Identidade Profissional | 15-01-2023 21:00

José Barbosa começou a trabalhar aos 11 anos na fábrica do avô e aos 21 ganhou o primeiro ordenado

José Barbosa começou a trabalhar aos 11 anos na fábrica do avô e aos 21 ganhou o primeiro ordenado
IDENTIDADE PROFISSIONAL
José Barbosa gere, desde 1992, o negócio de família especializado no fabrico de mobiliário personalizado, à medida e ao gosto de cada um

José Barbosa cresceu em Paredes, no coração da rota dos móveis. Com a família ligada ao negócio do mobiliário decidiu seguir as pisadas: começou a trabalhar aos 11 anos na fábrica do avô e aos 23 tomou as rédeas da empresa. Há dois anos resolveu mudar os Móveis JAMB do Norte para o Porto Alto.

Mobilar uma casa depende do gosto de cada um, mas também do espaço disponível, do ambiente que se pretende criar, sem esquecer os estilos e as tendências. Para alguém como José Barbosa, que cresceu e sempre trabalhou numa fábrica de móveis, o conforto e a qualidade das peças de mobiliário são outros dois factores que não devem ser arrumados para canto. Embora actualmente se troque de móveis mais frequentemente “por uma questão de modas” e se aposte em gamas de baixo custo, “ainda há quem compre móveis para durar a vida toda”. É o caso da maioria daqueles que entram na loja dos Móveis JAMB, no Porto Alto.
Investir numa gama de maior qualidade, assegura José Barbosa, acaba por compensar. Não só pelo conforto, no caso de sofás, cadeiras e colchões, mas também pela durabilidade dos materiais. “Quem aposta numa qualidade mais fraca, se mudar de casa duas vezes, o mais provável é que os móveis fiquem danificados”, diz, acomodado numa cadeira de exposição. Depois atira: “quase nada do que está aqui se vende, porque o nosso foco é fazer tudo por medida e ao gosto do cliente. É para isso que nos procuram. Num sofá, por exemplo, o cliente escolhe o número de lugares, o tecido, a cor” e as funcionalidades, que vão desde o relax com quatro motores para o encosto e os pés, o deslizante ou até um sistema de som e entrada USB integrado no próprio sofá. “Agora quase tudo é possível. O cliente pede, nós fazemos”.
Para contar como nasceram os Móveis JAMB é preciso recuar a um tempo em que José Barbosa ainda não era nascido. Mais concretamente a 1951, ano em que o seu avô, Firmino Coelho Barbosa, decide abrir uma fábrica dedicada exclusivamente à criação, fabrico e revenda de camas, na aldeia de Mouriz, situada em Paredes, concelho da Rota dos Móveis. “Basicamente cresci já no meio dos móveis”, diz, recordando o tempo de criança em que fazia da fábrica o seu parque de diversões.
Quando José Barbosa entrou para a escola o tempo livre repartia-se entre o futebol e o trabalho na fábrica, ao qual nunca fugiu. Começou por ser uma espécie de “moço de recados”, que ajudava a transportar o material necessário ao fabrico mas que também se atrevia a fazer, manualmente, os trabalhados no mobiliário em madeira, actualmente feitos por maquinaria. Aos 11 anos deixou os livros para passar a trabalhar a tempo inteiro no negócio da família, mas o primeiro ordenado, conta com um humor, só o recebeu aos 21. Até atingir essa idade “recebia algum dinheiro” que gastava em convívios com os amigos da bola.
“Há cada vez menos madeira nacional para o mercado do móvel”
Depois de cumprir o serviço militar obrigatório em Beja e de ter descartado a hipótese de seguir carreira no Exército Português, em 1992 José Barbosa regressa a Paredes e decide que era tempo de tomar as rédeas da empresa, na altura gerida pelo seu pai, José Coelho Barbosa. É a partir dessa mudança, conta, que os Moveis JAMB deixam de funcionar apenas com revenda e se inicia a abertura de lojas pela região Norte. Em 2020, ano de pandemia, José Barbosa sai da sua zona de conforto e, juntamente com a esposa, abre a primeira loja na região Centro, na freguesia de Samora Correia.
Exigente com os seus fornecedores, José Barbosa diz que o maior desafio com que lida actualmente são os atrasos de material, muito por culpa da escassez de matéria-prima e falta de mão-de-obra. Ainda assim, garante, os Móveis JAMB não dão prazos de entrega irrealistas. “Isso era enganar o cliente”. Ainda sobre a matéria-prima, explica que além do aumento de preços, que nalguns casos- como no da madeira de carvalho- foi de 100%, “há cada vez menos madeira nacional para dar resposta às necessidades do mercado do móvel”. Apesar das dificuldades terem aumentado, a empresa de José Barbosa continua a não cobrar pelos serviços de entrega e montagem. No caso de se tratar de uma cozinha, por exemplo, desmontam e dão destino ao mobiliário antigo antes de instalarem o novo. Um serviço que José Barbosa acredita que faz a diferença na satisfação do cliente, que é sempre “o mais importante”.

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