Entrevista | 29-09-2022 12:00

Faltou pensar Santarém e cidade está parada há anos

Coronel Correia Bernardo, agora aposentado, ajudou a planear o golpe militar de 25 de Abril de 1974

Joaquim Correia Bernardo ajudou a planear o golpe militar em 25 de Abril de 1974 que levou à queda do antigo regime.

Joaquim Correia Bernardo serviu na guerra colonial, onde sofreu ferimentos graves, foi amigo e camarada de armas de Salgueiro Maia na Escola Prática de Cavalaria de Santarém e continua a intervir na comunidade. Diz que o espírito da Revolução dos Cravos deve ser lembrado todos os dias, sobretudo aos jovens que não sabem o que é viver em ditadura. Actualmente, o coronel aposentado integra a comissão para instalação do Museu de Abril e dos Valores Universais em Santarém. Uma conversa a propósito do Dia Internacional da Democracia, que se celebrou este mês.  Serviu na guerra colonial, onde sofreu ferimentos graves, foi amigo e camarada de armas de Salgueiro Maia na Escola Prática de Cavalaria de Santarém e continua a intervir na comunidade. Diz que o espírito da Revolução dos Cravos deve ser lembrado todos os dias, sobretudo aos jovens que não sabem o que é viver em ditadura. Actualmente, o coronel aposentado integra a comissão para instalação do Museu de Abril e dos Valores Universais em Santarém. Uma conversa a propósito do Dia Internacional da Democracia, que se celebrou este mês.  

 Aqui fica um excerto da entrevista que pode ler na edição semanal em papel desta quinta-feira, 29 de Setembro:

Como surgiu a ideia do Museu de Abril e Valores Universais (MAVU) em Santarém?  

A ideia deste museu já surgiu há muito tempo, ainda quando o Salgueiro Maia era vivo. Quando cá em Santarém se assinalaram os 25 anos do 25 de Abril, nós, da comissão executiva, fizemos uma pequena exposição, mas queríamos mais, queríamos avançar com um museu. Nessa altura, a câmara também se mostrou interessada, mas disse-nos que não havia um espaço digno para o museu, resposta que já é habitual em diversos assuntos.  

Entretanto as coisas evoluíram. 

Em 2015, voltámos a tocar no assunto com o presidente da câmara e houve condições para avançar e até Dezembro de 2018 reunimos com várias pessoas para construir o projecto do MAVU. Havia a ambição de, aquando dos 50 anos do 25 de Abril, as celebrações oficiais serem em Santarém e dar-se também a abertura do museu. Claramente que isso já não vai acontecer, será uma sorte se em 2024 for colocada a primeira pedra.   

Do seu ponto de vista, o que ainda falta fazer em Santarém a nível cultural?   

Santarém está parada há uns anos. Faltou pensar em Santarém, a nossa cidade é falsamente uma cidade agrícola. Há vida nas zonas periféricas, mas na cidade em si, não. Falta resolver problemas na cidade associadas à falta de vida no centro histórico, a nível dos jardins, mas não só. Santarém é a capital do gótico e só recentemente é que os monumentos e igrejas ficaram abertos sem necessidade de se fazer uma marcação prévia. É importante que os próprios escalabitanos questionem e dêem a sua opinião sobre aquilo que gostariam de ter ou não ter na sua cidade.   

O que faz actualmente? 

Depois de me reformar de oficial, o meu dia a dia passou a ser muito mais parado. Fui fazer voluntariado para a Santa Casa da Misericórdia de Santarém, durante 15 anos, enquanto membro da mesa administrativa, ocupando-me das áreas da juventude e do património cultural e também ajudei no Lar dos Rapazes, onde fiz algumas amizades. Depois de 2010, ano em que saí da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, comecei a dedicar mais tempo aos meus quatro netos, Diogo, Inês, Rita e Alice, contando-lhes várias histórias, não só de livros, mas da minha vida. 

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