Dois ministros e alguns recados na inauguração da Feira Nacional de Agricultura
Pela primeira vez, dois governantes presidiram à abertura do evento, que decorre no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas até 14 de Junho. Presidente da CAP e do CNEMA deixou alguns recados aos titulares das pastas da Agricultura e do Ambiente. Água e mão-de-obra imigrante são alguns dos desafios do sector.
A Feira Nacional de Agricultura/Feira do Ribatejo está de regresso a Santarém, entre 6 e 14 de Junho, e este ano teve a inaugurá-la o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, e a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho. Pela primeira vez, dois governantes presidiram à abertura do evento, que este ano não teve o habitual apontamento de folclore na recepção à comitiva, mas contou com os habituais campinos, cavaleiros e amazonas a fazerem uma espécie de guarda de honra no exterior do parque de exposições. E houve ainda uma sentida homenagem ao emblemático campino António Colorau, falecido em Fevereiro deste ano.
Destaque também para a série de discursos oficiais onde usaram da palavra os dois governantes, o presidente da Câmara de Santarém, João Leite, e o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, que deixou vários recados ao Governo e a outros agentes políticos. Seguiu-se a longa visita ao certame, em que o ministro da Agricultura deu nas vistas pela descontração e interacção com os visitantes.
Este ano, a FNA tem foco nos pequenos frutos - como mirtilos, morangos, framboesas e amoras -, um sector em crescimento e considerado dos mais rentáveis da agricultura nacional, conforme enfatizou o líder da CAP, que aproveitou para realçar que essa realidade só é possível graças à mão de obra imigrante e à disponibilidade de água. Dois factores – “ambos controversos”, reconheceu - que permitem que haja produção durante todo o ano e que contribuíram para exportações nessa área no valor de 398 milhões de euros em 2025.
“Não teriam sido possível estes resultados notáveis sem a mão-de-obra imigrante, nomeadamente asiática. E para crescermos mais precisamos de mais mão de obra estrangeira” devidamente enquadrada, defendeu Álvaro Mendonça e Moura, acrescentando que é importante contrariar preconceitos e os “profetas da desgraça”. E criticou também a demora na atribuição de apoios aos agricultores afectados pelas intempéries do último Inverno.
Quanto à questão da água, o líder da CAP referiu que só há 5 mil hectares em produção no sector dos pequenos frutos e a ambição deve ser aumentá-la significativamente. E para isso é preciso garantir água suficiente, designadamente através de novas infraestruturas de retenção e armazenamento. O que só se conseguirá, diz, se forem ultrapassados “tabus” e nos libertarmos de “grilhetas ideológicas”.
No seu discurso, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, apontou também a escassez de mão-de-obra como um dos principais desafios, anunciando que o Governo está a preparar legislação para facilitar a instalação de trabalhadores agrícolas, nomeadamente através de soluções de habitação associadas às explorações.
Uma feira para todos os gostos
A FNA conta este ano com os habituais espectáculos musicais, actividades equestres e taurinas e a presença de comunidades intermunicipais e de vários municípios de diferentes regiões do país. A programação volta a integrar espaços de debate, como as Conversas de Agricultura, que reúnem especialistas para discutir desafios do sector e apresentar soluções.
A Nave A recebe novamente o Salão Prazer de Provar, com produtos distinguidos em concursos nacionais, como azeites, vinhos, queijos e enchidos, complementado por iniciativas de cozinha ao vivo, provas e harmonizações. Já a Nave B concentra entidades institucionais, cooperativas e maquinaria agrícola, enquanto a Nave C aposta na tradição do artesanato e na oferta comercial diversificada. A feira mantém também uma forte vertente pecuária, com exposição de raças autóctones e concursos especializados. A gastronomia continua a ser um dos principais atractivos, com restaurantes de carnes de raças autóctones e tasquinhas dinamizadas por associações locais.


