Entrevista | 03-04-2024 10:00

Ricardo Gonçalves: “faltam líderes políticos na região Centro”

Ricardo Gonçalves: “faltam líderes políticos na região Centro”
Ricardo Gonçalves, que está no último mandato como presidente da Câmara de Santarém, diz que vai deixar o cargo daqui a cerca de um ano, antes das eleições autárquicas

Ricardo Gonçalves vai entrar no seu último ano como presidente da Câmara de Santarém. Não fica até final do mandato e ainda não sabe qual será o seu futuro. Ou, pelo menos, não o divulga. Nesta entrevista defende a regionalização, fala da sua sucessão e de possíveis adversários nas autárquicas de 2025, critica o taticismo político de alguns colegas da Lezíria do Tejo e denuncia mais uma vez a falta de investimento público na região.

Já anunciou que vai sair antes do final do mandato. Quando, em concreto?
Já tinha dito que sairia depois da apresentação de contas de 2024. Será em 2025, daqui a sensivelmente 13 meses. Vamos entrar num novo ciclo a nível nacional, vão sair várias dezenas de autarcas que entraram em 2013 e, portanto, é tempo de entrarem outros protagonistas. É uma decisão amadurecida e falada já há algum tempo.
E depois o que se vai seguir na vida de Ricardo Gonçalves?
Ricardo Gonçalves tem vários caminhos para seguir na sua vida e no próximo ano é nisso que vai trabalhar. Serão caminhos quase todos longe da política.
Já afirmou publicamente que não aceitaria cargos governativos nem voltar a ser candidato à Câmara de Santarém. Não se vai arrepender?
Já estou no município de Santarém desde 2006, em 2025 serão 19 anos de autarquia. É algo de que me posso orgulhar, gostei muito de estar cá, mas terão que vir outras pessoas e outras ideias. A vida é feita de ciclos e acho que não devo voltar a ser candidato à Câmara de Santarém, é isso que tenho pensado. Há outras coisas que gostava de fazer.
Como por exemplo?
Gostava de ser provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santarém depois dos 65 anos.
Já não será o primeiro ex-presidente da Câmara de Santarém a seguir esse caminho.
Mas já o tinha dito publicamente antes de outras pessoas terem assumido esse cargo.
As CCDR (comissões de coordenação e desenvolvimento regional) com competências reforçadas podem ser lugares apetecíveis para esta vaga de autarcas que não se podem recandidatar em 2025.
Ao contrário do que querem fazer parecer em Lisboa, não há muitos lugares nas CCDR. Essa é uma ideia que o poder central, aquilo a que chamo a macrocefalia de Lisboa, que é contra a regionalização, quer fazer passar. O que quero mesmo que aconteça é que venha a existir essa nova região do Vale do Tejo e Oeste e que a regionalização avance.
Continua a defender a regionalização com unhas e dentes.
Ainda agora, na questão do aeroporto, a Comissão Técnica Independente vem dizer que o aeroporto de Santarém é o melhor para o país do ponto de vista da equidade, mas não é o melhor para Lisboa. Na regionalização também há lóbis que são contra porque vai tirar poder a Lisboa. E há muitos jornalistas de âmbito nacional que atacam a regionalização sem a terem estudado, que deviam ser contraditos pelos jornais regionais. O MIRANTE faz esse papel de uma forma excepcional, mas pelo país inteiro devia haver mais Mirantes a dizer aquilo que vocês dizem, dando voz aos autarcas, porque a regionalização é importante e traz equidade. Está a ser cavado um fosso entre os municípios com mais população, que estão nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, e o resto do país. E vemos isso nos grandes ciclos de investimento.
Tem sido um crítico da falta de investimento público nesta região. Não há aí também alguma responsabilidade dos autarcas?
Não, os autarcas fizeram o seu caminho. O investimento é reprodutivo e se se investe mais nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, é normal que tenham melhores desempenhos económicos, que consigam pagar melhores salários, que haja mais habitação, que tenham mais população. Há um afunilar para essas regiões. No quadro comunitário Portugal 2020 foi anunciado pelo primeiro-ministro cessante que iria haver muito dinheiro para os territórios de baixa densidade, mas em 2017 e 2018 houve uma reprogramação de cerca de mil milhões de euros e esse dinheiro foi para a Linha de Cascais, para o Metro do Porto, para o Metro de Lisboa… Aquilo que era para combater a desertificação e reforçar a coesão seguiu o caminho inverso. E vai para lá porque têm mais votos, mais deputados, mais força política. Faltam líderes políticos na região Centro do país.
