Entrevista | 29-01-2023 15:00

Armando Cotrim: um presidente de junta que promete mais dinâmica para Ferreira do Zêzere

Armando Cotrim: um presidente de junta que promete mais dinâmica para Ferreira do Zêzere
Armando Cotrim é o actual presidente da Junta de Freguesia de Ferreira do Zêzere

Bibliotecário de formação e com três livros editados, Armando Cotrim diz que há pouca programação cultural em Ferreira do Zêzere. Na sua primeira aventura política, afirma a O MIRANTE que aceitou o desafio com “sentido de missão” e a pensar nas pessoas.

Armando Cotrim é o actual presidente da Junta de Ferreira do Zêzere e lançou recentemente, em co-autoria com Sofia Ramos Miguel, o livro Francisco Fernandes (Chico Silva) - De visionário a empreendedor”, uma homenagem ao grande pioneiro da industrialização no concelho. A obra serviu de pretexto para uma conversa com o autarca, que se considera um homem multifacetado. Com formação de bibliotecário e um passado também ligado à comunicação social, o autarca eleito pelo PS diz que aceitou o desafio da política “como uma missão” tendo encontrado a junta sem grandes problemas apesar de no primeiro dia ter lidado com uma contra-ordenação da Agência Portuguesa do Ambiente em relação à praia fluvial da Bairrada/Bairradinha.
“O anterior executivo fez o trabalho que tinha de ser feito, mas achamos que agora há muito mais a fazer, a vários níveis, nomeadamente no Verão, a nível turístico e na promoção cultural, que já começámos no ano passado e que teve muito sucesso”, afirma a O MIRANTE, acrescentando: “os turistas vinham à vila e não tinham nada com que se entreter”.
A proximidade é a grande prioridade do executivo liderado por Armando Cotrim. “Temos de estar próximos das pessoas, saber do que necessitam. Temos resolvido alguns problemas pontuais, tanto sociais como de infraestruturas”, sublinha. O presidente fala com agrado de um espaço verde que está a ser projectado em conjunto com a fundação Maria Dias Ferreira, junto ao Centro Cultural Alfredo Keil, e da necessidade de aumentar o cemitério da vila. “O cemitério está há muitos anos no limite, não é uma responsabilidade da junta, é do município, mas sentimos essa preocupação da população, que é contra um cemitério novo”, vinca.
Sobre o concelho de Ferreira do Zêzere espera que o futuro seja ligado à tecnologia. “Temos a tranquilidade que poucos concelhos têm; é o ideal para o novo conceito de tele-trabalho e por isso as redes móveis têm que funcionar melhor”, salienta, apontando como facto negativo a fuga dos jovens para zonas onde existem mais oportunidades. “Vão para a universidade e são raros os que regressam”, lamenta, considerando que o concelho está muito atrasado em relação aos concelhos vizinhos. “Não aproveitámos durante muitos anos os fundos comunitários e ficámos para trás”, lamenta.

Três livros editados
A biografia de Francisco Fernandes é o terceiro livro de Armando Cotrim. O primeiro, “Visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima ao concelho de Ferreira do Zêzere”, contém testemunhos de muitos ferreirenses, fotografias e muitas das actividades que foram feitas durante a presença do símbolo religioso no concelho em 2015. “É uma reportagem que fiz com códigos QR, onde é possível acompanhar toda a movimentação que aconteceu nessa semana, a nível da mão-de-obra, das flores em papel, dos arranjos pelas estradas feitos com flores naturais em todas as localidades do concelho”, descreve. A segunda publicação é um livro infantil; “A terra que o Zêzere escondeu”, que conta a experiência de João Silva, da sua família e amigos, até ao dia em que tiveram de deixar para trás tudo o que construíram. A obra é inspirada na história real de famílias que viveram no vale do Zêzere no final dos anos 40 do século passado. Muitas centenas de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas e os seus terrenos devido à construção da Barragem de Castelo do Bode.

Um homem da comunicação

Armando Cotrim tem um passado ligado à comunicação social. Começou nas rádios piratas, passou pelo Emissor Regional do Zêzere e fundou o projecto Região do Zêzere. “Comecei numa altura em que para se fazer uma cobertura de qualquer acontecimento era preciso andar à procura de um telefone fixo e de esticar cabo para ligar às mesas de mistura”, recorda Armando Cotrim. É na Era digital que funda o Região do Zêzere: “O site surgiu quando constatei que havia a necessidade de fazer uma cobertura de muita coisa que acontecia no concelho. Há muitos vídeos de património, eventos culturais e desportivos e da vida das associações.” O Região do Zêzere encerrou em 2021 após o convite para encabeçar a lista que acabaria por vencer as eleições autárquicas à junta ferreirense.

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