Foto Galeria | 21-09-2026

Alzheimer: cuidar de quem esquece num sistema sob pressão

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Alzheimer: cuidar de quem esquece num sistema sob pressão

Na região há equipas a trabalhar todos os dias para preservar a autonomia, identidade e a dignidade de pessoas com Alzheimer, num país onde cerca de metade dos residentes em lares tem demência diagnosticada ou sinais de declínio cognitivo. Lutam contra a perda de capacidades, estimulam a autonomia física, mantém rotinas e recusam desistir de quem já não se lembra de quem foi. Esta segunda-feira, 21 de Setembro, assinala-se o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer.

Antónia, vamos chamar-lhe assim, está sentada a folhear um livro no Centro de Repouso Fonte Serrã, concelho de Santarém. Entrelaça as mãos, levanta os olhos e fixa por momentos Daniela Pedro, a animadora sociocultural que está junto dela. Já quase não verbaliza e tende a repetir as palavras que ouve, mas vai mantendo alguma autonomia para se alimentar. Quando entrou na instituição, em 2015, já levava consigo um diagnóstico de Alzheimer, caminhava e deambulava pelos corredores, entrando por vezes em quartos alheios. Havia nesse comportamento uma coincidência com a vida que teve antes da doença, já que pela profissão que teve passou grande parte dela a cuidar da saúde de outras pessoas. “Agora é ela que precisa de ser cuidada”, vinca Daniela Pedro.

Um estudo publicado em Fevereiro na Acta Médica Portuguesa, realizado em 423 Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), concluiu que, em média, 31,7% dos residentes tinham diagnóstico formal de demência e outros 22,3% apresentavam sinais de declínio cognitivo sem diagnóstico registado. Considerados os dois grupos, 50,2% apresentavam demência diagnosticada ou algum grau de compromisso cognitivo. O número ganha outra dimensão quando se entra num lar e se percebe o que significa cuidar de alguém que já não reconhece os filhos e não sabe onde fica o quarto. A doença obriga a mudar a forma como se fala, se toca e se organiza a rotina, explica a directora técnica Alexandra Moedas, alertando que nem todas as instituições estão capacitadas para o fazer.

*Reportagem completa na próxima edição semanal de O MIRANTE.

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