Identidade Profissional | 08-11-2021 15:00

“Farmacêuticos são muito mais do que dispensadores de medicamentos”

“Farmacêuticos são muito mais do que dispensadores de medicamentos”
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Raquel Barbosa é uma farmacêutica que valoriza o contacto próximo com os clientes

Raquel Barbosa é farmacêutica nas farmácias São Pedro e Joaquim Cabeça, na Chamusca.

Demorou a descobrir a vocação, mas nunca teve dúvidas que queria exercer uma profissão onde pudesse ajudar a comunidade. Aos 29 anos Raquel Barbosa é uma farmacêutica de proximidade sempre pronta a ajudar. A automedicação e a confusão com a posologia são os problemas com os quais mais se debate.

Nem nos dias de folga e sem a bata branca vestida passa despercebida nas ruas da Chamusca. A trabalhar há cinco anos nas farmácias São Pedro e Joaquim Maria Cabeça, Raquel Barbosa é um exemplo do que é ser farmacêutico de proximidade. É atenciosa, valoriza as preocupações de cada um e gosta de tratar todos pelo nome. “Senhor Joaquim, amanhã estou lá à sua espera para lhe medir a tensão”, diz a um cliente que a cumprimenta de passagem.

É nos meios pequenos onde há falta de médicos, como a vila ribatejana onde nasceu, vive e trabalha, que Raquel Barbosa acredita que os farmacêuticos marcam a diferença. “Aqui a maior parte procura o farmacêutico antes de ir ao médico. Não somos tratados como simples vendedores de caixinhas, mas como profissionais que ajudam a resolver algumas situações menos graves”. Nem todas, admite com humor, ligadas à profissão. “Há quem peça para lhe ler o extrato bancário ou marcar uma consulta”, mas tudo isso “faz parte do que deve ser um farmacêutico de proximidade”.

Filha de médico, desde muito nova percebeu que a medicina não era o caminho a seguir por sentir que a profissão, para ser bem exercida, “rouba demasiado tempo à família”. Na indecisão quanto ao percurso profissional que queria seguir optou por fazer um mestrado integrado em Ciências Farmacêuticas, na Universidade Lusófona de Lisboa, convicta de que por esta via iria ajudar a sociedade a cuidar da sua saúde. Mas a certeza de que ser farmacêutica comunitária era a sua vocação só chegou durante o estágio, em Cascais, onde o primeiro contacto com o público a fez perceber que “estava no caminho certo”.

Confusão com a posologia e automedicação são problemas frequentes

Hoje Raquel Barbosa não tem dúvidas que “os farmacêuticos são muito mais do que dispensadores de medicamentos” e que desempenham “um papel muito importante na sociedade”. Sobretudo junto dos mais idosos, que vivem longe das famílias e que olham para estes profissionais como “a porta aberta, sem hora marcada e pronta a ajudar no que for preciso”.

Entre as dúvidas que escuta atrás do balcão da farmácia, a posologia dos medicamentos é a mais comum: “Muitos não sabem ler ou deixam para trás metade da conversa com o médico e chegam aqui sem saber o que vão tomar, quando e para o quê”, conta, explicando que recorre a “desenhos nas caixas” para que ninguém saia sem certezas de que vai saber cumprir a prescrição. E o seu incumprimento, acrescenta, é outro grande problema com o qual se debate: “As pessoas continuam a deixar de tomar um medicamento assim que notam melhorias ignorando esse erro que vai permitir à bactéria - ou vírus - ganhar resistência”.

A trabalhar num meio pequeno onde todos se conhecem e partilham as suas dores também a preocupa o problema da automedicação, um comportamento “muito comum” que resulta da falta de literacia na área da saúde. “Muitas pessoas continuam a automedicar-se sem qualquer avaliação, porque acham que se à vizinha aquele medicamento fez bem também lhe vai fazer e tomam-no sem ter a noção que podem pôr a sua saúde em risco”. Não concorda, por isso, com “facilitismos na venda de medicamentos” com receita médica obrigatória.

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