Entrevista | 22-01-2020 15:00

“Os sonhos vão-se conquistando dia a dia”

“Os sonhos vão-se conquistando dia a dia”
TRÊS DIMENSÕES

Jorge Feliciano é administrador da agência de seguros Feliciano, da Póvoa de Santa Iria.

Jorge Feliciano, 48 anos, é um rosto conhecido na Póvoa de Santa Iria e um apaixonado pelas artes e pelo teatro. Profissionalmente é responsável pela agência de seguros Feliciano, que tem a loja Fidelidade em regime de exclusividade naquela cidade. Não gosta de impingir produtos que sabe que os clientes não precisam. É também presidente do Grémio Dramático Povoense e um apaixonado pela leitura de jornais. Gosta de viajar e ir ao cinema. Defende a transparência e dedicação ao cliente como as chaves principais para o sucesso. Diz que os sonhos se vão conquistando dia-a-dia.

Sou natural da Póvoa de Santa Iria e cresci com a agência de seguros que o meu pai construiu no quintal da casa. Vim para este ramo não por vocação mas para dar continuidade ao trabalho que o meu pai iniciou. Fui ganhando o gosto pela área e fomos crescendo, hoje temos mais de seis mil clientes e estamos aqui numa casa renovada mesmo junto à estação de comboios da Póvoa. Somos mediadores de seguros e temos um contrato de exclusividade com a Fidelidade. Tratamos de seguros de todos os ramos e de tudo o que está relacionado com o cliente, desde fazer o seguro, aconselhamento e o pós-venda, tratar dos sinistros, entre outras necessidades.

Ter este trabalho permite-me fazer também outras coisas de que gosto. Além do trabalho normal preciso de fazer outras coisas que também gosto e que são um escape do dia-a-dia. Nunca pensei sair do centro da Póvoa. Já somos conhecidos aqui, mesmo se tivermos a ideia de nos expandirmos nunca sairemos daqui. A parte afectiva com a zona histórica da cidade é muito forte. O centro da Póvoa é um desafio e uma oportunidade. Hoje em dia temos muitos casais jovens a vir para cá morar em casas renovadas e as coisas estão a mexer, mas nem sempre foi assim. Durante muitos anos viu-se um definhar.

Não compreendo como há gente capaz de conduzir sem seguro. Hoje é possível fazer seguros para tudo. Tudo depende da necessidade da pessoa. Nunca gostei de impingir um seguro quando a pessoa não tem necessidade dele. É essencial perceber quais são as necessidades de cada cliente e encontrar as melhores soluções.

Todos os dias compro os jornais e sou o melhor cliente do quiosque. Ninguém me tira o prazer de ler as notícias em papel. É um dos meus gostos diários. Já faço isto há várias décadas pelo prazer de ler. Recorto o que me interessa e guardo em várias caixas de arquivo. Às vezes passo os fins-de-semana entre pilhas de jornais a desfolhá-los e a ver o que me interessa guardar. É um prazer. E quando vou ao estrangeiro compro os jornais de lá também. Para mim o telemóvel é para comunicar, embora no formato digital também consuma informação.

As generalizações são terríveis. Na minha juventude não havia Internet mas havia muitos artigos sobre os vários assuntos. E hoje não há, as pessoas não procuram o artigo mais profundo, preferem os artigos ligeiros, do homem que espetou a faca no vizinho. E isso a mim não me interessa minimamente. Passo logo para o final do jornal.

Sou presidente da direcção do Grémio Dramático Povoense há cinco anos. Além do teatro gosto muito de tudo o que tenha a ver com cultura, como o cinema e a literatura. De todas as minhas ocupações o Grémio é o que me toma mais tempo. Tenho uma ligação forte com o Grémio: o meu bisavô foi um dos fundadores da associação e chegou a fazer lá teatro. Depois o meu pai também lá foi dirigente. Dá-me gozo ver que as pessoas no Grémio têm projectos e conseguem ver esses projectos concretizados.

Só conseguimos andar de peito aberto sendo totalmente transparentes e dando ao cliente o que ele precisa. Transparência e honestidade são fundamentais. Temos de dar uma assistência total, não é só vender, acho que é isso que nos distingue. O ramo segurador ainda tem um grande estigma. Talvez porque o clausulado é muito complexo.

Tenho muitos cuidados ecológicos mas não comprava já um carro eléctrico. Precisam de ter maior autonomia. Um amigo já comprou e já viajei nele, é interessante. Quando a autonomia destes carros aumentar penso nisso.

O meu maior medo é ter uma doença que me incapacite e me deixe dependente de outros. Tive essa experiência com os meus pais. Não tenho grandes sonhos para o futuro mas em termos profissionais é continuar este projecto. Já somos cinco pessoas a trabalhar aqui e isso dá-me ânimo. Às vezes os sonhos mais pequenos são os mais difíceis de concretizar. Devemos sempre ter um sonho por concretizar. Deve ser péssimo ser uma daquelas pessoas que já tem os sonhos todos concretizados.

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