Entrevista | 16-09-2022 12:00

Tarifas de resíduos podem ser desagregadas da factura da água e serem pagas directamente a quem os trata

Joel Marques é director-geral da RSTJ desde final de 2021 depois de ter sido presidente da Junta da Carregueira (concelho da Chamusca) durante 11 anos

Joel Marques é o director-geral da RSTJ que gere o sistema de tratamento de lixos do Médio Tejo situado no Ecoparque do Relvão, na Carregueira, Chamusca.

Ser director-geral da RSTJ é, para Joel Marques, um projecto de vida. Assumiu o cargo da empresa intermunicipal de gestão de resíduos, situada no Ecoparque do Relvão, no final de 2021, depois de 11 anos como presidente da Junta da Carregueira. Aprendeu o modo de funcionamento da empresa em oito meses, com a ajuda do seu antecessor, Diamantino Duarte. Gerir 290 funcionários é a sua grande responsabilidade, que conjuga com o desafio de fazer da RSTJ uma referência nacional no serviço publico às populações. Tem sempre a porta do gabinete aberta e gosta de ser tratado por “Joel”. A melhor parte do dia de trabalho, diz, é quando está com os funcionários “no chão de fábrica”. Nesta entrevista a O MIRANTE ficamos a conhecer o perfil de um homem que se diz tolerante e cauteloso, mas suficientemente inconformado e ambicioso para querer ganhar em todas as frentes. Uma conversa sobre o estado da empresa, os tempos de autarca, a relação com a população, as mágoas que guarda e o que é preciso fazer para garantir que as populações vivam num meio ambiente saudável e sustentável.    

Aqui fica um excerto da entrevista que pode ler na íntegra na edição semanal desta quinta-feira, 15 de Setembro:

Como é que a RSTJ consegue gerar lucro?

A RSTJ não tem de gerar lucro. O nosso objectivo é desempenhar as competências que nos são delegadas pelos municípios. Como é que consegue a sua sustentabilidade? Com um bom Estudo de Viabilidade Económica e Financeira (EVEF) e com uma trajectória tarifária sustentável.  

Por exemplo, as tarifas dos resíduos passarem a ser pagas directamente à empresa e não aos municípios? 

Isso poderá vir a acontecer no futuro, está definido nas novas directrizes nacionais. A tarifa dos resíduos será desagregada da tarifa da água, assim como um conjunto de alterações nos sistemas de gestão. Terá que haver uma recolha e tratamento dedicado aos bio resíduos. Mas o mais importante para a sustentabilidade da empresa é um bom estudo de viabilidade e termos uma tarifa que consiga cobrir os custos para investimentos e custos correntes.

A cessação de contrato com a Ecoleziria é o principal factor para o resultado negativo de dois milhões de euros da RSTJ? 

A tarifa que aplicamos está suportada entre outras, na receita prevista pelo contrato com a Ecoleziria e no tratamento de resíduos com proveniência de grandes produtores. Com o final da execução do contrato e com a entrada em vigor do novo Regime Geral de Gestão de Resíduos, que nos retirou a possibilidade de manter esta receita, prevemos finalizar o ano com um desequilíbrio orçamental. Estamos desde o início do ano a tomar um conjunto de medidas que minimizem o impacto desta não realização de receita, mas ainda assim será inevitável fechar o ano com contas equilibradas.  

Estão a estabelecer contratos com novas empresas? 

Sim, neste momento estabelecemos um contrato de partilha de infra-estruturas com a Tratolixo, uma empresa do concelho de Cascais,para o tratamento de 82 mil toneladas, com a duração de 18 a 24 meses, no valor de três milhões de euros. Não vai ter impacto para já, mas vai ter certamente nos próximos dois anos.  

Tendo em conta que a RSTJ deixou de ser a associação Resitejo, não acha que devia existir mais meios para cobrar aos devedores, nomeadamente aos municípios? 

Não sei plenamente como era essa situação, mas nos últimos 10 meses, desde que assumi este cargo, nenhum município falhou com o pagamento.  

Na vertente ambiental como é monitorizada uma empresa como a RSTJ? Ao abrigo das licenças ambientais e de exploração há um vasto conjunto de reportes que a RSTJ presta com regularidade quer à Agência Portuguesa do Ambiente, à CCDR, IGAMAOT ou à entidade reguladora ERSAR. São disso exemplos análises de descargas de efluentes em meio hídrico, quantitativos de resíduos tratados ou com entrada em aterro, indicadores de consumos de combustíveis, rede de Ecopontos entre tantos outros. Para além destas entidades reportamos igualmente vários elementos à Comissão de Acompanhamento do Ecoparque e ao Município da Chamusca. 

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias

    Edição Semanal

    Edição nº 1588
    01-09-2021
    Capa Médio Tejo
    Edição nº 1588
    01-09-2021
    Capa Vale Tejo