Identidade Profissional | 18-09-2022 15:00

“Os carros eléctricos são o futuro e o hidrogénio será a melhor energia”

Nuno Crespo, sócio-gerente da Iberbaterias, empresa especializada em baterias para equipamentos totalmente eléctricos

Nuno Crespo é sócio-gerente da Iberbaterias, situada no Cartaxo. Aprendeu tudo o que sabe do sector automóvel com o pai, Francisco Crespo, que continua a trabalhar na empresa mas está a ‘passar a pasta’ ao filho.

A Iberbaterias foi fundada há 22 anos e desde essa altura que Nuno Crespo começou por ajudar e foi ganhando a experiência necessária para hoje administrar a empresa familiar. Defende que o futuro passa pelos carros eléctricos mas considera que ainda há muitas arestas a limar.

Na infância Nuno Crespo entretinha-se a brincar montando e desmontando os seus carrinhos. Por vezes acompanhava o pai, Francisco Crespo, que sempre trabalhou no ramo das baterias, nas suas deslocações de trabalho quando não havia escola. Tinha 18 anos quando o pai decidiu arriscar um negócio por conta própria e fundou a empresa Iberbaterias, sediada na Estrada Nacional 3, na zona do Gaio de Cima, no Cartaxo. Foi por isso com naturalidade que seguiu as pisadas do pai e começou a ajudá-lo na empresa.
Nessa altura, decidiu parar de estudar, não concluindo o 12º ano. O que acabou por fazer anos mais tarde. “Ao trabalhar com baterias percebia que tinha muito de química e física. As disciplinas que me faltavam para concluir o 12º ano eram Matemática, Química e Física. Mas não me apetecia ir estudar à noite. Decidi fazer uma disciplina por ano. Estudava e propunha-me a exame. Demorei três anos mas foi assim que concluí os estudos, sempre a trabalhar”, recorda a O MIRANTE no escritório da empresa.
Nuno Crespo não se esquece dos empregos que teve nas férias escolares e também aos fins-de-semana, para ganhar uns trocos extra. Durante dois anos trabalhou na plataforma logística da Sonae, em Azambuja, vila onde reside com a esposa e os dois filhos. Também trabalhou aos fins-de-semana numa sapataria para ajudar a pagar o carro que tinha comprado há pouco tempo. Já trabalhava com o seu pai quando teve que interromper para cumprir o Serviço Militar Obrigatório. Passou por Beja, Estremoz e Alcochete.
Naquele tempo confessa que foi mesmo obrigado a ir à tropa mas hoje ia sem pensar duas vezes. “É uma grande escola de vida por que todos devíamos passar, nem que fosse durante três meses. Aprendemos muito sobre responsabilidade, disciplina, rigor e fazemos amizades que ficam para a vida. Não gostei porque não tinha maturidade suficiente, mas hoje percebo que me fez muito bem”, afirma.

Trabalho em família
Na Iberbaterias trabalham oito pessoas, sendo que o pai, a mãe e a esposa de Nuno Crespo fazem parte da equipa. O empresário, de 40 anos, gosta de trabalhar em família. “Quando se discute pode dizer-se tudo o que vem à cabeça sem pensar. Podemos chatear-nos mas no outro dia já está tudo bem, como se nada tivesse acontecido. Acho que é mais benéfico para o negócio porque como somos família queremos todos o melhor da empresa”, sublinha.
O ramo principal da Iberbaterias é o das baterias industriais, usadas para alimentar equipamentos totalmente eléctricos. Trabalham para todo o país. O facto de terem um site na Internet veio ajudar a conquistar mais clientes. Pontualmente, fazem exportações para Angola. O empresário não esconde a preocupação com o aumento dos preços quase todas as semanas. No entanto, não tem havido falta de material. “Apenas algum material de origem norte-americana demora mais tempo a chegar, mas, de resto, não temos tido problemas”, explica.
Nuno Crespo defende que o futuro passa pelos carros eléctricos mas é necessário perceber e definir de onde vem a energia para alimentar o automóvel. “Há passos que têm que ser dados para avançarmos para os carros eléctricos em força. O ideal é existir um combustível, neste caso o hidrogénio, que paralelamente às baterias é uma alternativa que está a ser desenvolvida. É a chamada energia limpa, amiga do ambiente e deve apostar-se no hidrogénio. Além disso, é fundamental tornar os postos de carregamento mais rápidos e mais fáceis de encontrar para que as pessoas possam fazer a sua vida normalmente, sem necessidade de ficar muito tempo à espera que o carro carregue”, refere.

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