Entrevista | 31-07-2020 09:20

"O meu lema de vida é não ficar refém do que sou e construí"

"O meu lema de vida é não ficar refém do que sou e construí"
ENTREVISTA

Entrevista com a ministra da Agricultura Maria do Céu Antunes.

Maria do Céu Antunes é ministra da Agricultura depois de uma passagem rápida pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional, e depois de um percurso de uma década como autarca na Câmara de Abrantes. Uma conversa pessoal e intransmissível que pode ler na edição impressa de O MIRANTE que vai para as bancas esta quinta-feira. A conversa decorreu sob o signo do equilíbrio, uma palavra usada várias vezes, e a alma peregrina, que Maria do Céu Antunes diz ter e gosta de cultivar.

Há mais um carro do Estado, com as luzes azuis a piscar, levando e trazendo uma ministra que vai dormir todos os dias a Abrantes ?

Não. Infelizmente não. Por razões várias, que não interessam para esta conversa, fixei a minha residência em Lisboa.

Trouxe o cão para Lisboa?

O Milu já morreu. Estava velhinho. Morreu em Janeiro, antes de vir para Lisboa. Era da minha filha mais nova. Veio para a nossa casa no dia em que ela fez 9 anos.

Em Abrantes levantava-se às 07h00 da manhã, aqui levanta-se a que horas?

Aqui levanto-me por volta das 06h00. Normalmente vou fazer ginástica, depois como, leio as notícias e vou trabalhar. Não tenho hora para terminar o dia. Ainda ontem saímos da Assembleia da República por volta das 21h30.

Há dias em que dá para ir à esplanada beber uma cerveja?

Como em todas as profissões há dias muito intensos e outros mais leves. É neste justo equilíbrio que se tem de aprender a gerir a nossa vida pessoal com a profissional.

Tem tempo para acompanhar o que se passa na sua região ou no seu concelho?

Claro que sim. Falo frequentemente com o meu sucessor, muitas pessoas me telefonam, vejo redes sociais e leio a comunicação social, local e regional.

Continua a fazer política local?

Quando aceitei vir para o Governo deixei de intervir localmente. Mas estou sempre ligada a quem precisa de mim ou acha que a minha opinião ainda conta. Não vou além daquilo que acho que é o meu dever. É neste equilíbrio que tento manter activa a minha vida pública.

Há mais gente a querer aproveitar-se de si agora que subiu na vida política e pública?

Não. De todo. Não sinto que me procurem ou se aproximem de mim por interesse.

Mas fez novos amigos?

Não. Ainda não fiz outros amigos. Fiz outros conhecidos.

Sente que mudou de pele? A sua vida pessoal foi prejudicada?

Sou a mesma desde que me conheço. Tento fazer aquilo que os meus pais me transmitiram com os mesmos valores de sempre. A minha vida mudou porque eu era autarca e agora tenho outro cargo.

Divorciou-se entretanto…

Estou separada há praticamente um ano e vou divorciar-me em breve. A minha vida do ponto de vista pessoal, infelizmente, deu uma volta que eu não esperava ao fim de 26 anos de casamento, mas são as coisas que a vida nos reserva; tenho duas filhas fantásticas que são a minha força, que me dão a garra e determinação para continuar a ser feliz e a fazer o meu trabalho.

Sente-se mais realizada do que nunca?

Já disse isto a O MIRANTE mais do que uma vez. Sinto-me realizada até nas pequenas coisas como ver o nascer do sol ou realizar o meu treino matinal. Como hoje, por exemplo: fiz um treino por WhatsApp com pessoas espalhadas pelo mundo. Quando se chega aos 50 anos, como é o meu caso (festejou o dia de aniversário a 10 de Julho), os meus amigos escreveram num postal que me ofereceram que agora só posso viver um dia de cada vez e todos os dias como se fossem únicos. Já antes pensava assim. Valorizo cada gesto que faço por mim e pelos outros.

*Entrevista completa na edição semanal em papel desta quinta-feira, 30 de Julho

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