Identidade Profissional | 05-09-2023 07:00

Um mecânico tem de ser mais do que um técnico que substitui peças

Um mecânico tem de ser mais do que um técnico que substitui peças
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Joaquim Reis é o proprietário da Auto Reis de Vialonga criada em 1979

Joaquim Reis nasceu no Algarve, mas em 1979, aos oito anos de idade, passou a viver em Vialonga onde hoje é um reconhecido mecânico.

Ao longo dos anos já tratou dos carros de gerações, de pais e de filhos. Apaixonado por automóveis Joaquim Reis acompanhou a evolução da indústria, dos carburadores à injecção directa, e conhece como poucos as máquinas de quatro rodas.

Um mecânico não pode ser apenas alguém que liga um carro a um computador, troca as peças e despacha o cliente. Um mecânico tem de ter sensibilidade para “ouvir as queixas” do automóvel e trabalhar com paixão. Esta é a forma de estar na profissão de Joaquim Reis, 74 anos, que tem dedicado a vida a reparar automóveis. Não se vê a passar os dias num banco de jardim ou no café e por isso continua a sujar as mãos na oficina, a ajudar o filho, Pedro Reis, concelho de Vila Franca de Xira, que agora toma conta da Auto Reis de Vialonga, situada junto ao posto de Correios.
“Não é fácil ser-se empresário nos tempos que correm. Antigamente era mais fácil. A burocracia que existe actualmente dificulta muito o nosso dia-a-dia”, confessa Joaquim Reis a O MIRANTE lembrando que não está a ser fácil encontrar mecânicos que saibam mexer em automóveis clássicos. Para o mecânico “faz falta gente que saiba ouvir o motor, reparar de ouvido, saber afinar um carburador, entre outros pormenores que um carro mais antigo exige. Hoje em dia não se reparam as peças, trocam-se por peças novas”, explica o profissional que é um apaixonado por carros de antigos.
Natural do concelho de Alcoutim, no Algarve, Joaquim Reis relembra a influência do pai, um sapateiro talentoso, que decidiu mudar-se para Vialonga para tentar uma vida nova. “O meu pai arranjava calçado e fazia sapatos novos. Vim para Vialonga com ele quando tinha oito anos. Mais tarde ele estabeleceu uma sapataria na vila, mas o meu interesse sempre foi a mecânica”, lembra, contando que começou a trabalhar na mecânica aos 13 anos na garagem da Bela Vista, na Póvoa de Santa Iria. No primeiro dia de trabalho meteram-no a varrer a oficina e apanhar as folhas das árvores que entravam pelo espaço com o vento.
Joaquim Reis ainda teve uma oficina na Póvoa de Santa Iria durante alguns anos até instalar a Auto Reis em 1979, em Vialonga. Uma oficina que é também um espaço de memórias da sua dedicação à mecânica. “A minha vida sempre foi apertar parafusos”, brinca. Ao longo da sua carreira não foi tudo um mar de rosas e teve de enfrentar vários desafios. O empresário relembra os dias longos e as horas intermináveis de trabalho, muitas vezes aos fins-de-semana e feriados. “Quando damos por isso os anos passaram por nós”, lamenta.
Apanhou várias mudanças no sector automóvel, mas as tecnologias deixou-as para o filho. “Se ele não estivesse aqui, hoje em dia metade dos automóveis não poderiam ser reparados”, diz Joaquim Reis, que tem uma colecção com alguns carros antigos, incluindo um Mini, um Datsun 1000 e um Citroen 2CV que está a restaurar há seis anos. Sobre a evolução dos automóveis considera que “o empenho que antigamente se colocava na construção de um automóvel era completamente diferente de hoje”. Realça como principais características dos carros mais antigos a durabilidade e a qualidade lamentando que isso são aspectos importantes que actualmente parecem não ser uma prioridade para algumas marcas.
A abordagem de Joaquim Reis à vida e ao trabalho é simples: “Um mecânico tem de ser sério, honesto e sincero”, destancando com orgulho as relações de confiança que construiu ao longo de décadas com os seus clientes. Acha que já não tem sonhos por concretizar e gosta de viver e trabalhar em Vialonga, que considera uma terra de gente boa e simpática. “Sou uma pessoa calma por natureza e é muito difícil tirarem-me do sério. Ainda que seja alguém que confia nas pessoas e muitas vezes levo por tabela quando algumas acabam por não pagar o serviço”, conclui com um sorriso.

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