Entrevista | 15-07-2026 21:00

Pedro Gamado leva Portugal ao Campeonato do Mundo de Fundo Mar

Pedro Gamado leva Portugal ao Campeonato do Mundo de Fundo Mar
Pedro Gamado gosta de pescar no mar mas reconhece que o rio Tejo também é um excelente local para praticar e pescar - foto O MIRANTE

Nem só de futebol se fazem os sonhos mundiais. Aos 17 anos, Pedro Gamado, atleta da Póvoa de Santa Iria, conquistou um lugar entre os melhores jovens portugueses de pesca desportiva e garantiu presença no Campeonato do Mundo de Fundo Mar, que decorrerá em Outubro, em Itália. Uma conquista que nasce da dedicação, do espírito competitivo e de uma ligação ao mar que começou ainda em criança ao lado do pai.

Não é só no futebol que Portugal quer brilhar num Campeonato do Mundo. Em modalidades menos mediáticas também há jovens portugueses a afirmarem-se ao mais alto nível e um desses exemplos está na Póvoa de Santa Iria. Pedro Gamado, de 17 anos e residente na cidade, alcançou um 5.º lugar absoluto no Campeonato Nacional de Sub-21 de Fundo Mar, resultado que lhe garantiu a convocatória para a selecção nacional e a oportunidade de representar Portugal no Campeonato do Mundo, que decorre entre 3 e 10 de Outubro na Toscana, em Itália.
Este resultado assume um significado ainda maior porque foi alcançado logo no primeiro ano de Pedro Gamado na categoria Sub-21. Depois de ter conquistado o título regional na época anterior, entrou no campeonato nacional consciente das dificuldades mas acabou por surpreender. “Sabia que estava ali gente com muito mais experiência mas ao mesmo tempo também acredito que seja devido ao muito trabalho que tenho feito”, explica a O MIRANTE.
A história de Pedro Gamado com o mar começou cedo e nasceu em família. Antes da competição, veio o convívio, o tempo partilhado e o gosto por estar ao ar livre. “Foi influência do meu pai. Ele pescava, vi-o pescar e comecei a ir com ele”, conta. Com o tempo, aquilo que começou como passatempo transformou-se num compromisso competitivo. Hoje compete em surfcasting - pesca desportiva praticada a partir da costa - modalidade onde a leitura do mar, a técnica e a adaptação contam tanto quanto a experiência e, claro, alguma sorte.
“Pode haver talento mas a sorte também está presente. Chegamos à praia e precisamos de reconhecer como está o estado do mar, para onde se vai lançar, perceber onde é que o peixe anda. Se não é o tipo de peixe que está a sair, é necessário usar iscos diferentes, formas de pescar diferentes, as linhas são diferentes”, explica.

Falta de clube no concelho obriga a sair
Ao longo do seu percurso desportivo já praticou vários desportos, desde futebol no União Atlético Povoense ao triatlo no Alhandra Sporting Club. Mas para praticar pesca desportiva federada foi obrigado a sair do concelho, para o Clube Desportivo de Paço de Arcos, por falta de aposta na modalidade no concelho de Vila Franca de Xira. “É uma pena não se apostar mais na pesca no concelho, seja na vertente profissional ou lúdica. Seria um bom ponto de iniciação dos jovens a este desporto”, defende.
O momento que mais marcou o campeonato nacional foi precisamente a prova que lhe abriu as portas do Mundial. Numa decisão estratégica, alterou a abordagem da pesca e conseguiu capturar um robalo com cerca de 50 centímetros, num mar difícil e com condições exigentes - um momento decisivo para a classificação final. “Por enquanto estou tranquilo quanto ao mundial, mas sei que vou estar nervoso. Não sei o que vem por aí, nunca pesquei em Itália”, admite.

Equilibrar o desporto com os estudos

Fora da competição, Pedro Gamado continua a estudar, frequentando um curso profissional na área da comunicação e serviços digitais, com foco em marketing. E é precisamente no equilíbrio entre escola, desporto e vida pessoal que encontra o valor desta modalidade. “Fascina-me sair de madrugada, estar praticamente sozinho ao pé do mar, ajuda a fazer um reset da semana e das preocupações”, explica.
O atleta destaca também a dimensão humana e saudável da pesca desportiva, um aspecto que considera essencial transmitir aos mais novos. “É um desporto saudável e deviam experimentar”, conclui. Em Outubro Pedro Gamado levará as cores de Portugal até Itália e levará também consigo um pouco da Póvoa de Santa Iria.

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