Major da GNR Claúdio Lopes: Quem vive ou vai passear na floresta está debaixo de vigilância 24 horas por dia
A floresta da região centro de Portugal é um património de valor incalculável, mas também um território de elevada complexidade orográfica e vulnerabilidade a incêndios. Para compreender como se desenha a estratégia de vigilância, o combate ao incendiarismo, a realidade da fiscalização, fomos conversar com o Major da GNR Cláudio Lopes, responsável pelo SEPNA na região de Coimbra.
Chefe do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente do Comando Territorial de Coimbra da Guarda Nacional Republicana (GNR), responsável máximo pela coordenação das ações de vigilância, deteção e fiscalização florestal e ambiental nesta sub-região. Claúdio Lopes tem vasta experiência territorial acumulada no terreno desde 2010. Trabalhou nos distritos de Aveiro, Leiria, Coimbra e Santarém, sendo hoje um profundo conhecedor da realidade florestal do centro do país. Movido por uma forte afinidade pessoal e profissional pela área da proteção civil, encontra-se atualmente a concluir um mestrado em Gestão de Emergência e Socorro, possuindo ainda formação especializada pela Escola Nacional de Bombeiros. Nesta conversa com O MIRANTE defende uma política integrada de segurança onde cada cidadão deve atuar como um agente ativo da proteção civil.
O MIRANTE: Quem é Cláudio Lopes fora da farda da GNR e como nasceu esta ligação tão forte à área da proteção florestal e da emergência?
CLÁUDIO LOPES: Iniciei o meu percurso na Guarda há mais de 20 anos, decidindo servir o país. Ao longo do tempo fui desenvolvendo um gosto e uma afinidade muito grandes pela área da proteção civil, pelos incêndios e pela gestão de emergência. É uma área onde gosto muito de trabalhar. Tanto que, a nível pessoal, estou atualmente a concluir um mestrado em Gestão de Emergência e Socorro e tenho também alguns cursos da Escola Nacional de Bombeiros. Se pudesse, seria nesta área que passaria o resto da minha vida profissional. A minha experiência territorial já é longa; ando pelo terreno desde 2010, tendo passado por Aveiro, Leiria, Coimbra e Santarém. Conheço bem a zona mais central do país e as especificidades de cada território.
TECNOLOGIA E INOVAÇÃO NA PREVENÇÃO
Que papel desempenham as novas tecnologias, como a videovigilância e os drones, na protecção da floresta?
A tecnologia é uma grande mais-valia. Atualmente, temos implementado um sistema de videovigilância que é pago pela Comunidade Intermunicipal, mas operado exclusivamente por nós. Temos 20 câmaras instaladas na região de Coimbra e mais 21 nos distritos vizinhos que cobrem toda a área da nossa actuação. Temos um operador 24 horas por dia, focado apenas em vigiar a floresta e interagir com este sistema.
Além disso, contamos com o reforço da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR, que opera aeronaves não tripuladas (drones). No ano passado adquirimos e colocámos no terreno drones de grande capacidade. São equipamentos que voam muito alto, tornando-se imperceptíveis a partir do solo, e têm uma autonomia que nos permite fazer várias horas de vigilância efetiva. Estes drones estão equipados com câmaras térmicas muito potentes, que usamos não só para a floresta, mas também para detetar situações de caça furtiva durante a noite.
Como é que decidem onde e quando utilizar estes meios tecnológicos tão específicos?
Não temos 20 ou 30 drones para andar a voar todos os dias em todo o lado. Direcionamos o patrulhamento dos drones, das patrulhas a cavalo e das Forças Armadas com base na análise de risco. Utilizamos ainda diariamente a informação do site do IPMA sobre o perigo de incêndio rural. Se vejo que num determinado dia o concelho de Oliveira do Hospital ou de Tábua está com risco muito elevado, direciono os meios para lá. Da mesma forma, se detectamos um padrão de três ou quatro ignições suspeitas numa determinada zona e num certo período do dia, colocamos o drone a patrulhar essa área específica. Se andar lá alguém na mata, a câmara térmica deteta-o imediatamente.
