Entrevista | 26-08-2022 21:00

Sónia Sanfona encontrou a Câmara de Alpiarça no descalabro

Sónia Sanfona foi eleita presidente da Câmara de Alpiarça em Setembro do ano passado após vários anos como vereadora da oposição

Nova presidente diz em entrevista a O MIRANTE que nunca pensou que a autarquia estivesse numa desorganização tão grande

Sónia Sanfona, socialista, que preza a lealdade e diz não ser falsa, conseguiu nas últimas eleições eleger-se presidente da Câmara de Alpiarça, após décadas a penar com derrotas eleitorais. 

O facto de ter passado pela administração do Hospital de Santarém ajudou na eleição, pelo menos pela mudança da imagem que tinha no concelho, em que admite, as pessoas achariam que era fria, distante, pouco emocional. Aquele cargo mostrou a sua maturidade política. 

Esta entrevista decorre no gabinete da presidência onde as janelas para a rua se estão a desfazer e a tinta das paredes está a cair, o que é só um sinal da desorganização que herdou da gestão comunista. Tinha a ideia de que havia coisas que não estavam bem, mas ficou surpreendida quando, garante, ainda não conseguiu ver uma coisa que estivesse exactamente bem feita. C

om um parque de máquinas miserável, viaturas de recolha do lixo a avariarem porque estão a cair de podres, projectos de obras com defeitos, como o da escola secundária que não previa uma intervenção no refeitório que tem somado multas da ASAE por não ter as mínimas condições, trabalho não falta à nova presidente, que vai encontrando várias vicissitudes. Como a de ter de pagar meio milhão de euros à Fundação José Relvas das receitas dos legados, que não eram transferidas há anos, e que levou a autarquia a ser condenada em tribunal. 

Já conseguiu mudar algumas coisas, a começar pelo horário de trabalho dos trabalhadores que era único nos municípios do país e que prejudicava os interesses da câmara.

Fica aqui um excerto da entrevista que pode ler na íntegra na edição semanal em papel 

Desde que entrou em funções o que é que já mudou no funcionamento da câmara? 

Quando nos primeiros dias tomei consciência do que era a câmara, tive uma surpresa, bastante desagradável. Tinha a noção que as coisas não tinham corrido bem, não estavam a correr bem, não estavam bem organizadas, mas não tinha a noção que a desorganização era tão grande.  

Desorganização em que aspecto? 

Não encontrei nada que estivesse exactamente bem feito. Desde o horário dos trabalhadores, que era único nas câmaras do país, em que os funcionários trabalhavam em jornada contínua. A jornada continua implica menos uma hora de trabalho por dia e um período continuo de trabalho ao longo do dia. O primeiro impacto quando iniciei funções foi chegar às 15h00 ou 15h30, precisar de alguém para resolver assuntos e tratar de coisas e não ter ninguém disponível. Isto é inconcebível. Reuni com o sindicato para mudar o horário e foram os delegados sindicais que me confirmaram que Alpiarça era o único município que tinha todos os funcionários em jornada contínua.  

Essa foi a situação que mais a chocou? 

Antes fosse, que essa foi simples de mudar. Nós tínhamos aqui muitas situações complicadas. Obras que estavam a chegar ao fim com trabalhos a mais sem financiamento prévio, obras que não estavam minimamente em condições. O centro de recolha de animais tinha um gatil que não estava coberto por cima, então os gatos fugiam, não estava previsto uma zona de escoamento das águas nem equipamento mobiliário, tal como não estava para as escolas. A obra da escola EB1 estava terminada sem equipamentos na candidatura e o mesmo acontece com a secundária, não tinha equipamentos, não tinha intervenção no refeitório. 

Isso acontecia porquê? 

Acho que era preciso fazer as obras, mas não era preciso fazê-las em condições porque a espectativa era que iam continuar a gerir a câmara.  

Foi uma acomodação, na sua perspectiva? 

Foi um descontrolo, foi uma acomodação, foi uma falta de rigor no acompanhamento das coisas. Na obra na escola secundária tivemos de canalizar para o projecto mais 800 mil euros, que fomos buscar a outro projecto que achámos que não devia avançar, que não tinha mérito, que era o do Eco Parque dos Patudos, onde iam fazer pesqueiros na barragem, uma praia artificial e mais um bar. Foi o que nos permitiu dotar a escola de climatização, que não constava do projecto. A requalificação do refeitório que conseguimos agora incluir, era fundamental porque é o único refeitório que consegue produzir refeições para todo o agrupamento e estávamos a ser multados pela ASAE por falta de condições. 

*Leia a entrevista completa na edição semanal em papel desta quinta-feira, 25 de Agosto

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