Entrevista | 03-05-2021 07:00

Há muitos mecânicos a pendurar peças nos carros mas poucos a resolver problemas

Há muitos mecânicos a pendurar peças nos carros mas poucos a resolver problemas
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Carlos Amaral é o proprietário da oficina Amaral Automotive no Entroncamento

Carlos Amaral tem 58 anos e é proprietário da oficina Amaral Automotive, no Entroncamento. Começou como electricista automóvel aos 15 anos e já sonhava ter uma oficina por conta própria, objectivo que alcançou aos 22. Diz-se um apaixonado pela sua profissão que exige de si o máximo rigor e profissionalismo.

Há um vírus que ataca a área automóvel a quem vulgarmente se dá o nome de “mecânicos biscateiros” que cobram de forma pouco honesta por “pendurar peças nos automóveis” que não resolvem, apenas mascaram ou retardam o problema. O alerta é deixado por Carlos Amaral que escolheu levar a vida a reparar avarias nos automóveis quando, aos 15 anos, entrou numa oficina após concluir os cursos de electrotecnia e electricidade automóvel.

Natural de Lisboa e a viver em Torres Novas desde os 12 anos, Carlos Amaral diz que na profissão que exerce o mais importante é a honestidade, aliada ao conhecimento e qualidade dos equipamentos com os quais trabalha. “É o que distingue esta oficina das restantes. Não se presta um bom serviço se não transmitirmos confiança ao cliente e realizarmos o nosso trabalho de forma honesta”, diz, acrescentando que “nunca se avança para uma reparação sem informar o cliente quanto vai pagar”.

Carlos Amaral diz-se um “eterno apaixonado pela profissão” e não gosta de ver ninguém “enrascado” por isso o seu telefone funciona como uma espécie de número de emergência automóvel para o qual se liga quando há uma avaria. “Uma vez ligou-me um desconhecido a um domingo a dizer que o seu carro tinha ficado sem bateria na A23. Não tinha dinheiro para me pagar, mas não hesitei e fui resolver-lhe o problema”, conta.

A atitude não é de agora, pelo contrário, acompanha-o desde os tempos em que ainda era um aprendiz. Como daquela vez que reparou uma avaria eléctrica nos faróis do automóvel do dono de uma fábrica de conservas, que o abordou na rua e a quem não cobrou nada. “Durante doze anos sempre que passava à minha porta deixava-me latas de conserva”.

“Quando acreditamos no nosso trabalho nunca pensamos em desistir”

Desde os 22 anos a trabalhar por conta própria Carlos Amaral transformou um telheiro na sua oficina, onde tinha um “latão com brasas para aquecer as mãos” nos dias mais frios. “Começar não foi fácil, mas quando acreditamos no nosso trabalho nunca pensamos em desistir”, diz, explicando que o negócio ainda passou pela garagem de sua casa até se mudar, há nove anos, para um grande armazém na Zona Industrial do Entroncamento.

Casado e com dois filhos, Carlos Amaral é o primeiro a entrar na oficina às 08h00 e geralmente o último a sair. É exigente com o seu trabalho e o daqueles com quem trabalha porque “não se pode ser de outra forma num mundo tão competitivo” - trabalha com a Euro Repar que lhe garante a qualidade dos equipamentos, produtos e peças que são entregues duas vezes ao dia.

Não há trabalho que o assuste e tão pouco se importa se vai ter que sujar as mãos. “Esse é o problema dos jovens de hoje, que pensam que se repara um automóvel através do computador e que é desprestigiante ficar com as mãos sujas de óleo”, crítica, sublinhando que sempre foi “muito receptivo a ensinar a rapaziada” da Escola Profissional Gustave Eiffel, no Entroncamento, com a qual mantém uma parceria.

Já em criança Carlos Amaral gostava de meter as mãos na massa, literalmente. Montava e desmontava os pequenos carros com que brincava e um dia tentou fazer uma televisão de raiz. Tinha seis anos e a experiência não correu bem. “Quase morri electrocutado mas isso não me demoveu de exercer a profissão que sempre quis”, conta.

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