O comerciante que ainda vende mercearias porta-a-porta
Rogério Simões trabalha desde os 20 anos e tem uma mercearia em Marinhais que celebra 40 anos no início de Setembro
Rogério Simões é empresário desde os 20 anos. Seguiu as pisadas do seu pai e avô que já trabalhavam no comércio. Tem a mercearia Loja dos Frescos – Amanhecer, em Marinhais, e mantém duas carrinhas de venda ambulante que vão a casa das pessoas vender os produtos. Nota que alguns clientes estão a ficar com algum receio do aumento dos preços e já não compram tanta carne e peixe fresco optando por produtos mais baratos como os enlatados. O empresário, de 60 anos, adora o contacto com o público. Benfiquista ferrenho gosta de caçar com os amigos nos tempos livres.
Rogério Simões continua a apostar no negócio de venda ambulante em que vai à porta dos clientes vender os seus produtos. Proprietário da Loja dos Frescos – Amanhecer, em Marinhais, concelho de Salvaterra de Magos, tem duas carrinhas de venda ambulante que percorre as freguesias de Granho, Foros de Salvaterra e a localidade de Várzea Fresca. Vai propositadamente a casa dos clientes e há sempre outros que se aproximam para também fazerem as suas compras. Rogério Simões, de 60 anos, confessa gostar do contacto e proximidade com o cliente.
Algumas vezes acaba por fazer de psicólogo de alguns dos seus clientes. “Muitos são pessoas mais idosas e que se sentem sozinhas. Acabo por ser uma companhia e uma cara conhecida que vou ao seu encontro. Aproveitam para conversar, para contarem os seus problemas e tento sempre animá-los e fazer com que esqueçam os problemas ou desvalorizem as coisas menos boas. Gosto muito dessa ligação que crio com os clientes”, afirma a O MIRANTE.
Além da venda ambulante tem a mercearia, na Rua da Lagoa, em Marinhais, onde tem produtos frescos e que garante serem todos de qualidade. Admite que alguns clientes já estão a ficar com algum receio do aumento dos preços e estão a comprar mais enlatados do que peixe ou carne fresca. “As pessoas estão a prevenir-se com receio de que possa vir aí uma crise. No meio rural as pessoas pensam muito no dia de amanhã”, explica.
Desde criança que Rogério Simões lida com a venda ambulante uma vez que o seu pai e o seu avô também trabalhavam no comércio sendo que o seu pai também chegou a ter uma taberna. A sua família veio da zona de Coimbra e da Lousã e fixou-se em Marinhais à procura de melhores condições de vida que há sessenta anos não se conseguia no interior profundo do país. Rogério Simões lembra-se de, em criança, ir com o pai para a venda ambulante e dele lhe dar um saco de bolos para o filho vender. “Aquele era um negócio paralelo. Se eu conseguisse vender aquele saco de bolos ganhava um dinheiro extra. Hoje percebo que o meu pai me fez isso para me incutir o gosto pelo negócio e acabou por conseguir fazê-lo”, confessa.
Os três anos em que os pais o mandaram estudar para Santo Tirso (distrito do Porto), onde ficou em casa de um tio, não foram fáceis mas todos os seis irmãos passaram pelo mesmo. Passado esse tempo regressou e terminou os estudos no Liceu em Santarém. Quando soube que ia ser pai, aos 20 anos, pegou na parte do negócio que o seu pai lhe deu e lançou-se à vida. A 2 de Setembro o seu espaço, em Marinhais, comemora 40 anos e o empresário destaca o trabalho e a dedicação aos clientes como ingredientes para o segredo do sucesso.
Além da mercearia e da venda ambulante tem também um serviço em que o cliente liga, diz que produtos quer e Rogério ou um dos seus funcionários vai entregar. “Já tinha este serviço antes da pandemia mas era muito esporádico. Com os confinamentos teve um aumento brutal. As pessoas não podiam sair, outras tinham receio e preferiam ligar e nós íamos, e ainda vamos, entregar as compras à porta. Este é um serviço que as grandes superfícies comerciais estão a virar-se cada vez mais, para a proximidade com o cliente. Por isso a concorrência é sempre muita”, esclarece.
Rogério Simões admite que ser empresário nos dias de hoje acaba por ser uma prisão com porta aberta por não haver horas para desligar da empresa. No entanto, quando pode ‘foge’ com os amigos para caçar e no final almoçam todos juntos. Almoços que duram até à noite. “É um escape que me sabe muito bem. Enquanto lá estou consigo desligar do mundo e dos problemas que tenho para resolver. Costumo dizer que sou um caçador de prato. Se não consigo matar o animal à primeira tenho que pedir a um amigo que o mate. Por isso é que brinco a dizer que sou mais caçador de prato”, confessa com um sorriso.
Benfiquista ferrenho, tem dois netos, um com oito anos e uma menina de um ano, que já são sócios do clube das águias. Se tudo correr bem este ano pretende ir ver alguns jogos ao Estádio da Luz para vibrar e sofrer pelos encarnados. Tem duas filhas, uma de 40 e outra de 25 anos, e não sabe se vão dar continuidade ao negócio. “Será sempre uma escolha delas. A porta está aberta”, conclui.


