Entrevista | 06-10-2022 10:00

É complicado reduzir extensões de saúde tendo em conta a dispersão e os transportes 

Hugo Sousa é o novo director do Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria

Novo director do Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria, Hugo Sousa, considera que um dos grandes desafios é atrair médicos e isso passa pela criação de unidades de saúde familiar de nova geração,

Hugo Miguel Garcia de Sousa, enfermeiro, 42 anos, é o director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria desde Junho, substituindo Carlos Ferreira, que foi seu professor. Gere a prestação de cuidados de saúde numa área geográfica de cerca de 3500 quilómetros quadrados com 28 unidades funcionais e 52 polos de atendimento, nos concelhos de Alpiarça, Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém. Quase cinco por cento dos utentes não são frequentadores. O novo director já fazia parte do agrupamento como enfermeiro director e membro do conselho clínico.

Na entrevista que pode ler na integra na edição semanal em papel desta quinta-feira, 6 de Outubro, reconhece que há muitas extensões de saúde que provocam uma grande dispersão de meios, mas diz que não é possível fechar mais unidades porque não há transportes e as pessoas precisam de assistência. Os problemas das unidades de saúde não se prendem apenas com a falta de médicos, até porque é na área dos assistentes administrativos que se sente maior carência de profissionais.  

Muitas extensões de saúde foram promessas políticas de autarcas. Com tanta extensão há uma maior dispersão de meios. Como é que se consegue prestar assistência às populações nestas condições? 

Isso implica um grande esforço por parte dos profissionais para tentarmos encontrar soluções, às vezes complexas. A nossa missão é prestar cuidados de proximidade.  

Pretende fazer uma reformulação dessa rede de cuidados? 

Algumas extensões foram sendo encerradas ao longo dos tempos. Nesta fase já se torna complicado reduzir mais, tendo em conta a dispersão, a rede de transportes públicos e uma população envelhecida com dificuldades de transporte.  

Os problemas dos centros de saúde devem só à falta de médicos? 

Temos uma carência de médicos especialistas de medicina geral e familiar, mas temos também falta de outros profissionais, como assistentes técnicos, ou seja, administrativos, secretários clínicos, que rondam os 64 por cento do que está definido no quadro de pessoal. Em termos de enfermagem o número de profissionais ronda os 95%. 

E em termos de médicos de quantos mais profissionais precisaria para a situação estabilizar? 

Actualmente temos 17,5% dos utentes sem médico de família atribuído. A situação tem vindo a agravar-se e estamos a desenvolver algumas estratégias para darmos assistência médica a todos os utentes do agrupamento, que são 202 mil. Temos outros licenciados em medicina, que não têm a especialidade, e que vão dando apoio mas que não podem ter doentes atribuídos. Fizemos um reforço em algumas unidades mais necessitadas com médicos aposentados, que fazem 20 horas e uma médica que faz 10 horas semanais. Colocámos quatro médicos desses em Salvaterra de Magos, o concelho mais necessitado, um em Almeirim e dois na Chamusca.  

*Leia a entrevista completa na edição semanal em papel desta quinta-feira, 6 de Outubro

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