Entrevista | 14-01-2023 18:00

Daniel Gonçalves lidera Grémio Dramático Povoense para não deixar cair a colectividade

Daniel Gonçalves lidera Grémio Dramático Povoense para não deixar cair a colectividade
Daniel Gonçalves assumiu há seis meses a direcção da colectividade da Póvoa de Santa Iria

Daniel Gonçalves, 23 anos, é o novo presidente do Grémio Dramático Povoense. O jovem assumiu a direcção da colectividade da Póvoa de Santa Iria há seis meses, com uma débil situação financeira. As contas foram estabilizadas com os donativos de sócios. Mas ainda há muito para fazer na melhoria da imagem da colectividade centenária.

A ligação do novo presidente do Grémio Dramático Povoense à colectividade aconteceu por via do teatro, há uma década. Começou a ter interesse por esta arte quando era aluno na Escola D. Martinho Vaz de Castelo Branco, na Póvoa de Santa Iria. Mesmo fazendo parte do grupo de teatro da escola, Daniel Gonçalves queria mais, e pela mão de uma amiga foi parar ao grémio. Com apenas 13 anos percebeu que queria que o teatro fizesse definitivamente parte da sua vida. Primeiro começou no grupo de teatro da colectividade centenária como técnico de luz e som. Mas quando foi necessário atirou-se de cabeça e escreveu a sua primeira peça, que esteve em cena na colectividade.
Conciliando o teatro com os estudos, licenciou-se em Engenharia Informática, e fez o mestrado em Jogos e Multimédia. Ao mesmo tempo tirou um curso profissional de técnico de espectáculos. Agora trabalha numa associação, através da qual vai às escolas de todo o país explicar como funciona o acesso ao ensino superior e onde ajuda os jovens a tomarem decisões conscientes. Quanto à informática ficou para trás. As idas ao Grémio são diárias. “Quando pegámos na direcção foi duro. Das horas em que estava acordado 12 delas passava-as a tratar de coisas para o Grémio. Presencialmente, por telefone, a resolver problemas. Agora acalmou, mas são ainda quatro a cinco horas por dia dedicadas à colectividade. Só não é mais tempo porque tenho plena confiança nas pessoas que escolhi”, conta.

“Sabendo que o Grémio tem 130 anos não podia deixá-lo cair”
Daniel Gonçalves resolveu apresentar uma lista (a única) para assumir a liderança, após uma assembleia-geral em que soube que a anterior direcção estava de saída. “Jorge Feliciano ia sair e sabendo que o Grémio tem 130 anos, e o que representa, não o ia deixar cair. Foi um processo natural”, sublinha. Quando agarrou na colectividade percebeu os desafios que tinha que enfrentar, nomeadamente os legais e financeiros. Por isso rodeou-se de pessoas especialistas em áreas como a contabilidade, relações públicas e institucionais.
A lista eleita tem gente de todas as faixas etárias. A mais nova tem 21 anos, Marta Santos, que está a estudar Relações Públicas e o mais velho, 80 anos, António Nabais, que está na assembleia-geral. Quando assumiu a direcção as contas não eram boas. Havia pouco dinheiro e compromissos para fixar. Uma grande ajuda foi dada por sócios que fizeram doações para se conseguir ultrapassar esta fase. Agora, passados seis meses a situação financeira está estabilizada e o Grémio prepara a candidatura ao Programa de Apoio ao Movimento Associativo (PAMA) da Câmara de Vila Franca de Xira.

Mas afinal quantos sócios tem o Grémio?
Ninguém sabe. Daniel diz estar desde Julho a tentar perceber o que se passou. Existem nomes de sócios apontados numa agenda, nomes que não estão apontados em lado algum, sócios sem número e sem cartão. “Ligámos a 900 pessoas, enviámos e-mails, e fomos bater à porta de algumas de quem não tínhamos o contacto. Quero que as pessoas percebam que não as chamámos de caloteiras mas não sabemos o que é ou não verdade. Agora adquirimos um software de gestão”, relata.

Festival de Teatro mantém-se e regressam os concertos e noites de fado

A nova direcção tem agendados 40 eventos para o primeiro ano. O Festival de Teatro vai acontecer em Março, com 12 produções de todo o país, às sextas, sábados e domingos. Foi reformulado o tradicional enterro do Chouriço, após o Carnaval, que vai passar a abranger a “Póvoa de Cima”. De um percurso de metros vão ser feitos três quilómetros ao som da Banda dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Santa Iria e animado pelo grupo de teatro GrutaForte, do Forte da Casa. As noites de fado vão regressar à sede assim como os concertos de rock/metal, para abranger gostos de todas as faixas etárias. A próxima iniciativa é dia 28 de Janeiro, às 19h00, com o “Póvoa Music Festival”. Fonte, Sunya, Bigamia, Scarmind e Stereophobia são as bandas que sobem a palco.

Colectividade tem de gerir e manter três espaços na Póvoa

Daniel considera que a sede do Grémio foi esquecida nos últimos anos e a maioria dos eventos realizou-se no Espaço Cultural Fernando Augusto. A sede foi transformada em armazém e por isso não podia ser usada. Os sócios e a direcção arregaçaram as mangas e, num domingo, voltaram a dar brilho à sala. Entretanto já conseguiram terminar as obras no bar, que estavam paradas, e compraram mobiliário. “Já conseguimos dar glória à sede que é a nossa casa. O ECFA não é nosso, foi-nos cedido para exploração pela Câmara de Vila Franca de Xira. Quando chegámos detectamos deficiências graves de manutenção. Isso saiu tudo da conta do Grémio e sendo o ECFA da câmara, não temos a certeza até que ponto é da nossa responsabilidade fazer manutenções”, salienta.
Para além das questões financeiras, o espaço cultural foi mal concebido e não teve apoio de quem faz teatro. Já na altura em que foi inaugurado se falou dos poucos lugares no auditório e a falta de estacionamento na zona. “Temos cinco casas-de-banho desnecessárias, uma sala com dois ares condicionados, o auditório tem equipamento fraco, que avaria constantemente, e a montagem foi feita ao contrário”, lamenta.
Outros dos espaços geridos pela colectividade é o Pátio Aníbal Faustino, junto à sede. Foi uma ambição de vários presidentes e quando se concretizou nem sequer chegou a ser inaugurado, por falta de manutenção. Ervas e rega desactivada foi o que encontrou Daniel Gonçalves naquele espaço ao ar livre. Outro dos problemas é não existir uma porta para fazer a passagem da sede para o pátio, o que implica que em dia de eventos a comida e as bebidas tenham que circular em bandejas pela rua, assim como quem quer usar a casa-de-banho. “Não queremos abrir com essa imagem. Estamos a tratar de tudo para que chegue à Primavera e o pátio seja inaugurado”, garante.

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