deve começar nas escolas. A visão é deixada por Nuno Fonseca, coordenador municipal de protecção civil de Azambuja. É natural de Alcoentre, tem 42 anos e ocupa o cargo desde Novembro de 2019, depois de ter sido nomeado pelo presidente do município.

Nuno Fonseca é bombeiro voluntário na corporação de Alcoentre há 25 anos, tendo ocupado o cargo de segundo comandante nos últimos cinco. “Cumpri a minha missão e dei o melhor de mim, agora espero fazer o mesmo no desempenho desta profissão. Quando trabalhamos para a protecção da população temos a obrigação e a responsabilidade de dar o nosso melhor”, afirma.

A expectativa com que aceitou o novo desafio profissional foi entendida como uma missão que lhe foi atribuída, com a qual se compromete totalmente e que não pode ser entendida como uma carreira profissional, por estar dependente de nomeação. “Estou aqui para ser um facilitador e um congregador de esforços dos agentes de protecção civil existentes, desde os bombeiros, à GNR. Tenho de tornar possível tudo aquilo que os comandantes precisarem numa operação de socorro”, refere.

Diz que ainda se está a adaptar às novas funções e considera que a experiência como bombeiro é uma mais valia para o seu desempenho, desde logo pelo facto de conhecer os agentes de protecção civil do município e de ter trabalhado com eles no terreno. Agora cabe-lhe ainda um outro papel, o do planeamento, coordenação, prevenção e resposta em situações de acidentes graves, catástrofes ou calamidades.

Alguns dos grandes objectivos que traz passam por desenvolver mais acções de sensibilização nas escolas, nomeadamente simulacros, melhorar os planos de emergência existentes e pôr em prática a central municipal de operações de socorro no município, que pretende “evitar atropelos e criar uma resposta mais rápida e eficiente” em situações de socorro.

Defensor da aproximação dos agentes de protecção civil à população, Nuno Fonseca ambiciona ainda implementar em 2020 o projecto Aldeia Segura que ensina à população “medidas de autoprotecção e acção” em caso de incêndio rural. “É preciso criar uma cultura de protecção civil na sociedade, para que todos se sintam seguros e saibam que nós, deste lado, estamos preparados para lhes dar a resposta que precisam”, sublinha.

Quando era criança brincava aos bombeiros e sonhava ser piloto

Nuno Fonseca é licenciado em Gestão de Recursos Humanos, pós-graduado em Gestão e Engenharia da Formação, tem especialização em logística e emergência e é formador na Escola Nacional de Bombeiros. Quando era criança brincava aos bombeiros e sonhava ser piloto. Em 1994 passou da brincadeira à prática ingressando nos bombeiros como voluntário. Encontrou o seu primeiro emprego no Instituto de Investigação da Floresta e do Papel, um centro de investigação privado ligado à bioeconomia, onde esteve até 1999. Passou ainda pela área dos seguros e foi mecânico de estruturas de aeronaves, na OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, S.A, em Alverca do Ribatejo, onde prestou serviço durante dois anos e meio.

Em 2002 entrou para os quadros dos Bombeiros de Alcoentre, tendo integrado a primeira equipa de intervenção permanente. Agora continua a exercer a profissão nos tempos livres como voluntário. Diz que o faz por gosto, como se de uma forma de vida se tratasse. Não contabiliza as vidas que salvou ou perdeu, mas há um episódio que não esquece: Tinha pouco tempo de serviço quando saiu da ambulância para socorrer a sua avó. Perdeu-a a caminho do hospital. “Nestas situações é duro ser-se bombeiro. Deixam marcas. É preciso construir uma personalidade para aprender a lidar com elas. E interiorizar que não é possível salvar todos”, diz.

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