Entrevista | 21-04-2021 07:00

Médica dentista da Clinicalm em Almeirim  dá consultas de ginecologia em Londres

Médica dentista da Clinicalm em Almeirim  dá consultas de ginecologia em Londres
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Na clínica Clinicalm, em Almeirim, Maria Pinto Correia dá consultas de ortodontia.

Maria Pinto Correia abriu a clínica em 2008.


Maria Pinto Correia ainda pensou ser bióloga marinha ou publicitária, mas optou pela medicina dentária. Para se especializar em cirurgia maxilo-facial era necessário tirar o curso de Medicina e foi o que fez, estando a especializar-se em Ginecologia e Obstetrícia. Em 2008 abriu a sua própria clínica de medicina dentária, a Clinicalm, em Almeirim. Antes da pandemia conciliava a clínica com as consultas de ginecologia e obstetrícia num hospital em Londres, onde vai voltar quando a pandemia o permitir.

Maria Pinto Correia sonhava ser bióloga marinha e trabalhar com golfinhos mas depressa percebeu que esta era uma área com pouca saída profissional no nosso país. No 9º ano de escolaridade ainda teve dúvidas se deveria seguir Publicidade, que gostava muito, mas na altura teve receio que a área não tivesse muita saída e por isso escolheu Ciências. Os seus pais, ambos médicos, alertaram-na para a dureza do curso de medicina. Optou por medicina dentária e licenciou-se no Instituto Universitário Egas Moniz, em Lisboa. Adorou os três primeiros anos do curso mas à medida que foi avançando sentiu que medicina dentária era algo muito limitado para o que se imaginava a fazer no seu futuro profissional.

Concluiu o curso e começou a trabalhar na área de cirurgia maxilo-facial numa clínica em Lisboa, que gostou muito. Para trabalhar em cirurgia maxilo-facial era necessário tirar o curso de Medicina. Maria Pinto Correia não pensou duas vezes. Inscreveu-se para tirar a especialidade mas a vida levou-a para outra área e acabou a tirar a especialidade de Ginecologia e Obstetrícia. Em Medicina Dentária especializou-se em Ortodontia e é só isso que faz no seu consultório.

Começou a trabalhar em 2002 na Policlinica, na mesma cidade. Em 2008 decidiu ter a sua própria clínica e nesse ano abriu a Clinicalm, em Almeirim. Ao mesmo tempo trabalhava na área de Ginecologia e Obstetrícia num hospital em Londres (Inglaterra). Chegou a viver com o marido e os quatro filhos em Londres. Decidiram regressar a Portugal há cerca de três anos, na altura do nascimento do filho mais novo, mas deslocava-se a Londres todas as semanas, juntamente com o marido, que é anestesista e trabalha no mesmo local. Em Londres Maria Pinto Correia e o marido podem escolher o dia da semana e horas que trabalham. Por isso dá para conciliar com o trabalho em Portugal.


Com a pandemia as consultas em Londres estão suspensas e a médica dá consultas de Ginecologia e Obstetrícia uma vez por mês no nosso país. O resto do tempo é passado na Clinicalm. A médica explica que cada vez há menos pacientes com medo da cadeira do dentista. “A relação entre médico e paciente mudou muito nas últimas décadas. Há cerca de 30 anos a formação dos médicos dentistas era de pouca conversa com os utentes e existia menos tratamento conservativo e muito mais extracção de dentes para não dar problema. Hoje não é assim e a comunicação é muito importante porque a boca é um local sensível, daí a comunicação ser tão importante”, refere Maria Pinto Correia.


Antes da pandemia a Clinicalm fazia acções de sensibilização às crianças para não haver medo na hora de tratar dos dentes. Os meninos entram a pares e enquanto um faz de médico outro faz de paciente. Colocam luvas, máscaras e aprendem como é feita uma consulta. Nos gabinetes não faltam bonecos e a médica e assistentes falam com as crianças para que percebam tudo. Estas acções de sensibilização estão suspensas devido à pandemia mas está previsto regressar quando for possível.


Maria Pinto Correia recorda, no início da sua carreira profissional, quando ainda fazia medicina dentária geral, o caso de uma paciente que estava recostada na cadeira para que a médica a observasse quando esta caiu para o chão. “A senhora fingiu que desmaiou porque não queria mesmo nada ser tratada e os filhos é que a convenceram. Ela só dizia que não aguentava. Não me assustei porque percebi que estava a fingir mas ainda consegui fazer-lhe algum tipo de tratamento”, lembra.


Segundo a médica, as pessoas vão cada vez com maior regularidade ao dentista mas, em 2011, a Clinicalm criou um livro do doente de medicina dentária em tempo de crise, com informação para sensibilizar para a importância de tratar atempadamente dos problemas de saúde oral. “Quanto mais tempo deixarem arrastar uma situação mais complicado é para resolver o problema”, sublinha.

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