Entrevista | 01-04-2021 18:00

“Os escalabitanos têm de se dar mais à cidade”

“Os escalabitanos têm de se dar mais à cidade”
TRÊS DIMENSÕES
Rita Sousa

Rita Sousa vive em Santarém há mais de trinta anos. Passou pelas artes gráficas mas foi no ramo imobiliário que encontrou a estabilidade profissional.

Caminho com os pés bem assentes na terra. Não sou de fazer planos a longo prazo para evitar frustrações e poder saboreá-la com mais calma. A morte da minha mãe, aos 51 anos, também me ensinou isso: o que conta é o agora e a forma como o aproveitamos.

Estava grávida do meu filho, a três meses de dar à luz, quando perdi a minha mãe. Lutou durante seis anos contra um cancro e a minha dor foi sentida durante esse tempo em que a vi sofrer sem poder ajudar. Partiu em paz, entre nós não ficou nada por dizer.

Sinto que me vou conhecendo melhor sempre que uma nova dificuldade me mete à prova. Sou genuína e directa. Digo tudo na cara e o que não digo a minha expressão diz por mim.

Nasci em Torres Novas há 39 anos e comecei a minha vida em Ourém. Cresci num ambiente rural, habituada a sujar as mãos na terra. Quando aos sete anos me mudei para Santarém, a zona onde morava estava em construção e as obras foram o sítio de brincadeiras.  

Sou adepta do comércio local, compro cada vez menos em grandes superfícies. Gosto da proximidade e do atendimento. Além disso gosto de sentir que contribuo para a movimentação na cidade.

Os escalabitanos têm de apostar no consumo do que é nosso e viver o que de melhor se faz por cá. Insiste-se em procurar fora e criticar o que temos na nossa terra. Os escalabitanos têm de se dar mais à cidade.

Não saio de casa sem tomar o pequeno-almoço mas gosto de beber o café na rua. Bebo no mínimo quatro por dia, mas tenho a sorte de ter o sono fácil. Gosto de viajar mas não gosto de fazer malas. Decidir o que lá vou meter é um pesadelo.

Vivo muito comigo, sou da minha casa e gosto de estar só no meu espaço. É do meu feitio, sinto-me bem assim. Há pessoas que estão rodeadas de gente mas vivem sozinhas. Tira-me do sério viver num mundo em que a mentira se tornou uma banalidade. Mente-se por tudo e por nada. Para alguns é uma necessidade. Por isso, admiro cada vez mais a honestidade.

Fui atleta de ginástica de trampolins no Gimno Clube de Santarém mas o voo não durou muito. Só lá estive dois anos. Dou sangue desde os 18 anos e não compreendo as pessoas que podem e não o fazem.

Estudei Tecnologia e Artes Gráficas, no Instituto Politécnico de Tomar, e foi nessa área que iniciei a minha vida profissional. Depois de ter sido mãe, em 2010, é que a mediação imobiliária entrou na minha vida. Primeiro estive na coordenação, em 2014 passei para integradora e agora estou na direcção comercial, responsável pela agência da Casas do Gótico, em Santarém. Encontrei nesta empresa a estabilidade que procurava.

Só equipas bem formadas são capazes de prestar um bom serviço ao cliente. A troca de experiência, a partilha de informação são outros pilares em que acredito e promovo nesta empresa. Sozinhos não vamos a lado nenhum.

Com a pandemia houve um despertar para a procura de vivendas, um tipo de habitação mais fácil de encontrar nas periferias. Mas depois há a questão da localização e acessibilidades que continua a ser o mais valorizado. Felizmente o mercado imobiliário em Santarém não tem sofrido grandes oscilações de preço. Não vemos a inflação que acontece, por exemplo, em Lisboa.

A Casas do Gótico emprega 40 pessoas e tem duas agências, em Santarém e Torres Novas. Queremos crescer mais em equipa para ter maior cobertura do mercado. A Ribeira de Santarém tem potencial para ser um novo pólo de atracção para a cidade, com o caminho-de-ferro à porta. É preciso olhar para o seu potencial de uma outra forma.  

É humanamente impossível separar a vida pessoal do trabalho e vice-versa. Sou um todo, não consigo fazer esse discernimento. Quando acho que tenho razão não desisto facilmente de tentar fazer valer o meu ponto de vista. Dizem que sou teimosa, eu digo que não dou o braço a torcer quando estou certa do que digo.

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