Pedro Santana Lopes é presidente da Câmara da Figueira da Foz, Fernando Ruas é presidente da Câmara de Viseu, só para citar dois autarcas da zona Centro com projecção nacional e que são vozes respeitadas.
Mas o que é que o Pedro Santana Lopes conseguiu de relevante e de ser ouvido? O Pedro Santana Lopes é por si, representa a Figueira da Foz. Os presidentes das capitais de distrito ainda são ouvidos, mas que investimentos estruturantes é que esta região tem tido, por exemplo, no distrito de Santarém? E digo isto de consciência tranquila, porque sou uma voz que sempre falou de assuntos como a ferrovia ou do desvio da Linha do Norte. Alguns outros falavam, mas depois havia o taticismo político...
As críticas ao funcionamento do Hospital de Santarém também têm sido recorrentes.
Quando o Governo PSD tinha um ministro da Saúde chamado Paulo Macedo, que hoje está na Caixa Geral de Depósitos, eu critiquei esse ministro de um Governo do meu partido. Houve colegas meus que não conseguiram criticar agora o actual ministro por ser do partido deles. O Ricardo Gonçalves criou muitas inimizades durante tempos, e algumas ainda não estão sanadas, porque disse aquilo que pensava em defesa da sua região. Sobre o hospital, digo com sinceridade que me senti um pouco sozinho.
Não têm havido posições conjuntas da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) sobre essas questões nem sobre o novo aeroporto. Acha que o presidente da CIMLT devia ter uma posição clara sobre o aeroporto?
Se estivesse no lugar do Pedro Ribeiro tinha tido: defendia o aeroporto em Santarém.
E sabe qual é a posição dele?
O presidente Pedro Ribeiro disse que não se iria pronunciar sobre isso, mas eu no lugar dele tê-lo-ia feito. Porque o aeroporto em Benavente é bom para Benavente e para os concelhos próximos mas não é bom para a região. Ele é presidente da comunidade intermunicipal e eu, no lugar dele, tinha assumido desde a primeira hora que o aeroporto em Santarém era a melhor solução.
Porquê?
Se temos Leiria, Castelo Branco, Portalegre, Guarda, Coimbra, o Médio Tejo a dizer que o aeroporto em Santarém é a melhor solução para a região e para o país, eu como presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo tinha desde a primeira hora assumido que Santarém era a melhor. Porque traz coesão territorial e equidade entre regiões.
Há falta de solidariedade política entre os autarcas da Lezíria do Tejo?
Não, há é mais taticismo político, por vezes, do que eu pensava. O Ricardo Gonçalves demonstrou, quando o Governo era do PSD, que não tinha esses taticismos. Tive discursos muito duros em congressos da Associação Nacional de Municípios e ministros do PSD a dizerem-me que não percebiam que a minha intervenção fosse a mais dura. Hoje estamos pior do que estávamos na educação, na saúde, na acção social e não vi alguns colegas meus do PS a terem a coragem política para fazerem o que fiz em 2013 e 2014.
A CIMLT podia ter um papel mais reivindicativo?
A CIMLT faz o seu papel muito bem, mas estamos a falar de situações que são estruturantes. Não se pode fazer um Plano Nacional de Investimentos 2030 em que não há nada para o distrito de Santarém. Eu não me conformei com isso, disse-o até à exaustão. E os indicadores económicos da nossa região têm estado a cair. Havia a responsabilidade do poder político em unir-se e dizer que há muito tempo que não existem investimentos públicos relevantes nesta região.
Acredita mesmo que Santarém pode vir a ser a opção escolhida para o novo aeroporto?
Acredito convictamente. Os dados cada vez estão mais claros que haverá essa possibilidade de vir para Santarém. Mas também penso que está na altura de os promotores dizerem quem são os investidores estrangeiros que estão com eles e porem as cartas todas na mesa.
E em relação ao Tejo?
Aí temos falado todos a uma só voz. É uma preocupação e os autarcas têm tido alguma voz, mas que nos últimos anos não tem sido ouvida por alguns ministros do Ambiente e da Agricultura. A ministra da Agricultura aceitou um ministério que era do tamanho da anterior Secretaria de Estadoe isso tirou--lhe poderes. O Ministério do Ambiente ganhou poder e tivemos ministros com posições muito conservadoras em relação ao Tejo. Precisamos de uma barragem no Ocreza, precisamos de uma série de outras infraestruturas, há o Projecto Tejo... Queremos pôr o debate do Tejo na agenda e gostaríamos de ter licenças de construção nas margens do Tejo na Ribeira de Santarém Alfange, nas Caneiras iguais à que teve a construção do MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, em Lisboa.

