Um motorista ao volante da União de Freguesias do Carregado e Cadafais
O novo presidente da União de Freguesias de Carregado e Cadafais, no concelho de Alenquer, diz que não é político e aposta na proximidade. Marco Coelho iniciou o mandato com um levantamento das necessidades e o planeamento de investimentos. Apostou, para já, no fardamento dos funcionários e pretende uma imagem mais moderna e cuidada da junta. Garante ser um autarca de proximidade, diariamente na rua, enquanto no gabinete conta com o apoio de duas eleitas de confiança.
Três meses depois de assumir funções na União de Freguesias do Carregado e Cadafais, o presidente Marco Coelho, eleito pela coligação TODOS, começa a traçar objectivos para o seu primeiro mandato à frente da junta. Os primeiros seis meses são para analisar o que é prioritário e só depois pensar em investimentos, até porque, por exemplo, falta definir quais as vias públicas que eram da Infraestruturas de Portugal (IP) e que vão passar para a alçada da Câmara de Alenquer. Ainda assim, Marco Coelho aponta como prioridade a construção de um acesso pedonal nos Cadafais para chegar a um infantário, investimento em mobiliário urbano, requalificação do Jardim Rosa Silva e melhoria do parque automóvel, que actualmente está envelhecido.
A junta também já comprou novo fardamento para os funcionários e quer que a autarquia tenha uma imagem cuidada e moderna. “Temos as nossas ideias, mas com ponderação, sem comprometer a saúde financeira da junta e sem entrar em grandes loucuras. Queremos manter a saúde financeira que nos foi deixada e fazer as coisas com calma”, sublinha.
A vantagem de não ser político
A exercer a função a tempo inteiro, Marco Coelho escolheu duas pessoas de confiança que o acompanham na junta e que maioritariamente tratam das questões burocráticas. Assume ser um presidente do terreno, que todos os dias acompanha e fiscaliza o trabalho dos operacionais. Não sendo político, diz encarar a junta como um trabalho comum, em que privilegia as decisões em equipa e prevê boas relações com a Câmara de Alenquer, apesar das diferenças partidárias. “Temos de pôr de lado os machados e, por isso, considero uma vantagem não ser político. Eu e as pessoas que me acompanham tomamos decisões todos os dias, independentes da política”, relata.
Antes de entrar para a união de freguesias, Marco Coelho era motorista de pesados. Curiosamente, o Carregado tem um problema antigo relacionado com o atravessamento de camiões, que ainda não se resolveu. “Tivemos a sorte do nosso candidato trazer cá o ministro Miguel Pinto Luz, que foi sensível e que já tinha conhecimento do que se passava aqui com os pesados. Deixou-nos uma porta aberta e acho que agora compete à câmara aproveitar essa porta e pressionar”, defende.
A freguesia de Carregado e Cadafais é uma das mais afectadas no concelho de Alenquer com as roturas constantes de água, em que são diariamente abertos buracos para reparações. Marco Coelho defende reforço de condutas e obras na rede, que está envelhecida, e mais pressão da câmara perante a concessionária de abastecimento de água. “A câmara devia ter uma intervenção mais pesada perante a Águas de Alenquer. Não haver o chamado compadrio. Enquanto a rede não for reforçada, não se pode, por exemplo, alcatroar algumas estradas como na Guizanderia.”
A união de freguesias poderá vir a implementar alterações no seu sistema informático para permitir o cruzamento de dados relativos a atestados de residência, numa tentativa de obter um retrato mais rigoroso do número de pessoas a residir em cada habitação. A medida surge num contexto em que a legislação nacional sobre esta matéria poderá sofrer alterações, o que leva o executivo a aguardar orientações definitivas antes de avançar com soluções estruturais. Ainda assim, a junta admite que, sempre que sejam detectadas situações de um número elevado de residentes na mesma morada, poderá articular o caso com as autoridades competentes.
Mais famílias a pedir ajuda
No plano social, Marco Coelho confirma um aumento de pedidos de ajuda de várias famílias. A freguesia dispõe de dois mecanismos de apoio: a loja social e um programa articulado com a Segurança Social, através do qual a junta assegura a logística da distribuição alimentar.
Sobre o Plano de Mobilidade para o Carregado, anunciado e apresentado publicamente no anterior mandato autárquico, diz desconhecer o documento. Quanto ao parque para pesados que existe na freguesia, defende a sua deslocalização para vias periféricas à malha urbana, até porque não faz sentido querer desviar a passagem de camiões e depois ter um parque no meio das casas. “Acho que devia haver mais intervenção das autoridades na Barrada. Todos passam lá e vêem os pesados estacionados dentro das ruas”, diz, acrescentando que já alertou o coordenador da Protecção Civil de Alenquer sobre o perigo de haver um incêndio na Barrada e os bombeiros não conseguirem passar por causa do estacionamento abusivo.
O crescimento do Carregado não foi acompanhado pelo reforço das infraestruturas e espaços públicos. Marco Coelho defende a criação de um parque urbano e novas soluções de requalificação. Actualmente, a manutenção dos espaços verdes está a cargo de uma empresa contratada, mas a junta admite, futuramente, internalizar o serviço. “Com o reforço de uma ou duas pessoas, teríamos capacidade e meios para assegurar essa função”, disse, sublinhando que qualquer decisão será ponderada.
Do volante ao comando da junta
Marco Coelho, natural do Carregado, vive na freguesia há 49 anos. Casado, é pai de uma filha de 14 anos. Sem percurso partidário, acompanhava de forma atenta a política local, mas nunca esteve filiado em qualquer partido. Aceitou o convite da coligação TODOS, liderada pelo PSD, através de amigos de longa data, assumindo o cargo com foco no trabalho, na proximidade com a população e na gestão prática da freguesia, e não numa lógica meramente política.
O autarca tem um percurso profissional diversificado. Trabalhou muitos anos na área comercial de automóveis e motos e, nos últimos anos, antes de assumir funções na junta, desempenhou funções de motorista. A família é conhecida no Carregado, onde teve negócios, o que facilita a ligação à comunidade e o relacionamento com os moradores. Marco Coelho é descrito como calmo, tranquilo e ponderado. Gosta de ouvir e aconselhar-se antes de tomar decisões, valorizando o trabalho em equipa.


