Entrevista | 15-11-2022 12:00

Lourenço Miguel: estuda Medicina, sofre de doença rara e é a “pessoa mais feliz do mundo”

Lourenço Miguel: estuda Medicina, sofre de doença rara e é a “pessoa mais feliz do mundo”
Lourenço Miguel sofre de doença rara e publicou livro "A Vida Entre Linhas" para partilhar a sua história

Por muitas partidas que o destino nos pregue há sempre forma de ser feliz.

É com base neste princípio que Lourenço Miguel, natural de Tomar, encara a vida. Nem a doença degenerativa, de origem desconhecida, deita por terra os sonhos do jovem estudante de Medicina que lançou agora um livro intitulado “Vida Entre Linhas”.

É com base neste princípio que Lourenço Miguel, natural de Tomar, encara a vida. Nem a doença degenerativa, de origem desconhecida, deita por terra os sonhos do jovem estudante de Medicina que lançou agora um livro intitulado “Vida Entre Linhas”.

Aos 21 anos Lourenço Madureira Miguel já tem história de vida para um livro, que intitulou de “Vida Entre Linhas”. O estudante de Medicina, natural de Tomar, foi sempre aluno do quadro de honra e ingressou na universidade com média de 19,3. Foi nessa altura que lhe foi diagnosticada uma doença rara, que ainda hoje continua a ser de origem desconhecida. A partida que o destino lhe pregou está reflectida num livro de 118 páginas que o próprio define com alguma ironia e boa-disposição: “Podia parecer mais um livro inspirador de auto-ajuda barata ou uma história de vida de levar às lágrimas, mas não. É (só) a vida de alguém feliz, com uma maratona de obstáculos e muitos risos inconvenientes à mistura”.
A postura de Lourenço Miguel perante a vida está bem definida; a doença não o define e enquanto puder fazer as coisas que o fazem feliz, mesmo com dificuldades, vai continuar a fazê-las. As dificuldades não são poucas e afectam-lhe, sobretudo, a mobilidade e o descanso. “Passo noites sem dormir por causa das dores”, desabafa. Toma 23 comprimidos por dia e diz que não sente a falta do sono “porque a dor ultrapassa todas as necessidades”. Começou a sentir dores em Junho de 2019, mas relativizou. As pernas começaram a não responder e, em Fevereiro de 2020, muito perto do primeiro confinamento, decidiu enfrentar os médicos. Esperou quase um ano para obter algumas respostas sobre a sua doença degenerativa.
A sua maturidade continua a ser a base para a dor e a cruz que carrega serem o alimento da felicidade que diz sentir. Aprendeu a viver no caos da incerteza da sua condição de saúde e por isso também teve de aprender a baixar as expectativas uma vez que a sua doença não tem termos de comparação.
A universidade e o estágio, que realiza actualmente no Instituto Português de Oncologia (IPO), continuam a ser os escapes que mantêm a sua mente sã. Trineto de médicos, Lourenço Miguel sentiu sempre vocação para seguir a profissão, embora a sua primeira paixão tenha sido o teatro porque sempre gostou de ter uma influência positiva na vida das pessoas. Também por isso decidiu escrever “Vida Entre Linhas”.

Aprender a dar valor à vida
No dia em que apresentou o livro na Escola Secundária Santa Maria do Olival, em Tomar, onde fez grande parte do seu percurso escolar, estiveram presentes familiares, amigos, antigos professores e colegas de escola. Lourenço estava bem-disposto e por isso não hesitou em partilhar com um sorriso franco: “Sou a pessoa mais feliz do mundo, não o digo só para parecer bem, é porque já o era anteriormente”.
Foi em Abril deste ano que decidiu pegar nas cerca de três centenas de notas que guardou no telemóvel e avançar com o processo de escrita. “Queria mesmo acabar isto. Por um lado, as coisas não estão melhores, cada vez preciso mais da cadeira de rodas, por outro fui vendo nas visitas que fiz a escolas e a grupos de jovens que poderia ajudar alguém”, revela.

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