“Santarém será dos concelhos do país que mais se vão desenvolver”

Tem sido fácil conviver com o PS na gestão do município?
Para mim tem sido sempre fácil conviver com todos. Há dias melhores e dias piores, mas o foco principal é Santarém e a sua população. Temos projectos desportivos de vários milhões de euros, temos mais de 400 milhões de euros de investimento privado no concelho projectado ou em vias disso, como o Hospital da Luz, a Entogreen, áreas logísticas como a de Almoster, que são 150 milhões de euros, ou outra próxima da Font Salem. Destaco também que conseguimos trazer o centro de decisão da Nersant para Santarém.
O processo de instalação do Hospital da Luz é falado há anos. Qual o ponto da situação?
Já têm as licenças levantadas e a construção vai começar, segundo eles dizem, no final deste mês de Março ou no início de Abril.
Entretanto, a situação financeira da Câmara de Santarém deixou de ser notícia.
Desde que há POCAL (Plano Oficial de Contabilidade das Autarquias Locais), criado há mais de 20 anos, temos as melhores contas, temos os impostos mais baixos de sempre, temos o maior investimento de sempre. Provámos que podemos ter menos impostos, mais investimento e menos dívida. Os indicadores económicos dizem que estamos entre os 30 primeiros concelhos do país.
Deixa então uma boa herança a quem lhe suceder.
Não tenho dúvidas que o próximo presidente de câmara terá a vida mais facilitada do que eu tive. Hoje paga-se a 15 dias, a dívida está estabilizada. Recentemente pedimos um empréstimo para infraestruturas desportivas e para pavilhões empresariais e mesmo assim só esgotamos um terço da capacidade de endividamento. Há todo um potencial de crescimento e essa é a responsabilidade dos que vierem a seguir: fazer melhor porque têm condições para isso. Não tenho dúvidas que Santarém, dentro das duas próximas décadas, será dos concelhos do país que mais se vão desenvolver.
Tem sido mais fácil gerir a relação com os vereadores do PS ou do PSD? É que nestes dois anos e meio de mandato, duas vereadoras do seu partido já renunciaram às funções e um vereador está com o mandato suspenso.
É fácil de gerir. Tudo resultou da vida das pessoas, das oportunidades. Dois regressaram à sua vida profissional, outra foi para desafios nacionais.
Isso não causa turbulência na gestão da equipa?
Não causa porque somos uma equipa e os que vêm são pessoas capacitadas e adaptadas; e temos também técnicos bastante qualificados que ajudam naquilo que é o nosso trabalho. Nas nossas listas sempre houve uma grande rotatividade, já em anteriores mandatos.
O vereador Diogo Gomes suspendeu o mandato por causa da polémica do skate park. O vereador do Chega queria que o senhor também assumisse responsabilidades políticas e pedisse desculpa aos munícipes. Porque não o fez?
Nós assumimos as responsabilidades todas que temos que assumir. Fizemos um inquérito interno de que foi dado conhecimento ao Ministério Público, as coisas estão a decorrer.
Enquanto líder da autarquia admite que houve coisas que correram mal neste processo?
Sim. E nas coisas boas e nas coisas más cá estaremos para assumir as nossas responsabilidades. Mas que fique claro que sempre que achámos que havia coisas que estavam mal, mesmo em anteriores mandatos, mandámos para o Ministério Público para que se esclareça tudo. E na maioria das situações, infelizmente, não dá em nada. Temos até casos bastante complicados dos quais fizemos denúncia e não se passou nada. Este é um caso muito menor se comparado com outros. Vamos reforçar os meios de auditoria interna, as medidas anti-corrupção e não é só porque outros vereadores o pediram. Há processos em que as pessoas falham e o que posso prometer às pessoas de Santarém é que faremos sempre cada vez melhor.
Como se sentiu a testemunhar num processo judicial contra o seu antecessor, Moita Flores?
Como já disse, o município de Santarém tem de defender sempre os seus interesses. Sempre o fiz e continuarei a fazer. Houve um dia quem dissesse que quem se mete com o PS leva; eu digo que quem se meter com Santarém leva.
Não se sentiu desconfortável a falar de supostas irregularidades cometidas pelo homem de quem foi vereador?
São sempre desconfortáveis estas situações porque quem está aqui a ser lesado é Santarém. Estamos a falar de muitos milhões de euros e, caso isso se verifique, Santarém deve ser ressarcida.