INCENDIARISMO E CAUSAS DOS INCÊNDIOS
Olhando para as estatísticas da região Centro, qual é o peso real do incendiarismo (fogo posto) face às causas negligentes ou naturais?
No ano de 2025, o distrito de Coimbra registou um total de 229 ocorrências (incêndios rurais). Destas, a distribuição das causas é muito clara e preocupante:
* 123 ocorrências foram de origem intencional (incendiarismo/dolo);
* 80 ocorrências resultaram de comportamentos negligentes (queimas, queimadas, trabalhos agrícolas/florestais);
* 2 ocorrências deveram-se a causas naturais (como o incêndio do Piódão e o do Candal, provocados por trovoadas secas documentadas);
* 20 ocorrências ficaram com causa desconhecida, onde não foi possível apurar vestígios ou a forma como o fogo evoluiu.
Como se pode concluir, o incendiarismo representa mais de metade das ocorrências na nossa região.
Como é que a GNR actua para identificar e deter estes incendiários? Existe um perfil comum?
No incendiarismo trabalhamos em estreita coordenação e parceria com a Polícia Judiciária (PJ). É um trabalho conjunto: estamos diariamente no terreno, conhecemos as populações, ouvimos os relatos e recolhemos a informação inicial que depois partilhamos. Há de tudo no perfil dos incendiários: desde pessoas inimputáveis e pirómanos com necessidade patológica de ver o fogo, até disputas de vizinhos por causa de estremas de terrenos ou comportamentos irracionais. Temos um conjunto de pessoas já referenciadas na região. Se sabemos que um determinado indivíduo com este histórico está em liberdade e começam a surgir dois ou três fogos noturnos naquela zona específica, a probabilidade de ser ele é elevada e focamos aí a nossa atenção.
Para além disso, temos um elemento do CEPNA que depende diretamente de mim e que integra o Grupo Técnico de Redução de Ignições de Coimbra (existem cinco grupos destes a nível nacional). Isto permite-nos cruzar dados diariamente. Se temos, por exemplo, quatro ocorrências consecutivas a meio da noite em Miranda do Corvo sem qualquer explicação meteorológica, a nossa fiscalização criminal e o grupo de redução de ignições começam imediatamente a trabalhar no terreno para atacar o problema na origem, antes que o tempo passe e se percam os vestígios.
COMPORTAMENTOS NEGLIGENTES E SENSIBILIZAÇÃO
A negligência ainda representa uma fatia muito significativa dos incêndios. O que falha na atitude das pessoas?
O comportamento negligente é aquele onde sabemos que é possível melhorar através da pedagogia, mas continua a ser um desafio. Ainda há pouco tempo tivemos uma situação com 40 graus de temperatura e 20% de humidade relativa no ar, e estava um indivíduo a trabalhar na floresta com uma rebarbadora com disco de corte. As pessoas têm de compreender que utilizar uma roçadora com disco metálico nestes dias de risco extremo acarreta um perigo brutal de gerar faíscas e provocar um incêndio que rapidamente fica fora de controlo.
Nós percebemos que as pessoas precisam de trabalhar na floresta e que as restrições prolongadas de acesso ao território (como as declarações de alerta ou calamidade) têm impacto na vida das populações e na própria gestão de combustível. Mas tem de haver bom senso e responsabilidade.
Este ano tem sido extremamente exigente ao nível do planeamento. Desenvolvemos um trabalho muito forte de sensibilização: reuniões com municípios, presidentes de junta, gabinetes florestais, ações diretas com as populações e simulacros. O nosso processo de fiscalização não começa com a autuação. Nós iniciamos as ações de sensibilização e monitorização a 16 de fevereiro. Vamos ao terreno identificar os pontos críticos e avisar os proprietários. Há uma grande pedagogia inicial. O auto de contraordenação é apenas a última consequência para quem, apesar de todos os avisos, se recusa a cumprir.
FISCALIZAÇÃO, LIMPEZA E O MINIFÚNDIO
Os dados estatísticos mostram um aumento muito expressivo das contraordenações por falta de limpeza de terrenos. O que justifica este comportamento?
