Entrevista | 08-03-2026 21:00

Para o psicólogo Luís Simões, o estigma da doença mental persiste

Para o psicólogo Luís Simões, o estigma da doença mental persiste
Psicólogo Luís Simões tem consultório em Santarém e dá consultas online - foto DR

“Há mais pessoas a pedirem ajuda antes de atingirem o seu limite, mas continua a haver muita pressão para camuflar as dificuldades”.

A preocupação com a saúde mental continua a ser desvalorizada?
As coisas estão a melhorar, há mais gente a pedir ajuda antes de atingir o seu limite, mas ainda há muita pressão interna e externa para camuflar as dificuldades. O estigma ainda existe, mas a saúde mental é base do bem-estar geral.
Fazem falta mais medidas de sensibilização?
Assistimos, por parte dos vários governos, a um apelo para que as pessoas tenham uma atitude preventiva em relação à sua saúde mental, que procurem apoio. Mas, temos um número de psicólogos a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS), muito abaixo dos países com sistemas de saúde mental mais desenvolvidos. Assim, fica difícil os psicólogos que estão no SNS darem uma resposta em tempo útil.
E da parte das empresas e instituições?
Nos locais de trabalho, há necessidade de intervir ao nível da prevenção de riscos psicossociais, mas nem sempre é possível.
Faltam recursos ou o assunto não é prioritário?
Há cerca de um ano fui contactado pelos Recursos Humanos de uma grande empresa, aqui da zona de Santarém, para uma avaliação de riscos psicossociais e possível intervenção no sentido de promoção e desenvolvimento de local de trabalho saudável. A coisa não avançou por falta de vontade dos empresários, apesar de existir evidência científica que nos mostra uma melhoria na produtividade, quando se intervém na prevenção do stress em problemas de saúde psicológica.
O que o fez interessar-se pela área da saúde mental?
As pessoas próximas de mim, sempre me disseram que era um bom ouvinte. Gosto de ajudar o outro e estudar psicologia permite-me fazê-lo de forma profissional. Sempre gostei desta coisa de escutar o outro, sem crítica, mesmo quando é claro que está errado. De tentarmos em conjunto perceber como chegou ali e, olhando para o futuro, como vai “safar-se”, digamos assim.
Que especialidades tem e no que consistem?
Reconhecida pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, tenho a especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde. Formação especializada em Psicoterapia Psicodinâmica de orientação psicanalítica. Trata-se de perceber como é que a pessoa ficou assim e como pode sair daquele estado. Não é uma psicoterapia que fique agarrada ao que deu origem, foca-se nas ferramentas internas que a pessoa tem para sair daquela situação, um olhar para o futuro.
Qual é o seu público-alvo?
Trabalho com adolescentes e adultos.
Qual é a sua experiência profissional?
Tenho experiência acumulada na área das adições, como problemas por uso de álcool ou outras substâncias psico-activas e do jogo patológico. Tenho prática clínica na condução de sessões de psicoterapia individual em perturbações relacionadas com trauma, depressão, ansiedade, síndrome de ‘burnout’, ideação suicida. Muitos anos de experiência em consultório privado. Faço parte dos órgãos sociais da Sociedade Portuguesa de Alcoologia e há muitos anos que sou sócio da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica.
Onde é que as pessoas podem procurar os seus serviços neste momento?
Dou consultas no meu consultório, junto ao antigo espaço da Feira Nacional da Agricultura - Urbanização Quinta de São Roque, Lote 13, Entrada 4C, Piso 4 em, Santarém. Também dou consultas online.

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