Entrevista | 28-10-2020 07:00

É mais importante lavar as mãos do que passar a vida a desinfectá-las

É mais importante lavar as mãos do que passar a vida a desinfectá-las
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A população está mais consciente da necessidade de lavar as mãos mas nem toda a gente o faz com a regularidade aconselhável.

A dúvida assola a mente de muita gente nos tempos que correm: o que é melhor usar? O álcool gel para desinfectar as mãos ou aplicar directamente álcool puro? Filipe Macedo, um dos enfermeiros do Grupo de Coordenação Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infecção e Resistência dos Antimicrobianos no Hospital Vila Franca de Xira, não tem dúvidas e elege o álcool gel como sendo a melhor solução.

“Ambos têm álcool na sua composição mas os géis são melhores porque têm também produtos que hidratam as mãos e levam a menor irritação da pele e menor possibilidade de existirem lesões decorrentes do uso excessivo. O uso de álcool puro leva a que as lesões apareçam mais rapidamente”, explica.

Filipe falou com O MIRANTE a propósito do Dia Mundial da Lavagem das Mãos, que se assinalou a 15 de Outubro. Avisa que o mais importante é lavar as mãos com água e sabão e não apenas passar a vida a desinfectá-las. “O álcool gel não serve para lavar as mãos”, alerta.

O gel desinfectante é uma forma eficaz, prática e rápida de higienizar as mãos, mas não há nada como a lavagem. Só se deve usar o gel quando as mãos estão visivelmente limpas. E é mesmo desaconselhado o uso dessas soluções em algumas situações, como a utilização em espaços de restauração. “Se formos a um refeitório, por exemplo, antes e depois devemos optar por lavar sempre as mãos”, explica.

No hospital as casas de banho não têm gel desinfectante porque a primazia deve ser dada à lavagem com água e sabão.

Uso excessivo é um risco

O uso excessivo de álcool gel tem consequências. Quem desinfectar demasiado as mãos arrisca-se a desenvolver problemas de pele e lesões dermatológicas que poderão ser complicadas. “Não devemos usar de cinco em cinco minutos mas sim em situações específicas, por exemplo depois de tocarmos em superfícies frequentemente manuseadas por outras pessoas, como corrimões, maçanetas de portas ou botões de elevador”, esclarece.

Hoje mais do que nunca, devido à pandemia, as pessoas estão consciencializadas da importância de lavar bem as mãos, mas nem sempre o fazem. Ainda há quem não as lave tantas vezes quanto é aconselhável. E as mãos são uma das principais vias de transmissão de infecções entre pessoas. “Ao lavarmos as mãos estamos a cortar essas cadeias de transmissão. Os organismos ou são arrastados pela água e sabão ou são eliminados pelas soluções alcoólicas”, explica.

A higiene das mãos é um tema abordado desde sempre nas instituições de saúde. Filipe Macedo admite que diariamente lava as mãos largas dezenas de vezes. Uma prática simples e rápida que a pandemia veio tornar mais pertinente.

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