Entrevista | 29-07-2023 18:00

João Nuno Batista está a escrever a sua história no triatlo nacional e internacional

João Nuno Batista está a escrever a sua história no triatlo nacional e internacional
João Nuno Batista é natural das Lapas, Torres Novas e aos 17 anos é esperança olímpica no triatlo

Entrou para o triatlo aos sete anos pela mão do seu treinador e aos 17, João Nuno Batista, é campeão mundial júnior e esperança olímpica.

À semelhança do irmão, o triatleta Ricardo Batista, tem somado inúmeros pódios internacionais e ambos se mantêm fiéis à camisola do Clube de Natação de Torres Novas. Em entrevista a O MIRANTE fala da discrepância de apoios entre federações de diferentes países e do sonho maior de chegar aos Jogos Olímpicos. Não esconde a surpresa e alegria por ter recebido um telefonema do Presidente da República e afirma que o reconhecimento cai bem no momento certo.

João Nuno Batista nunca foi bom no desporto escolar mas o olho atento do seu professor e actual treinador, Paulo Antunes, levou-o para o lugar certo. Depois de ter somado três títulos e 11 pódios internacionais, entre os quais a medalha de bronze na Taça da Europa júnior, de vice-campeão europeu em duatlo e vice-campeão mundial júnior no mesmo escalão, o triatleta do Clube de Natação de Torres Novas (CNTN) fechou Julho a sagrar-se campeão mundial júnior de triatlo, repetindo o feito do irmão mais velho, o triatleta Ricardo Batista, que alcançou o mesmo pódio em 2019. Em 51.11 minutos cumpriu 750 metros de natação, 20 quilómetros de bicicleta e 5km de corrida, na prova disputada na Alemanha que foi repleta de incertezas até ao final.
Foi na corrida que deu o “tudo por tudo” para recuperar depois de ter saído em 10º lugar da água e se ter colocado em 40º na transição do ciclismo para a parte final da prova. Apanhou os que seguiam na frente do pelotão, distanciou-se e lado a lado com os atletas da França e do Canadá ultrapassou os quatro da frente. A 500 metros da meta arrancou para a vitória. Depois deste feito, aos 17 anos, João Nuno Batista fica para a história do triatlo nacional e mundial juntamente com o irmão, já que até à data são os únicos dois atletas masculinos portugueses campeões do mundo de triatlo. Os irmãos Batista conseguiram ainda um feito nunca alcançado pelos triatletas, conhecidos como os incríveis irmãos Brownlee, ao conquistarem ambos o título de campeões do mundo em juniores.
Menino tímido, mas “competitivo e algo ambicioso”, João Nuno Batista recebeu O MIRANTE na casa onde vive com os pais, em Lapas, Torres Novas, para uma conversa onde deixa clara a sua paixão pelo triatlo e as incertezas em relação aos estudos que quer seguir, uma decisão que terá de ser tomada durante os próximos dias. Consciente de que ser atleta de alto rendimento tem prós e contras, para este jovem sair à noite não é quando se quer mas quando não se põe em risco a performance no treino ou prova do dia seguinte. Focado no percurso que quer traçar, que passa por ir aos Jogos Olímpicos de 2028, proíbe-se a si próprio de algumas saídas mas, garante, não deixa de ter vida social. Treina 24 horas por semana, parte frequentemente em estágios dentro e fora do país, mas é em casa, junto da família, que recupera forças.
Ser campeão mundial era um objectivo? Passou a ser um objectivo desde que há dois anos fiquei em segundo lugar no Campeonato do Mundo de Triatlo de juniores. Desde aí que achava ser possível, mas não vou para as provas a pensar que vou ganhar, vou à procura de conseguir um bom resultado. Para esta prova, que é a mais importante do calendário, durante algumas semanas treinei com mais intensidade e volume e correu-me muito bem, sentia-me preparado. Agora, como ainda tenho mais um ano no escalão de júnior, quero ver se consigo ganhar este título novamente e em 2018 ir aos Jogos Olímpicos a Los Angeles.