Os números são muito claros. Em 2024 registámos 212 autos de contraordenação por falta de gestão de combustível no distrito de Coimbra. Em 2025, esse número disparou para 569 autos. Ou seja, as contraordenações quase triplicaram. E isto não aconteceu porque sinalizámos mais terrenos: em 2024 sinalizámos 837 terrenos e em 2025 cerca de 820. O volume de fiscalização inicial foi o mesmo, mas o incumprimento por parte dos proprietários foi muito superior. Tenho uma enorme curiosidade em ver como se vão comportar estes dados no final de 2026. A seguir aos incêndios de Pedrógão Grande, toda a gente limpava tudo por medo e problemas de consciência. À medida que o tempo foi passando, assistimos a uma desresponsabilização social.
Quais são as principais dificuldades que os proprietários e os municípios enfrentam para cumprir a lei da limpeza de terrenos?
Há fatores estruturais muito complexos. O custo de limpeza por hectare aumentou imenso, situando-se hoje na ordem dos 1.200 euros ou mais. Para quem tem dezenas de hectares, o esforço financeiro é brutal. Além disso, há uma escassez enorme de mão de obra no setor.
Temos também a questão meteorológica. Se um proprietário ou município limpar o terreno em abril, mas depois vier um período de chuva e sol intercalado, em junho ou julho, o mato já cresceu e o terreno precisa de ser limpo outra vez. Nós temos essa sensibilidade técnica. Mas as pessoas têm de compreender que a lei da gestão de combustível (que se aplica essencialmente nos aglomerados urbanos e em redor das casas) existe para defender vidas e habitações.
Outra dificuldade na fiscalização é o facto de termos muitos proprietários que vivem fora da região, ou no estrangeiro, e que apenas vêm cá passar uns dias no verão, o que torna muito difícil localizá-los e notificá-los a tempo. Existem protocolos e cruzamento de dados com várias entidades que nos ajudam a chegar aos proprietários, mas continua a ser um processo moroso.
DENÚNCIAS E RELAÇÃO COM O CIDADÃO
Como funciona a linha SOS Ambiente e Território e que tipo de denúncias recebem com maior frequência?
A linha SOS Ambiente e Território está disponível para qualquer cidadão através de uma pesquisa simples na internet. Durante o período de calor, a esmagadora maioria das denúncias que recebemos — cerca de 60% a 70% — está relacionada com a falta de gestão de combustível (terrenos por limpar junto a casas). Também recebemos algumas denúncias relacionadas com animais de companhia e, ocasionalmente, queixas sobre árvores de vizinhos que ameaçam cair sobre telhados, embora isso seja uma questão que não é da nossa competência.
Todas as denúncias que entram no sistema são tratadas informaticamente e encaminhadas para o órgão territorial competente. Os nossos militares vão ao local, elaboram um relatório com registo fotográfico e, a partir daí, o processo segue os trâmites legais, resultando na notificação para limpeza ou na autuação. Este canal de denúncias corre em paralelo com as fiscalizações planeadas que nós próprios iniciamos no terreno.
E no que toca a outros crimes ambientais, como a poluição de rios ou o descarte ilegal de resíduos na floresta?
O descarte de resíduos de construção, eletrodomésticos ou móveis antigos na floresta ainda acontece, mas tem vindo a reduzir significativamente. Isto deve-se ao facto de os municípios e as juntas de freguesia estarem a criar pontos de recolha específicos para estes materiais, facilitando a entrega gratuita por parte dos cidadãos. Sempre que detectamos lixo na floresta, tentamos investigar para chegar ao autor da deposição, embora muitas vezes o proprietário do terreno não tenha qualquer culpa do sucedido.
Relativamente à poluição de linhas de água, na região de Coimbra temos apenas situações muito pontuais. Já trabalhei noutras bacias hidrográficas do país com problemas muito mais complexos e graves, como no Tejo ou no Sorraia. Aqui, sempre que surge algo, actuamos rapidamente em coordenação com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA/ARH), mas não é um problema emergente ou expressivo na nossa sub-região.
