Entrevista | 17-06-2020 18:00

Mariana Cegonho joga basquetebol no Sporting mas o seu grande orgulho é jogar na selecção

Mariana Cegonho joga basquetebol no Sporting mas o seu grande orgulho é jogar na selecção

Jovem natural da Chamusca fala da sua mudança para Lisboa e dos atributos que um atleta deve ter para conseguir atingir os seus objectivos.

Aos 18 anos Mariana Cegonho é atleta do Sporting CP e uma promessa do basquetebol feminino nacional.

Mariana Cegonho é uma das grandes promessas do basquetebol feminino em Portugal. A jovem de 18 anos representa actualmente o Sporting Clube de Portugal e a selecção nacional, mas toda a sua formação passou pelo Chamusca Basket, equipa de basquetebol da Chamusca, terra onde nasceu. Tinha seis anos quando pegou numa bola pela primeira vez. Entre sorrisos, diz que a primeira experiência foi desastrosa. O facto de ter jogado sempre contra atletas mais velhas e de ter começado a estabelecer objectivos desde muito cedo fizeram-na ganhar gosto pela modalidade.

A conversa com O MIRANTE decorreu numa sexta-feira à tarde, no campo de basquetebol do Jardim Municipal da Chamusca. Um espaço que fez parte do seu crescimento como atleta. Mariana Cegonho percebeu que podia ir longe no basquetebol quando foi convocada pela primeira vez para a selecção nacional, aos 15 anos. Quando recebeu a notícia ficou imóvel, sem festejar e com a boca seca. “Podiam ter visto mal o meu nome no papel”, relembra. Depois de garantir que ninguém se tinha enganado contou aos pais, José Cegonho e Manuela Tomás, que logo lhe transmitiram palavras de tranquilidade. “Se o que já sabes for suficiente, óptimo. Se não for, para o ano voltas lá outra vez”.

Não foi preciso voltar no ano seguinte. Mariana Cegonho foi logo escolhida para integrar o Centro de Alto Rendimento do Jamor (CAR), em Lisboa, onde estão os atletas mais talentosos às ordens da treinadora da selecção nacional, Mariana Kostourkova. “Foi a partir daí que o meu talento começou a materializar-se”, refere. Foi também nessa altura que teve de escolher um clube para poder jogar ao fim-de-semana. Optou pelo Sporting, entre outras razões, por ser uma sportinguista dos quatro costados.

A adaptação a uma nova realidade

A ida para Lisboa foi uma decisão pacífica. Sempre teve liberdade para tomar decisões. Foi viver para uma residência, perto da Faculdade de Motricidade Humana, com 12 colegas que procuram o mesmo que ela: chegar à liga de basquetebol. A adaptação inicial não foi fácil: “Estava dez passos atrás das outras atletas”. Mas as cerca de três horas de treino diário colocaram-na rapidamente ao mesmo nível. Hoje, com 1,70 metros de altura, joga contra atletas de dois metros, e diz que não tem medo de as enfrentar. “Tenho outras qualidades”, afirma, com convicção.

Foi no CAR que ganhou o primeiro ordenado. Recebia 20 euros todos os meses. Gastava-os em idas ao cinema ou a comer gelados com as amigas. Mas nos dias de jogos as conversas com as amigas não são o mais importante. É nas viagens de autocarro, ao som da música, que Mariana Cegonho começa a treinar a mente para vencer jogos. “A preparação antecipada para um objectivo é fundamental para conseguir alcançá-lo”, afirma. “Para mim esse é o segredo que distingue os campeões dos que ficam pelo caminho: trabalhar em silêncio é a minha fórmula para o sucesso. Os resultados depois demonstram-se no terreno”, realça.

Apesar da juventude e da raça, Mariana Cegonho já teve percalços que puseram em causa a sua carreira. Há cerca de dois anos teve o primeiro contratempo na ainda curta carreira de basquetebolista. Enquanto disputava um ressalto de bola fez uma rotura de ligamentos no joelho direito que a obrigou a ficar parada cerca de oito meses. Na altura estava à espera de ser seleccionada para o Campeonato da Europa.

Depois de recuperar realizou três jogos e voltou a lesionar-se no mesmo sítio. Dessa vez pensou que tinha terminado a carreira desportiva. No último ano tem feito recuperação e está no bom caminho. Assume que jogar a alto nível é um sonho mas “os estudos estão em primeiro lugar e o basquetebol não dura para sempre”, sublinha.

A conversa com Mariana Cegonho passou pela ligação à terra, e pelo amor à família, mas também por desabafos próprios de quem acabou de entrar na maioridade, embora o seu discurso tenha sido sempre o de uma mulher adulta, que sabe o quer e como quer. Ao longo da entrevista nunca houve manifestações de vaidade, de superioridade ou vedetismo. O registo maior do orgulho de ser uma atleta de eleição foi quando contou a história de um jogo em que cantou pela primeira vez o hino nacional. “Representar a Selecção Nacional de Portugal foi um sonho realizado. Foi em Espanha e nesse jogo cantei pela primeira vez o hino nacional. Posso dizer que é nessas alturas que nasce uma força dentro de nós, difícil de explicar. Senti que tinha o país às costas e que não podia falhar”, contou.

Questionário de Proust

Maior qualidade?

No basquetebol sou boa a defender. No geral, penso que sou uma pessoa humilde. O meu pai diz que me valorizo pouco.

Maior defeito?

Sou muito teimosa e perfeccionista. Fico frustrada quando não consigo o que quero.

O que mais gosta num amigo?

Que esteja sempre presente.

Passatempo favorito?

Adoro ir ao cinema.

País onde gostava de viver?

Em termos de basquetebol, Espanha. Se fosse pela beleza, Itália.

Quem são os seus heróis?

Os meus pais.

Filme preferido?

O Silêncio dos Inocentes.

E o livro?

Agora estou a ler o Siddartha, de Herman Hesse, mas o que mais gostei até agora foi o Equador, de Miguel Sousa Tavares.

Talento que gostava de ter?

Saber dominar a Matemática.

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