Foto Galeria | 26-04-2024

Torres Novas celebrou Abril com discursos antifascistas e contra o populismo

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Na sessão solene das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril em Torres Novas, da esquerda à direita, os discursos focaram-se na necessidade de lutar contra populistas e antidemocráticos e na importância do poder local para assegurar e melhorar os direitos e qualidade de vida das populações. Movimento independente não se quis juntar às celebrações.

O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, encerrou os discursos proferidos na sessão solene das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, no Parque da Liberdade, começando por partilhar com o público presente como viveu o dia da revolução de 1974, como militar estabelecido em Santa Margarida, para sublinhar que só quem viveu nesse tempo de ditadura “poderá valorizar ainda mais” os valores conquistados em Abril. “Só a liberdade conquistada permitiu a pluralidade política e a transformação social do país com direitos e deveres iguais para todos”, afirmou.

O autarca socialista destacou o poder local como “uma das maiores conquistas do 25 de Abril” e vincou que a revolução “não pode ser uma data só para recordar. Exige de todos uma responsabilidade enorme de viver em sociedade. O desrespeito pelas regras democráticas põe em risco a democracia e teremos que reconhecer que temos assistido a algumas acções políticas no país e no mundo que nos deixam muito preocupados”, disse, sublinhando na parte final do discurso a necessidade de serem trabalhados “projectos de aculturação” para bem acolher os imigrantes, para que o “espírito de Abril não seja posto em causa”.

Também o presidente da Assembleia Municipal de Torres Novas, José Trincão Marques destacou a importância do poder local e do crescimento do seu papel, salientando que “a descentralização dos poderes do Governo para os municípios melhora a governação e a transparência”. Numa segunda parte da sua intervenção vincou que a “democracia é frágil” e que “é preciso combater de frente os movimentos populistas, extremistas, antidemocráticos e saudosistas da ditadura”.

“Há quem, hoje, de forma clara e desavergonhada, mas não inocente, afirme que a revolução foi um retrocesso para Portugal”, acrescentou para alertar que o povo não se pode calar “porque antes do 25 de Abril “não havia liberdade de expressão, Serviço Nacional de Saúde, não havia os níveis de escolaridade pública que existem hoje”. Pelos socialistas falou ainda Francisco Dinis que sublinhou que os ataques à democracia são uma realidade” e que “a liberdade não é um dado adquirido”, sendo necessário continuar a fazer-se Abril.

À direita, o PSD pela voz de André Valentim e o CDS-PP representado por Nuno Cruz criticaram o estado a que chegou a saúde em Portugal, no que toca à diminuição da sua capacidade de resposta e sublinharam que é preciso exigir mais para os portugueses também no que respeita, entre outros aspectos, à segurança e educação que enfrenta falta de vagas em creches e de professores. Nuno Cruz quis também notar que “sem moderação não há democracia” e André Valentim completou dizendo que “depende de cada um viver em permanente espírito de revolução e resistência, contra ideias retrógradas, ultrapassadas ou mensagens extremistas”.

Também do lado do Bloco de Esquerda surgiram alertas sobre as ameaças à democracia com António Gomes a afirmar que existem muitos fascistas disfarçados com cravos na lapela. Depois de recordar algumas das maiores conquistas de Abril, como a emancipação das mulheres, o direito ao aborto, o fim da discriminação da comunidade LGBTQIA+ e a permissão para adopção por casais do mesmo sexo, o bloquista referiu que as políticas locais têm “todas” de atender aos desafios das alterações climáticas e que Torres novas não pode ser excepção.

Pela CDU discursou Ana Filipa Besteiro que lamentou que alguns queiram fazer desaparecer as conquistas da revolução de 1974 e reforçou que é preciso lutar contra todos os que querem “enclausurar Abril”. Afirmou ainda que continuam a existir aspectos negativos que é preciso mudar e desigualdades sociais que é preciso combater e que por estas não é Abril que pode ser responsabilizado mas “quem governou fechando as portas que Abril abriu”. O Movimento P'la Nossa Terra, com assento na assembleia municipal, optou por não se representar nas comemorações por considerar, referiu o vereador eleito António Rodrigues na reunião de câmara que antecedeu a data, que o programa, entre outros aspectos negativos, não dignifica a Revolução dos Cravos.

30 figuras homenageadas pelo contributo ao concelho e às liberdades de Abril

No final da sessão solene foram homenageados os 30 nomes que integraram a comissão de honra das comemorações pelas acções desenvolvidas e importância que estas tiveram no antes e no pós-25 de Abril de 1974. Entre outras, a fundação de partidos políticos, contribuindo, dessa forma, para a pluralidade partidária que foi uma das conquistas da revolução. Os homenageados foram Alice Vieira, Álvaro Maia, António Canais, António dos Santos, Arnaldo dos Santos, Carmelinda Pereira, Casimiro Pereira, Deolinda Zuzarte Reis, Eduardo Bento, Emídio Martins, Fernanda Tavares, Gualter Pedro, Guilherme Pinto, Hilário Teixeira, João Gonçalves, Joaquim Alberto, Joaquim de Oliveira, José Marques, José Pereira, José Paixão, José Ribeiro, José Vaz Teixeira, Luís Formiga, Luís Lopes, Manuel Rodrigues, Manuel Banito, Maria Manuela Fazenda, Maria Manuela Neves, Pedro da Luz e Rui Pereira.

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