Entrevista | 06-12-2022 12:00

“São os empresários que fazem mexer a região e o país”

“São os empresários que fazem mexer a região e o país”
Jorge Freitas é sócio-gerente da Dexcarte - Comércio de Ferro Forjado e Construções, no Carregado

Jorge Freitas, 51 anos, sócio-gerente da Dexcarte - Comércio de Ferro Forjado e Construções, Carregado

Natural de Alverca, Jorge Freitas é um homem que começou a trabalhar aos 14 anos numa serralharia em A-dos-Potes e hoje não se vê noutra profissão. Diz que um dos grandes problemas é encontrar mão-de-obra qualificada. Gere a empresa com a mulher, Gertrudes Freitas, e confessa-se um perfeccionista que não suporta ver trabalho mal feito.

Tive uma infância normal ainda que tenha começado a trabalhar muito novo. Com dois irmãos, vivíamos na altura com algumas dificuldades, era só o meu pai a trabalhar e os ordenados eram baixos. O meu primeiro emprego foi na extinta Socobre, em A-dos-Potes, depois passei pela Fabrigimno e acabei por montar a minha própria empresa. Sempre fiz pela vida e nunca estive à espera que o dinheiro caísse do céu. Durmo com a empresa e não tenho outro remédio.
Tudo o que sei aprendi sozinho, com os anos de experiência e com alguns colegas de trabalho. Esta é uma profissão em que a sensibilidade vem da experiência. Cada vez está mais difícil encontrar pessoal qualificado. Não há serralheiros neste país e já ninguém quer esta profissão. Os bons emigraram, os outros começaram a trabalhar por conta própria e o pessoal novo que aí anda ninguém quer este ramo. A mão-de-obra que vem de fora, tirando uma ou outra excepção, é muito fraca. Na Dexcarte tenho a sorte de ter uma equipa bastante competente e fazemos peças em ferro forjado, portões, gradeamentos, estruturas metálicas, trabalhamos aço inox e, felizmente, até agora trabalho não nos tem faltado.
Quando andamos a montar equipamento vemos coisas do arco da velha. Isto está cada vez pior. Preciso de contratar gente mas não aparece ninguém. Às vezes tenho de pedir ajuda a um irmão que já está reformado para me vir ajudar. Não há quem perceba deste trabalho e temos de estar sempre em cima a acompanhar os mais novos. Sou eu e um empregado que conseguimos fazer os trabalhos artísticos. Não há mais ninguém. Somos pequenos artesãos do ferro forjado. É trabalho de precisão e de minúcia e temos de ir ao encontro do gosto dos clientes.
Tira-me do sério a falta de profissionalismo e o facilitismo. Sou um perfeccionista. Não me considero viciado em trabalho, mas não consigo desligar-me totalmente da empresa. Tenho tido uma semana de férias por ano e a semana do Natal. São os empresários que fazem mexer a região e o país mas não sentimos qualquer reconhecimento. Não nos ajudam em nada. Baixar os impostos era uma grande ajuda.
A competência e a lealdade são valores fundamentais. A minha mulher tem sido uma grande ajuda e uma excelente parceira na empresa. É desafiante trabalhar com a esposa mas desenvolvemos estratégias para lidar com isso. Por exemplo, dentro da firma não falamos de problemas de casa. Aqui dentro somos colegas de trabalho.
Sou benfiquista e gosto de ir acompanhar os jogos. É um dos meus prazeres secretos. Mas também gosto de viajar e tenho alguns destinos de sonho que gostava de conhecer como a Tailândia. É diferente de tudo. Já conheço algumas zonas de África mas a Ásia ainda não. Também gostava muito de pescar, mas era apenas aos domingos e acabava por ser muito cansativo. Foram muitos anos a pescar em albufeiras e cheguei a ser atleta federado. É uma modalidade excelente para aliviar o stress.
Sou optimista por natureza e acredito que as coisas vão melhorar. Temos de ir vivendo o dia-a-dia porque a seguir à guerra virá outra crise qualquer. A resiliência é a maior virtude de um empresário. Se virarmos as costas é que isto vai tudo abaixo. Meter as necessidades dos clientes acima de tudo é o fundamental.
Infelizmente custa-me ver que o concelho de VFX adormeceu nos últimos anos e não se tem visto desenvolvimento praticamente nenhum. Sobretudo na parte industrial. De acessibilidades também não se tem visto nada. Para atravessar Alverca, por exemplo, é sempre um castigo. Já a zona de Alenquer e Azambuja desenvolveu-se bastante sobretudo na logística. Tenho muito orgulho na minha terra mas Vila Franca de Xira não pode ser apenas um dormitório.

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