Como geres as tuas expectativas e aquelas que o clube e a família colocam em ti? Quando uma prova não corre tão bem tento sempre aprender, ver o que correu mal e para a próxima fazer melhor. Mas às vezes chateio-me comigo, faz parte. Nesta prova sei que cometi erros mas felizmente consegui fazer com que os restantes triatletas não me prejudicassem. Tenho a sorte de ter um treinador - Paulo Antunes - que me anima sempre que algo corre mal e uma família que é o meu maior apoio. E ter o apoio da família é muito importante para me sentir motivado e para andar bem, mas isso não é só para os atletas, é para toda a gente.
Ter o triatleta Ricardo Batista como irmão é um fardo, porque há sempre tendência para a comparação ou é um estímulo positivo? O meu irmão é uma referência para mim, mas apesar de termos o mesmo treinador e treinos semelhantes, não trabalho para ter os mesmos resultados e fazer o mesmo percurso. Tenho os meus objectivos. Quanto à comparação, acho que é saudável, até porque somos muito competitivos entre nós, mas é uma competitividade boa, que nos faz bem. Antes do campeonato do mundo passei uma semana a dormir em casa dele para treinarmos e me ajudar. Sentimos muito orgulho um no outro.
Foi ele quem te empurrou para o triatlo? Em parte. Mas o grande responsável foi o meu treinador agora, que foi meu professor de educação física na Escola Básica Visconde de São Gião, ao levar-me para a natação do Clube de Natação de Torres Novas. Acho que viu qualquer coisa em mim, mas até hoje não sei o que foi porque para o desporto escolar nunca tive muito jeito, aliás fui o único aluno dele que não conseguiu aprender a dar uma cambalhota.
Já foste convidado para deixar o CNTN para ires representar outro clube de renome nacional, mais conhecido do grande público? Nunca me convidaram mas também não tenho interesse. O CNTN, neste momento, é o melhor clube de triatlo em Portugal e se me convidarem para outro clube não vou. É aqui que tenho o meu treinador e o trabalho que estamos a fazer é diferente daquele que é feito nos outros clubes. O treino que faço é o que se adapta melhor a mim e isso iria ser impossível noutros clubes.
Num dos três grandes provavelmente o reconhecimento seria maior... Acho que não, o reconhecimento no triatlo é diferente dos outros desportos. No futebol quando um jogador vai para um dos três grandes, Sporting, Porto ou Benfica, tem logo outro destaque, mas no triatlo não. Mesmo que um dia vá para outro clube, por questões financeiras, nunca vou deixar o meu treinador.
E da população de Torres Novas, sentes que há reconhecimento? Algumas pessoas sabem quem sou, outras não. Algumas se calhar nem sabem o que é o triatlo. A Câmara de Torres Novas homenageou-me e soube bem esse reconhecimento. Também recebi uma chamada do Presidente Marcelo. Foi estranho, porque me ligou à meia-noite e meia e eu estava para não atender porque não fazia ideia de quem é que me estava a ligar. Foi rápido: deu-me os parabéns e desejou-me boa sorte para a prova de estafetas que ia ter no dia seguinte. Agora já gravei o número...
O que vês lá fora a nível de apoios é muito diferente? Não tem nada a ver. Nos Estados Unidos da América a federação dá-lhes as bicicletas e durante os estágios os atletas têm tudo pago, desde a estadia, fisioterapia, à alimentação. Eu não tenho nada incluído, à excepção das viagens e estadia para as provas. Neste momento os meus patrocinadores são os meus pais, ainda não consegui ter ajudas externas. O equipamento de competição é pago pelo clube mas depois temos a bicicleta (10 mil euros), o capacete (300 euros), os sapatos de encaixe (300/400 euros), o fato isotérmico (mil euros), etc…
Além dos pódios o que é que o triatlo te tem trazido de bom? Tem-me trazido bons amigos e ensinado a ter espírito de grupo, pois apesar de ser um desporto individual passamos muito tempo em treinos juntos. E é um orgulho poder vestir a camisola do CN Torres Novas e a nível internacional poder vestir as cores da nossa selecção.

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