Entrevista | 22-07-2020 18:00

“Não vale a pena tentar enganar o cliente porque vai correr sempre mal”

“Não vale a pena tentar enganar o cliente porque vai correr sempre mal”
IDENTIDADE PROFISSIONAL

Mário Felícia frequentou o seminário na adolescência mas aos 16 anos saiu por ter percebido que a vida religiosa não era a sua vocação. Depois disso fez um pouco de tudo.

Mário Felícia frequentou o seminário na adolescência mas aos 16 anos saiu por ter percebido que a vida religiosa não era a sua vocação. Depois disso fez um pouco de tudo. Assim que terminou o 12º ano começou a trabalhar em várias áreas. Vendeu frigideiras e enciclopédias até que começou a trabalhar como vendedor de artigos da marca STIHL. Foi comercial até 2019 quando decidiu abrir a sua própria empresa. Em Maio deste ano concretizou esse desejo ao inaugurar a Felijardim, em Liteiros, concelho de Torres Novas.

Mário Felícia entrou no Seminário Diocesano de Leiria aos 12 anos com a convicção que queria ser padre. Menino tímido achou que o caminho poderia ser por ali e nem quando, no 7º ano, chumbou à disciplina de Religião e Moral desistiu. Mas aos 16 anos percebeu que aquele não era o seu caminho e saiu. Continuou a estudar e trabalhava nas férias na construção civil. Começou a gostar de ganhar dinheiro e assim que terminou o 12º ano dedicou-se ao trabalho. Primeiro na construção civil depois numa empresa de plásticos até que se tornou vendedor.


Começou a vender frigideiras. “Uma vez entrei num banco com quatro frigideiras. Tinha comprado um carro há pouco tempo e tinha que o pagar, por isso deixei a vergonha de lado e vendi o que apareceu na altura”, recorda a O MIRANTE. Também vendeu enciclopédias até que surgiu a oportunidade de trabalhar como vendedor da marca STIHL. Até 2019 trabalhou sempre como comercial. O ano passado decidiu ter o seu próprio negócio. Em Maio deste ano abriu a sua loja, Felijardim, em Liteiros, concelho de Torres Novas, perto do acesso à auto-estrada do norte (A1), onde é distribuidor da STIHL.


Fez obras de requalificação no espaço e não abriu mais cedo por causa da pandemia. Confessa que o negócio está a correr muito melhor do que esperava. Vende aspiradores, máquinas de lavar para indústria, lavadores de alta pressão, corta-sebes, motosseras, discos, viseiras entre outros materiais. Tem também uma oficina onde repara todo o tipo de máquinas, mesmo de outras marcas. “Sinto-me realizado. Estou a adaptar-me a trabalhar atrás de um balcão e ainda sinto falta da agitação de andar todos os dias de um lado para o outro mas gosto do que faço”, afirma a O MIRANTE.


O empresário garante que o segredo do sucesso é trabalhar com seriedade e honestidade. “Não vale a pena tentar enganar o cliente porque vai correr sempre mal. Não há nada como trabalhar honestamente e colocar o cliente em primeiro lugar. Só assim é que se conquistam e fidelizam clientes”, sublinha.


É chefe de escuteiros na zona de Leiria/Fátima por causa dos seus filhos, de 16 e 18 anos, que iniciaram o seu percurso nos escuteiros com cinco anos. Mário ia levar os filhos todos os sábados à tarde para as actividades e ficava por ali à espera que terminassem. Começaram por convidá-lo para ajudar e o bichinho para os escuteiros nasceu. Esteve dois anos a ajudar até que fez um curso de dois anos para adultos. É chefe há seis anos. “Chamam-me chefe MacGyver porque quando é preciso desenrascar alguma coisa lá estou eu. No meu carro não falta nada. Os escuteiros são uma escola de vida muito importante”, refere.


Natural de Ervedeira, concelho de Leiria, jogou futebol federado durante 14 anos. Sempre como defesa central alinhou por vários clubes de Leiria e, como vive em Ourém, os últimos anos jogou no Clube Atlético Oureense e terminou a carreira desportiva no Clube Desportivo Vilarense. É adepto do Sport Lisboa e Benfica mas nunca foi ao Estádio da Luz ver um partida de futebol. “Acho que é um crime pagar para ver pessoas que ganham milhões de euros por jogar futebol enquanto quem vai ver os jogos, muitas vezes, tem dificuldade em pagar o bilhete”, afirma.

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