O NEGÓCIO DA MADEIRA E OS MADEIREIROS
Alguns pequenos produtores queixam-se de que os intermediários e madeireiros se aproveitam do abandono e da idade avançada dos proprietários para comprar madeira e terrenos a preços muito baixos. Como acompanha esta realidade?
Temos plena consciência de que essa dinâmica existe no terreno. Há muitos madeireiros a comprar a madeira e o próprio terreno em conjunto, adquirindo parcelas a preços muito baixos porque os proprietários, muitas vezes idosos e sem herdeiros interessados na terra, preferem vender barato para se livrarem da responsabilidade e dos custos das limpezas obrigatórias.
No entanto, esta transição de propriedade não é necessariamente má para a floresta, desde que os novos adquirentes façam uma exploração coordenada, cadastrem os terrenos e façam a gestão ativa do combustível. Para um particular que tem apenas um terreno, tirar um corte de 12 em 12 anos pode não ser rentável. Mas se uma empresa ou operador comprar 20 terrenos na mesma zona, consegue criar escala e ter um corte rentável por ano, gerindo o espaço de forma muito mais profissional e limpa. O problema surge quando o terreno é comprado e continua abandonado, mas a concentração da propriedade, se for acompanhada de gestão ativa, pode ser um caminho para ordenar o território.
POLÍTICA FLORESTAL, PASTORÍCIA E O FUTURO DA FLORESTA
O modelo de ordenamento florestal de Mortágua é frequentemente apontado como um exemplo. Considera-o transponível para o resto do minifúndio?
O modelo de Mortágua, assente nas Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), é de facto uma referência de organização e proteção da floresta. Eles conseguiram criar um sistema que ordena o território e facilita a prevenção. No entanto, não é um modelo consensual ou fácil de aplicar em todo o lado devido à mentalidade do minifúndio.
Explicar a um pequeno proprietário antigo, que tem uma parcela de mil metros quadrados inserida numa área comum de 10 mil metros, que o seu terreno calhou ficar numa zona de corta-fogo (onde não pode plantar nada) mas que ele vai receber uma parte proporcional do rendimento das árvores plantadas nos terrenos vizinhos, é extremamente difícil. Na nossa cultura rural mais antiga, as pessoas ainda têm uma ligação muito rígida à extrema física da sua propriedade e matam ou queimam por um metro de terreno, sem querer generalizar. Mudar esta mentalidade exige tempo e pedagogia.
Como é que se pode devolver a rentabilidade à floresta para evitar o abandono do interior?
A floresta só terá futuro se der rendimento efetivo a quem a possui. Ninguém vai gastar 1.200 euros por hectare para limpar um pinhal ou um eucaliptal se souber que não vai ter qualquer retorno financeiro desse investimento. Temos de repensar a floresta para além do corte de madeira a 12 ou 30 anos.
O Ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, que tem visitado muito a nossa região e demonstrado grande sensibilidade para estas matérias, tem falado na necessidade de reestruturar a floresta e criar incentivos reais. Um excelente exemplo é a pastorícia. Há 30 ou 40 anos, as aldeias tinham vários rebanhos de cabras e ovelhas que pastavam sob o coberto florestal.
O governo falou recentemente num apoio de 30 milhões de euros para os rebanhos. Talvez seja necessário alargar ainda mais estes incentivos e encontrar formas de valorizar economicamente a biomassa que resulta das limpezas de matos. Se conseguirmos fixar pessoas no interior através de atividades agrícolas e silvícolas rentáveis, teremos gente para cuidar do território. Se o interior continuar a desertificar-se — como na aldeia de Casal da Misarela, onde restam apenas cerca de 20 pessoas, todas idosas —, não haverá incentivo ou rebanho que nos salve, porque simplesmente não há quem trabalhe.
CULTURA DE PROTEÇÃO CIVIL E RESILIÊNCIA
Para além da gestão da floresta, o que falta a Portugal para ser um país verdadeiramente resiliente a catástrofes naturais ou eventos extremos como a tempestade Leslie ou o Kristin?
Falta-nos uma verdadeira cultura de proteção civil, algo que tem de ser trabalhado de forma estrutural a partir das escolas e dos manuais escolares. Nós não temos a cultura de prevenção que existe, por exemplo, nos países nórdicos. Quando começou a guerra na Ucrânia, a Finlândia distribuiu imediatamente folhetos à população com instruções básicas: ter comida enlatada em casa, ter uma reserva de água, pilhas e um rádio.
