Entrevista | 05-04-2025 10:00

Pedro Galrito aposta na modernização da Sociedade Filarmónica União Samorense e na confiança das equipas de trabalho

Pedro Galrito aposta na modernização da Sociedade Filarmónica União Samorense e na confiança das equipas de trabalho
Pedro Galrito foi recentemente empossado presidente da SFUS. Cresceu em Samora Correia e com o pai habituou-se a conhecer os cantos à casa da colectividade

O novo presidente da Sociedade Filarmónica União Samorense, Pedro Galrito, está no cargo há pouco mais de um mês e tem como prioridade modernizar a gestão da colectividade, garantindo a sustentabilidade das actividades e reforçando a transparência interna. Em entrevista, destaca a importância de respeitar o passado e integrar diferentes sensibilidades no projecto de futuro da SFUS.

Pedro Galrito assumiu a presidência da Sociedade Filarmónica União Samorense (SFUS) há pouco mais de um mês e pretende implementar uma gestão mais moderna e eficiente, sem desvalorizar o trabalho realizado no passado. O dirigente sublinha a necessidade de evolução da colectividade, adaptando-a às exigências actuais e garantindo a sustentabilidade financeira. “Vai ter de haver uma mudança de rumo, mas sem desprezar o que foi feito antes. Pretendo que as coisas boas se mantenham, respeitando sempre quem esteve nesta casa e deu muito do seu tempo”, afirma a O MIRANTE.
O novo presidente não pretende afastar os mais experientes mas fala num salto qualitativo na organização. Uma das primeiras medidas a ser implementada passa pela modernização administrativa, nomeadamente na digitalização dos processos internos, o que permitirá facilitar e agilizar os pagamentos de quotas por parte dos sócios e das mensalidades dos praticantes. “Queremos garantir uma boa gestão interna, baseada na transparência”, frisa.
A direcção liderada por Pedro Galrito, empossada para um mandato de um ano, também quer reforçar a união dentro da colectividade, tendo convidado elementos da lista adversária a integrar as diferentes equipas de trabalho. “Respeito todas as ideias e todos os que deram o seu contributo. A ideia é trabalhar em união em prol da SFUS”, afirma.
Outro desafio é garantir a sustentabilidade financeira das actividades. A tesouraria já está a fazer um levantamento dos gastos em cada secção e a preparar um plano orçamental que permita prever despesas e evitar situações de défice. Pedro Galrito não lhe chamaria uma auditoria, mas um orçamento que evite encarar cada semana sem ser numa óptica de correr atrás do prejuízo. Para além disso, a SFUS pretende candidatar-se a financiamento de organismos do Estado, uma estratégia que não era utilizada até ao momento.
Trata-se, segundo diz, de um trabalho exploratório com o objectivo de encontrar formas de financiamento adicionais, tal como já acontece com outros eventos que têm a participação da SFUS, nomeadamente as Tasquinhas ou o Festival do Arroz Carolino, que servem de fonte de angariação de fundos para as actividades. A revisão dos estatutos, que se mantêm inalterados desde 1984, é outra prioridade, visando ajustá-los à realidade.
A sede da SFUS, que espelha mais de um século de história, também consta dos planos da direcção, com especial atenção para a reabilitação da cobertura do edifício, avaliada entre 20 mil e 25 mil euros. “A chuva das últimas semanas causou infiltrações graves e retirámos alguns quadros do salão nobre para os proteger, porque tinham indícios de humidade e até há risco de curto-circuito porque a infiltração é tanta que escorre pelas paredes”, lamenta o dirigente.

Ao serviço da cultura e do desporto
A SFUS tem despesas mensais entre 5.500 e 6.500 euros, pelo que a nova direcção procura equilíbrio financeiro antes de avançar com novos projectos. “O foco agora é garantir que as secções existentes são sustentáveis. Se surgir uma proposta viável, estudamos, mas a prioridade é consolidar o que temos”, concluiu Pedro Galrito. A SFUS celebra em Maio o seu 104.º aniversário e o novo presidente espera que a organização interna, permitida por este mandato, prepare a colectividade para o futuro.
Pedro Galrito diz ter um projecto delineado com pessoas em que pode confiar e que realmente gostam da associação. A SFUS, fundada em 1921, conta com centenas de praticantes, músicos e associados que integram as diferentes valências culturais e desportivas. Pela arte, cultura e recreio, a SFUS oferece à população de Samora Correia a possibilidade de aprender a tocar um instrumento musical através da escola de música e da banda filarmónica, assim como noutras correntes artísticas e desportivas, como é o caso do rancho folclórico, a natação, a ginástica rítmica, a tuna, a pesca desportiva e o teatro.

Um jovem com relação forte com o associativismo

Pedro Galrito, 35 anos, assumiu recentemente a presidência da Sociedade Filarmónica União Samorense (SFUS), dando continuidade a um percurso de dedicação à colectividade que começou ainda em criança. Apesar de nunca ter sido atleta ou músico, acompanhava o pai, que foi dirigente da SFUS, e rapidamente criou uma ligação à associação e às pessoas.
Natural de Samora Correia, Pedro Galrito nasceu em Mississauga, no Canadá, para onde os pais tinham emigrado, mas regressou com apenas um ano e meio. Cresceu e estudou na cidade ribatejana, prosseguindo depois os estudos em Psicologia na Universidade Lusófona, em Lisboa. Actualmente, trabalha como assistente de cliente na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos.
O percurso associativo de Pedro Galrito na SFUS começou em 2022, quando integrou a direcção como secretário. Dois anos depois, assumiu o cargo de vice-presidente e, mais recentemente, foi a eleições com o desafio de liderar a colectividade. Para além da SFUS, também integra os órgãos sociais da Associação Samorense de Apoio Social e Comunitário (ASASC) desde 2021, onde desempenhou vários cargos e é actualmente vice-presidente da assembleia geral. O gosto pelo associativismo estende-se ainda ao desporto colectivo. Nos tempos livres, Pedro Galrito pratica futsal na Associação de Desenvolvimento, Cultura e Recreio dos Arados (ADCRA).
Pedro Galrito foi eleito presidente da SFUS, impondo-se a Domingos Pepino, nas eleições que decorreram no dia 26 de Fevereiro de 2025. O acto eleitoral contou com a participação de 187 associados, tendo a Lista A, encabeçada por Pedro Galrito, recolhido 104 votos, contra os 79 obtidos pela Lista B, liderada por Domingos Pepino. Registaram-se ainda três votos em branco e um nulo.
Pedro Galrito, que já desempenhava o cargo de vice-presidente da centenária colectividade, sucedeu a Carlos Pernes na liderança da mais antiga associação da cidade. Carlos Salvador foi eleito presidente da mesa da assembleia geral e João de Falua Gomes lidera o conselho fiscal.

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