João Leite é uma boa escolha para candidato a Santarém

Quem gostava que lhe sucedesse no cargo?
Gostava que fosse alguém do PSD. E digo isto com toda a tranquilidade porque conheço as pessoas do PSD e, embora trabalhe também com pessoas do PS a quem reconheço qualidades, sei que o PSD tem hoje um leque de homens e mulheres que há muitos anos pensam Santarém e podem trazer muito ao futuro do concelho. Mas estou de saída e não quero condicionar o processo e a escolha. O PSD deve estar unido e tem órgãos próprios que vão fazer essa escolha atempadamente. Não tenho dúvidas que o PSD irá ganhar.
Se o candidato for o seu vice-presidente, João Leite, é uma boa escolha?
É uma boa escolha. O João Leite, como qualquer militante do PSD, será uma boa escolha. O PSD tem que escolher os melhores porque quem vier a seguir vai ter a responsabilidade de inaugurar a academia de futebol, o campo de rugby, os pavilhões de Pernes, de Alcanede, de Amiais de Baixo, ou seja, muitas obras que estamos hoje a lançar. Vamos também fazer obras em muitas extensões de saúde e recuperar algumas escolas, como a Ginestal Machado e a de Alcanede. Há ainda 22 milhões de euros para investir em habitação. Do ponto de vista financeiro está tudo acautelado, não é como no passado em que apareciam caixotes de dívidas.
Fala-se na possibilidade do actual presidente da Câmara de Almeirim se candidatar pelo PS em Santarém. Já falou com o seu colega Pedro Ribeiro sobre esses rumores?
Não falei e não quero acreditar que o Pedro Ribeiro venha a ser candidato em Santarém. Ainda há aquela ligação telúrica e algumas pessoas mais a norte do concelho não iriam ver com bons olhos um presidente de Almeirim à frente dos destinos de Santarém. Isso será um bocadinho à semelhança do que aconteceu com o presidente Paulo Caldas, que também gostava muito de vir a ser candidato em Santarém e depois, quando houve as primeiras sondagens, percebeu que não teria hipótese. Quero acreditar que o Pedro Ribeiro quando vir as primeiras sondagens irá desistir dessa ideia, que acredito que nem seja dele. Acredito que é mais o PS de Santarém que não tem candidatos e está à procura de algumas figuras.
Que obra tem pena de já não poder inaugurar como presidente?
Espero que me convidem para estar nas inaugurações de obras que me vão dar muita satisfação como a academia de futebol, o campo de rugby, os pavilhões de Amiais, de Alcanede e de Pernes ou o mouchão de Pernes. São obras pensadas há muitos anos e tenho alguma mágoa por não ter tido possibilidade de as concretizar. Mas sinto a consciência tranquila porque deixámos tudo pronto para que possam ser uma realidade.
Qual o problema que mais gosto lhe deu solucionar?
Foram vários. Mas pensar que o município de Santarém durante décadas pagava aos seus fornecedores quase a dois anos e hoje paga a duas semanas dá-me grande satisfação. Durante os primeiros anos fui muito incompreendido, mesmo dentro do meu partido, porque havia aqueles que elogiavam Pedro Passos Coelho porque estava a fazer uma gestão muito rígida e a mim criticavam-me precisamente por fazer uma gestão rígida e muito assertiva das contas, alegando que era muito limitativo para o concelho.
E qual a maior frustração deste percurso autárquico?
A maior frustração é não ter conseguido delegar mais para as juntas de freguesia. Temos obras a decorrer nas nossas freguesias de cerca de 8 milhões de euros, mas devíamos ter mais para o nosso território ter ainda mais equidade. Estamos a fazer como nenhum presidente da Câmara de Santarém fez, mas ainda gostava de ter delegado mais nas juntas de freguesia.
O complexo desportivo da cidade vai nascer finalmente, junto ao complexo aquático municipal. Em tempos foi falado para junto do CNEMA mas o preço dos terrenos inviabilizou o projecto?
É verdade. E esta nova solução acabou por ser vantajosa. Os preços que o CNEMA pediu eram muito caros para as possibilidades do município de Santarém. Entretanto, adquirimos 8 hectares junto ao complexo aquático e vamos agora lançar o concurso da academia de futebol. Vai ser ali criada uma grande zona desportiva, com 14 ou 15 hectares. Ainda não houve ninguém que dissesse que não concordava, o que não é muito habitual em Santarém.
O CNEMA precisa de outra dinâmica e mais actividades?
Estão previstos alguns investimentos para essa zona. Vai lá ser criado um espaço para a prática de padel com cinco campos e outras infraestruturas.
E como estão as relações com o CNEMA?
Neste momento temos como presidente do CNEMA um homem que é um diplomata e acho que as coisas estão a correr de forma muito satisfatória.
Santarém tem sido procurada para trabalhar e viver por muitos imigrantes. O que pensa disso?
Pelos últimos dados, o concelho de Santarém tinha cerca de 4.600 pessoas estrangeiras e é importante referir que praticamente todas estão a trabalhar. Isso é positivo, pois temos uma população muito envelhecida e a taxa de desemprego é reduzida. Sem essas quatro mil pessoas a taxa de desemprego iria ser a mesma mas se calhar íamos ter empresas a fechar porque não tinham mão-de-obra e a nossa economia piorava. Na produção agrícola, por exemplo, essas pessoas são fundamentais.

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