Nós assistimos a um pânico generalizado na população quando há um corte de energia de algumas horas devido a uma tempestade. As pessoas hoje não conseguem viver sem eletricidade. Têm portões e estores elétricos e nem sequer conseguem sair de casa ou abrir as janelas se a luz falhar; a comida estraga-se no frigorífico e não conseguem tomar banho porque as bombas de água são elétricas.
Eu próprio, em minha casa, tenho um gerador elétrico de grande capacidade que me garante total autonomia de luz e água (tenho bomba elétrica no poço) em caso de emergência. Durante a tempestade Kristin, o meu pai, que vive ao meu lado, ficou sem luz e nós improvisamos uma extensão para alimentar a casa dele com o meu gerador. Um gerador não é um equipamento excessivamente caro, mas a maioria das pessoas prefere não fazer esse investimento. Curiosamente, após a tempestade, vi um anúncio no Facebook de alguém a vender um gerador com o depósito cheio por 350 euros, dizendo que o tinha comprado há dois dias por causa do temporal mas que, como a luz já tinha voltado, já não precisava dele. Isto demonstra uma total ausência de noção de prevenção. As pessoas compram o equipamento na crise e vendem-no assim que ela passa.
Como é que as escolas podem ajudar a mudar esta mentalidade nas gerações futuras?
Temos de ensinar coisas práticas aos miúdos. Há tempos perguntei ao meu filho mais novo se ele sabia o que era o "triângulo da vida" (as zonas mais seguras e robustas de uma casa, junto aos pilares e cantos de betão, em caso de sismo). Ele não fazia ideia. Perguntei-lhe qual seria o sítio mais seguro da nossa casa se houvesse uma catástrofe e ele, depois de pensar, respondeu corretamente: a despensa debaixo da escada, porque é toda em betão e não tem janelas.
Os miúdos precisam de aprender a lidar com a emergência para não entrarem em pânico, porque a pior coisa para um agente de autoridade, bombeiro ou médico é ter de gerir o pânico das pessoas. Nós fizemos esse caminho com sucesso na segurança rodoviária nos últimos 20 anos através das ações nas escolas. Hoje o miúdo entra no carro e diz logo: *"Pai, não tens o cinto posto"* ou *"Pai, vais muito rápido"*. Temos de fazer exatamente o mesmo caminho pedagógico com a proteção civil.
Qual é a mensagem que gosta de passar para os cidadãos em geral e também proprietários florestais?
A mensagem principal é que todos nós, sem exceção, somos agentes de proteção civil. Todos temos a obrigação cívica de limpar, de vigiar e de colaborar com as autoridades.
No que toca ao incendiarismo, por exemplo, precisamos que as pessoas estejam atentas a comportamentos suspeitos na floresta. Se veem um carro estranho ou alguém a circular na mata num dia de risco extremo, tirem uma foto, apontem a matrícula, registem uma letra ou um número e liguem para o posto territorial da GNR. Nós investigamos e cruzamos essa informação. Muitas vezes as pessoas dizem-nos mais tarde: *"Ah, andava aí um Volvo escuro há uns dias"*, mas já não se lembram de mais nenhum detalhe. Essa informação precisa de chegar no momento.
O nosso slogan na comunidade sub-regional é "Juntos somos mais fortes". Efetivamente, se o cidadão estiver sensibilizado, consciente e coordenado com as autoridades, o nosso trabalho torna-se muito mais fácil e a floresta estará muito mais segura.
O MIRANTE está a trabalhar num projecto editorial para identificar as consequências da eucaliptização no ambiente e no tecido socioeconómico de Portugal e da Galiza. O trabalho é apoiado pelo Journalismfund Europe e é realizado em parceria com o jornal digital Galiciapress. A Journalismfund Europe é uma organização sem fins lucrativos, com sede em Bruxelas, que procura fortalecer a democracia na Europa através do apoio ao jornalismo de investigação independente.


